Um dos vereadores, Rodrigo Kaboja (PSL), chegou a poetizar a nomeação da equipe e a seguir disse: “Trago boas noticias, Vladimir acaba de nomear o seu secretariado são os mais competentes dentre os mais de quatro mil servidores – Mais uma vez Vladimir mostrou o seu caráter…”
Depois da introdução elogiosa, Kaboja mandou que a oposição desvairada se colocasse em seu devido lugar, criticando o movimento de pedido de cassação do prefeito que está sendo realizado pela tal oposição. Disse ainda que os 35 mil votos recebidos por Vladimir, o legitimam no poder. Finalizou: “lanço o meu protesto contra esta oposição desvairada – Vida Longa ao prefeito e ao seu secretariado”.
Foram sucessivos discursos de elogios da competência da equipe “nova equipe” de governo nomeada, o vereador Edmar Rodrigues (PSC), como líder do governo disse: “São todos de uma competência muito grande, a maioria já estava no governo. Se foram competentes no primeiro mandato, agora no segundo vão ter que ser muito mais”.
Periquito Beleza, também do PSD, em sua única fala, depois de elogiar a grande equipe nomeada, disse que estará a posto para cobrar as ações dos secretários, dizendo que estava trabalhando para o povo.
Até o vereador Edmilson do PT, que o seu partido é ferrenho opositor ao governo estadual e sofre oposição radical no federal, e que por suas ações desassociadas da legenda partidária os petistas o apelidaram de “Eudmilson”, contemporiza nos pronunciamentos, colocando panos quentes na relação com o Executivo Municipal. Qualquer democracia saudável tem que tem oposição e não unanimidade, que é burra. Para o Edil falta “pegada” de oposição.
Houve até discursos de que nesta legislatura o ambiente está mais calmo, que não existe contenda. Que existe mais união. O discurso foi corretíssimo, o clima está tão sereno nem parece um parlamento de discussões de idéias diferentes. Existe a burra unanimidade em quase tudo.
Os discursos estão fora do contexto dos anseios da população, os fatos externos estão acontecendo e por não serem de agrado do Executivo são ignorados. Que a light oposição levante o assunto em plenário e a tropa de choque do governo defenda, o que não deveria acontecer é a omissão e a falta de debate dos acontecimentos da cidade, da mazelas da cidade.
Os pronunciamentos estão tão insípidos e inodoros que sequer existem aplausos ou vaias no plenário. Os “xiitas” sumiram e não são bem vindos na Casa. A “claque governista” é composta mais por assessores parlamentares da base do governo, que por cidadãos eleitores. Até a cidadã, Dona Iraci Adão, uma pessoa que levava “alegria” para o plenaria com sua indignação e aplauso, silenciou, emudeceu, não vai mais todos os dias e quando vai, fica um pouquinho e vai embora. Sinal que nem ela está aquentando ficar até o final como ficava na legislatura passada. Então fica aquela coisa morna, ou melhor fria.
Além da quase total unanimidade dos elogios do Legislativo com as ações do Executivo, o que mais se ouve é a informalidade elogiosa entre alguns dos edis de “Querido presidente pra cá”, “querido presidente pra lá”, “querido amigo vereador”. É uma ação entre amigos de 14 vereadores que as vezes chega aos 16. A única exceção é o vereador Adair Otaviano (PMDB) e Edmilson do Niteroi (PT).
Qualquer pensamento diferente em uma Câmara totalmente governista qualquer pensamento que não seja convergente em direção ao executivo, as pessoas são rechaçadas como “xiitas radicais”. A partir da última segunda-feira (11) arrumaram outro adjetivo para a turma que já colheu brincando, brincando, mais de duas mil assinaturas pelo impeachment do prefeito Vladimir. Não são corintianos, mas foram considerados “Um bando de loucos”, que queiram ou não, estão correspondendo às expectativas dos milhares de cidadãos que chegam a fazer fila no quarteirão fechado da São Paulo para assinar a tal lista do impeachment, que pelo pronunciamento do vereador Kaboja na Câmara está começando a deixar a situação preocupada com a repercussão negativa.




