Chávez, voando de Cuba, onde ficou em repouso por dois meses e sete dias depois de se submeter à sua quarta operação de combate ao câncer, Chávez chegou ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Caracas às 2:30 da manhã da última segunda-feira, 18. Ao contrário de chegadas e partidas anteriores do mandatário, este regresso não foi televisionado e nenhuma foto foi divulgada.
Segundo o jornal venezuelano El Universal, Chávez foi sedado antes da decolagem, e o avião voou a uma altitude baixa para evitar o comprometimento de sua delicada saúde e piorar um grave problema respiratório. Após seu retorno, ele foi levado para o hospital militar de Caracas. Quando ele já estava em segurança em seu quarto, três mensagens surgiram em sua conta no Twitter. Além de agradecer a Cuba, Fidel Castro e Raúl Castro pelo apoio, Chávez (ou alguém de sua comitiva) twittou: “Chegamos novamente para a Venezuela. Graças a Deus. Graças ao meu amado país. Aqui vamos continuar o tratamento”.
Celebrações de simpatizantes do presidente começaram quase imediatamente em Caracas e outras grandes cidades do país. Uma enfermeira disse à televisão estatal que tinha visto Chávez caminhar sem ajuda dentro do hospital, dispensando muletas ou cadeira de rodas. O “testemunho” da enfermeira foi imediatamente divulgado por funcionários do governo.
Mas discrepâncias imediatamente surgiram. Se Chávez é capaz de perambular pelo hospital sozinho, por que ele desapareceu de vista? E após os três primeiros tweets, por que o líder não disse mais nada e nenhum vídeo ou fotos foram liberadas?
Três cenários
Analistas dizem que há três cenários possíveis após o retorno de Chávez. O primeiro, em que o presidente se recuperaria em solo nacional e em seguida retomaria suas atividades como presidente, é também o mais improvável. O segundo vê Chávez empossado para o seu quarto mandato e, então, prontamente renunciando em favor de seu sucessor escolhido a dedo, o vice-presidente Nicolás Maduro. O terceiro cenário é o mais sombrio para Chávez, no qual ele morre sem ser empossado. A maioria dos analistas aposta no segundo ou no terceiro cenário.
Para manter o cargo, Chávez teria de demonstrar “fala, mobilidade, e fazer o juramento de posse”, diz Miguel Tinker Salas, professor de História Latino-Americana da Universidade Pomona, na Califórnia. “Se isso acontecer, Chávez compra tempo para se recuperar e pode governar ou supervisionar uma transição na qual ele terá o papel de mobilizar os aliados, mesmo que apenas simbolicamente”.
Ainda assim, qualquer cerimônia seria repleta de problemas, especialmente porque teria de ser televisionada, o que exporia a real condição do presidente e provavelmente levantaria preocupações adicionais sobre a sua capacidade de governar.





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