A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal, ocorrida nesta quarta-feira (28), foi um verdadeiro teatro de fantoches, armado pelo prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) e pelo DEM (Partido dos Democratas). Controlado pelo deputado federal Jaime Martins (PR), o DEM foi decisivo na eleição da Mesa, que garantiu a vitória do candidato do prefeito, vereador Anderson Saleme (PR).
Duas chapas foram inscritas para a Mesa Diretora, sendo a chapa 1 tendo Anderson Saleme como candidato a presidente; Edmar Rodrigues (PSD), vice-presidente; Rodyson do Zé Milton (PSDB), 1º secretário; e Milton Donizete (PRTB), 2º secretário. A chapa 2 tinha como candidato a presidente Adair Otaviano (PMDB); vice-presidente, Dra. Heloisa Cerri (PV); Antônio Paduano (DEM), 1º secretário; e Roberto Bento (PT do B), 2º Secretário.
Ao iniciar a reunião para a eleição, o atual presidente Pastor Paulo César dos Santos (PRB), comunicou que a chapa 2 estava impugnada, pois havia um documento pelo qual o vereador Antônio Paduano renunciava à sua candidatura a 1º secretário na chapa 2. Assim, a chapa 2 ficou incompleta, sendo considerada nula pela presidência.
A renúncia de Antônio Paduano foi armada pelo prefeito Vladimir Azevedo e pelo DEM com muita antecedência. O vereador foi orientado pelo partido, conforme confessou um integrante da legenda logo após a eleição, a colocar seu nome como candidato na chapa 2. Feito isso, o DEM apresentaria o documento determinando ao vereador que não fizesse parte de nenhuma chapa. Paduano alegaria obediência ao partido e a chapa de oposição seria inviabilizada sem tempo para mudanças. Assim foi feito. Às 6h05 da manhã desta quarta-feira (28) foi protocolizado na Câmara o documento do DEM determinando ao vereador que não concorresse à eleição da Mesa Diretora. Além de participar da manobra, Paduano votou na chapa do prefeito, sendo o voto decisivo na vitória dos governistas.
Chamou a atenção o fato de que o documento do DEM foi protocolizado na Câmara pelo Assessor de Governo do prefeito Vladimir Azevedo, Antônio Faraco Júnior. Faraco é filiado ao PSDB. Chama a atenção, ainda, as respostas que ele deu a jornalistas sobre sua atitude. Faraco disse que não tinha conhecimento se a presidente do DEM, Maria Martins (mãe do deputado Jaime Martins) sabia que ele era o responsável pelo protocolo do documento do partido na Câmara.
O vereador Antônio Paduano, que cumpre seu 10º mandato (40 anos na Câmara) aceitou ser o fiel da balança nessa manobra. No plenário ele tentou justificar sua decisão. “É um direito que me assiste”. E logo depois caiu em contradição: “Desde o início eu não tinha interesse em disputar cargo na Mesa Diretora”. Ocorre que sua renúncia, se é que houve, aconteceu na madrugada e Paduano aceitou que seu nome fosse colocado na chapa nas negociações ocorridas na tarde de ontem. Além de participar da manobra, desistindo de concorrer e invabilizando a oposição, Antônio Paduano ainda votou favorável à chapa do prefeito, sendo o voto decisivo que garantiu a vitória dos governistas.
DISCURSOS – Os discursos foram inflamados durante a sessão, mas o presidente da Câmara manteve impugnada a chapa 2, apesar da argumentação de vários vereadores e mesmo não havendo nenhum documento assinado pelo vereador Paduano renunciando à sua candidatura. No artigo 9º, do Regimento Interno, está escrito: “A renúncia de vereador inscrito em chapa registrada só será aceita se protocolizada três horas antes da reunião”. Ocorre que não há renúncia assinada por Antônio Paduano, apenas a recomendação do DEM para que ele não participasse da disputa. Mesmo assim, o presidente Pastor Paulo César aceitou o documento como válido e manteve a eleição e a impugnação da Chapa 2. É com base nesse artigo, que a chapa derrotada pretende ir à Justiça, impetrando na Justiça um mandado se segurança com pedido de liminar para suspender o processo. Até o início da tarde desta quarta-feira (28) o mandado de segurança ainda não havia sido protocolizado no Fórum.
Para o vereador Beto Machado (PSDB) o processo eleitoral na Câmara é escuso e na eleição desta quarta-feira o Regimento interno foi totalmente ferido. “Pode o presidente acatar o documento do DEM, mas será decisão passível de um mandado de segurança”, alertou Beto Machado.
Apesar dos alertas, a eleição foi mantida com chapa única, que conseguiu sete votos favoráveis, sendo os quatro integrantes da nova Mesa – Anderson Saleme (presidente), Edmar Rodrigues (vice-presidente), Rodyson do Zé Milton (1º secretário) e Milton Donizete (2º secretário) – mais os votos de Antônio Paduano, Geraldinho da Saúde (PR) e Pastor Paulo César (PRB).
FONTE: Blog Di Verdade





