Acrescentando: quem não gostar da liberdade de imprensa, tem alguns caminhos: Peça direito de resposta e desminta. Reclame o argentino Papa ou processe.
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Palavrório
Desta vez quem contribui de maneira invulgar para o bestiário linguístico (eu disse linguístico?) da Câmara é o seu presidente, Rodyson Krishnamurti. Referindo-se à necessidade de que sejam abertos poços para fornecimento de água para a população dos bairros mais carentes, deitou falação dizendo que “é preciso abrir poços artesanais”. Na hora ficamos na dúvida: não seriam poços artesianos? Mas depois compreendemos que ele se referia, talvez, às cisternas escavadas na base da enxadinha, com o miolo sendo retirado por suspensão, no sari, onde em certas ocasiões o servente levantando a carga ameaçam o furador que está lá embaixo: “agora fala outra vez aquilo que você disse hoje!” Esse, realmente, acaba por revelar-se poço artesanal.
Mas os locutores e comentaristas esportivos inovam bastante também. O competente
Leonardo Lasmar saiu-se com esta no jogo em que o Tombense detonou o Guarani: “…isso é fomiage!”. Neologismo puro! E o Oliveira Lima afirmou que havia no estádio de Nova Serrana cerca de vinte “funcionários” da Red Bugre. Então tá!
Rachild
A matemática é bem simples. Cada ponto vale R$94,00, por aí. Sendo assim é só multiplicar o número destinado a cada assessor para descobrir-lhes o salário. O número de pontos fica exposto (por força da Lei) em painel visível na entrada da Câmara Municipal. Cada vereador dispõe de 100 deles para distribuir entre seus assessores.
A média salarial fica aí por volta de R$1.800,00 (20 pontos). Se esse número é ultrapassado, a luz vermelha acende. É Rachild na certa, quando o pontuado divide o salário com a parentada e amigos do vereador, os chamados “voluntários”. Estamos relacionando os assessores que percebem mais de 20 pontos. E então é só buscar pelos “voluntários” para expô-los à luz de suas extremadas disponibilidades. Eu digo?
Planos de Saúde
Divinópolis é uma cidade bovina. Candidamente vai engolindo um sapo atrás do outro, abrindo generosos espaços para a engenharia perversa. Aceita, por exemplo, pagar por cirurgias, medicamentos, e até o algodão da sutura, mesmo dispondo de Plano de Saúde.
O pagamento das mensalidades pode ser feito em qualquer lotérica, mas a autorização para cirurgias tem de vir de Belo Horizonte. Isso depois de esperas infindas e recolhimento nos currais das empresas, aguardando, pasmem, por autorizações de simples consultas. Mas o comportamento dessas empresas em suas sedes estaduais não é assim: nada de esperas infinitas, nada de autorizações para consultas e cirurgias, porque afinal de contas são franquias e têm autonomia – de verdade inventam dificuldades para aumentar os lucros.
A boa notícia é que, apesar de nenhuma delas ser uma Brastemp, o mercado está ficando mais competitivo e já gravitam planos de saúde menos cruéis em torno de Divinópolis. Estamos avaliando uma empresa “chegante” para indicá-la aos usuários da city. E poderão verificar que na manhã seguinte não aparecerá qualquer publicidade para abafar a notícia. Porque se o Passos me censurar, eu me mando desta publicação. Estou cansado da censura, que em Divinópolis é maior do que nos tempos da Redentora.
Mequetrefe
O ex-vice-prefeito, Chiquinho Imobiliário, participa de programas em rádios e tevês com bastante desenvoltura. Num deles ensina empresário a empresariar.
Sempre muito gentil e cordial como convém a um político, aproveitou-se de participação recente no programa Silvio França, para desancar o deputado Fabiano Tolentino. Chamou-o de “deputado mequetrefe”, dizendo que Tolentino não tem projetos e tampouco iniciativas. Para ele, um “picolé de chuchu”. Mas a língua soltou-se de verdade foi na ante-sala do estúdio da Rádio Minas. Dizem que naquele momento o prefeito coçou a orelha lá na rua Pernambuco e proferiu sábias palavras: dia do favor, véspera da ingratidão. Enquanto isso as louças sujas vão se acumulando na pia.
Gente bonita
A boiada que frequenta as baladas locais acredita muito em colunistas sociais, esses que puxam tanto o saco, que acabam por degenerar os costumes, matando as tradições, confinando mentes e corrompendo biografias. Dia desses deram notícia a um empresário, desses mais conscientes, dando conta de que sua foto estava na coluna tal. Ele coçou a barba e apenas balbuciou: Ora!
