247: Veja compara Dirceu à virgem que leiloou o hímen

Publicado por: suporte

Não resta dúvida de que o Partido dos Trabalhadores, a despeito dos 17,2 milhões de votos obtidos nas últimas eleições municipais, se transformou na Geni da política brasileira. Não há dia que passe sem que que alguém, munido de uma máquina de escrever ou de um processador de textos, não se disponha a atirar m… ou jogar b… na Geni. Neste sábado, novamente, foi a vez da revista Veja, que não poderia desperdiçar mais uma oportunidade. Afinal, foi nesta semana que saíram as penas de prisão de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

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Depois de duas capas recentes sobre Dirceu e seus colegas, uma sobre os “réus” e a outra sobre os “condenados”, a sequência lógica seria sobre os “apenados”, mas, desta vez, a revista da Marginal Pinheiros se superou. O PT, segundo a publicação de Roberto Civita, seria tão vil quanto a catarinense Ingrid Migliorini, que leiloou sua primeira relação sexual. “Vender a virgindade e comprar o apoio de partidos políticos são duas atitudes revelam em seus autores a mesma concepção utilitarista e rasa da vida. Uma deprecia a intimidade. A outra ultraja a democracia”, diz o diretor de Veja, Eurípedes Alcântara, em seu editorial.

Na reportagem interna, Veja prega um sabão moral no PT, ao dizer que “nem tudo se compra”. De certa forma, a revista até ecoa reportagem recente do 247 sobre a venda da virgindade, que citou o livro “Everything for sale”, do acadêmico americano Robert Kuttner. Nele, o autor condenava a tendência para que, tudo na vida, se convertesse numa relação mercantil, de compra e venda (leia mais aqui).

Comparar, no entanto, um partido político à virgem que leiloa seu hímen é simplificar, de forma rasteira, a análise política, deixando de fora outras questões relevantes. Qual foi a natureza, por exemplo, da aliança entre Fernando Henrique Cardoso e Antônio Carlos Magalhães, selada em 1994, que cimentou a base da sua governabilidade? Houve contrapartidas (um setor elétrico inteiro) ou se tratou apenas de uma aliança programática? De que maneira FHC obteve votos no Congresso para garantir sua reeleição, sem a qual, revistas da Abril, como Exame, diziam que o Brasil quebraria? (e o fato concreto, não custa lembrar, é que o Brasil, mesmo com FHC reeleito, quebrou e caiu três vezes no colo do FMI).

Veja pode ter tido uma “sacada”, mas com a capa desta semana – que compara uma jovem que se prostitui a um partido – não contribui em nada para engrandecer o debate político, nem para aperfeiçoar as instituições.

Recentemente, Eurípedes Alcântara se viu forçado a falar sobre ética, justamente quando foram desnudadas as relações da revista com o bicheiro Carlos Cachoeira – este, sim, um personagem que acreditava na lógica do tudo à venda. Tudo mesmo: políticos, juízes, procuradores, delegados e jornalistas. No seu editorial, chamado “Ética, uma reflexão permanente”, Eurípedes defendeu a parceria jornalística com criminosos (leia aqui). Na sua nova elaboração ética, a conclusão é a de que o PT prostituiu o País. Mas Veja – a revista, não o detergente – está aí para limpar.



Brasil 247

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