Mas o interessante mesmo é que fazem questão absoluta de divulgar que no tal acontecimento social só vai gente bonita. Não seria o caso de nós, os feios e feias, nos insurgirmos contra essa ditadura da beleza? E afinal de contas, a qual beleza eles se referem? A estética ou a espiritual? A intelectual ou a estimativa? Se Ibrahim Sued não estivesse morto, deveria ser morto pela segunda vez. Porque não se constrói uma sociedade com base nesses valores.
Saúde
Uma tristeza ver suntuosos estádios de futebol sendo erguidos às dezenas, enquanto o povo brasileiro se amontoa nos prontos socorros em busca de atendimento. À porta do Pronto Atendimento de Divinópolis, a turba se concentra do lado de fora, – mas no começo os gestores garantiram que seriam derrubados os tapumes – obedecendo, como já se disse, docemente, aos chamados através de senhas. É justo reconhecer que os funcionários fazem o que podem.
E olha essa! No cenário nacional uma cesariana é coberta pelo SUS, mas o parto normal, o recomendável, tem de ser pago à parte aos obstetras.
Enquanto isso Dilma Rousseff comparece à entronização do Papa que faz votos de pobreza, em portentosos automóveis alugados em Roma. E hospeda-se em hotel de luxo junto da confraria de 52 pessoas. Desprezou solenemente o luxuoso palácio Pomphili, piazza Navona, sede da embaixada brasileira. Um acinte à pobreza nacional que ela diz defender.
Cidade Tecnológica
Uma fazenda é comercializada por seus hectares, e chácaras, por metro quadrado. Esse último é infinitamente mais caro do que o hectare. A mágica está em transformar a área rural em área urbana para vendê-la bem. Mas para que as chácaras alcancem preços estratosféricos é preciso que exibam argumentos convincentes. Como a criação de uma suposta Cidade Tecnológica. Com relação a isso, é bom lembrar que de iniciativa privada só existe uma no mundo. Exatamente na África.
Os empreendedores se valem de publicidade paga, tentando divulgar e convencer às autoridades e até ameaçando transferir a iniciativa para outra cidade.
Ameaçaram mas não foram. Porque sabem que somente Divinópolis é cândida o suficiente para acreditar neles. Nesse aspecto, uma iniciativa parecida foi feita pelo mesmo grupo lá pelas bandas de Furnas. Era uma espécie de Cidade do Futuro, com aqueles benefícios que as agências de publicidade tão bem sabem colorir. O condomínio estaria hoje abandonado, vendo o mato crescer e cavalos pastando por suas ruas bucólicas.
Não existe qualquer garantia palpável, documentada, de empresas tecnológicas dispostas a vir montar linhas de produção aqui. Parece que a verdadeira intenção é mesmo vender as chácaras. E o resto é resto.
E la nave vá
Os municípios mineiros emancipados em tempos mais recentes contam uma média territorial de 350 km2. Os da região norte, a exemplo de Curvelo (3.298 km2 – população 74.219) Montes Claros (3.268 km2 – pop.361.915) Januária (6.661 km2 – pop. 65.463) possuem um “mundo véio” de terras. A área de Uberaba, com solo apropriado para a agricultura, sobe a 4.523 km2, com uma população de 295.988 habitantes. Já a fulgurante Uberlândia possui 4.115 km2 e 604.013 habitantes.
Divinópolis, pelos esforços individuais de Pedro X. Gontijo conseguiu cercar 708 km2 para o município. Quer dizer: as duas cidades do Triângulo possuem, cada qual, área mais de seis vezes superior à de Divinópolis. E além do mais, agricultáveis. Boa localização geográfica e enormidade de terras virtuosas.Vizinhas da rica São Paulo, dispondo de boas rodovias, transporte fácil, acesso aos portos, mais terras férteis, mais riquezas.
Divinópolis, por sua vez, vai se virando com o que pode. Não possui sequer um Distrito Industrial digno para receber novas indústrias. E estradas nem pensar. A próxima a pedir o boné e cair na braquiária, (outra vez) segundo garantem, é a Distribuidora da Coca Cola. Estradas ruins, pedágios, dificuldades logísticas e é mais uma que se vai. A alma santa do Padre Libério haverá de nos proteger.
O que eles disseram:
Carlos Altivo – Divinópolis progride, apesar de seus políticos.
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