Corrupção a serviço da reeleição: “como funciona a pilantragem da troca de ruas calçadas por votação na Câmara a favor dos interesses do Prefeito”

Publicado por: suporte

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Divinópolis – O Livro Proibido

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por Itamar de Oliveira
 
 
Corrupção a serviço da reeleição
 
Em pronunciamento no plenário da Câmara Municipal, a digna vereadora Heloísa Cerri fez acusação seriíssima à Administração Vladimir Azevedo. Palavras da vereadora: ‘Dentro daquela prefeitura foi instalada verdadeira quadrilha!’ A se julgar pela maneira dissimulada com que foi celebrado o acordo partidário entre Prefeitura Municipal e COPASA para tratamento do esgotamento sanitário, não é difícil chegar a esta conclusão. Em tudo por tudo constitui-se em verdadeira farsa.
 
Pelo menos a uma dessas vilanias pudemos acompanhar de perto. A Secretaria de Obras foi tomada por parceiros políticos de Vladimir Azevedo, que não tiveram como esconder o fato de que nunca estiveram a serviço da população. Ao contrário, todos operam em prol da reeleição do prefeito, e eleição deles próprios a vereador. Simonides Quadros e seu penduricalho Eustáquio Ferrugem estão à frente das pequenas obras nos bairros. Com o pouco que existe tentam criar um clima de ‘tocador de obras’ para o prefeito. Tarefa difícil, em que pese os esquemas recorrentes nesse sentido.
 
O chefe deles é o secretário Adilson Quadros, que embora tucano de alta plumagem, tem pouca autoridade sobre seus comandados. Ao postar-se no centro do tiroteio, Adilson Quadros fica desorientado e perde o respeito dos subordinados. Contudo a última palavra é sempre do prefeito, (que ajuda minguar-lhe a autoridade) seja ela republicana ou não.
 
Como funciona a pilantragem
 
No ano de 2010 havia recursos para o calçamento de 57 quarteirões no âmbito de toda a cidade na modalidade inventada nos tempos de Aristides Salgado: a prefeitura entra com terraplenagem, pedras, e para finalizar, a compactação. A mão de obra fica por conta dos moradores do quarteirão. É a maneira de fazer engordar as verbas sempre insuficientes face o desvio para outras finalidades menos nobres: uma delas, comprar a opinião da imprensa. Em recente pagamento feito com bastante atraso à empresa Sabre Engenharia por serviços prestados, havia rubricas de quase todas as secretarias. Ou seja, sem recursos de caixa, avançaram sem a menor cerimônia nas verbas de outras secretarias.
 
Havíamos constituído uma empresa para participar dos calçamentos. Como a temporada ainda não havia sido aberta, – porque nada se faz nesta Administração sem muita propaganda – de imediato obtivemos uma firma (Auto-peças Daldegan – Rua Braulina Michelini – LP Pereira) que aceitava pagar todas as despesas, incluindo pedras e terraplenagem para a pavimentação do quarteirão onde se localiza. Havia por lá muito barro e poeira (dependendo da estação) e precisavam dotar a área de infraestrutura. Mas em poucos dias o proprietário ligou para informar que Simonides Quadros prometia a doação de todo o material, mais terraplenagem e compactação. E que além do mais havia oferecido seu empreiteiro para assumir os trabalhos de calçamento. Sendo assim dispensava os nossos serviços. Só muito depois é que conseguimos demovê-lo da idéia de dispensar-nos. E fique claro que sempre nos demos bem com a empresa Auto Peças Daldegan, que tratava, como se deve, de seus legítimos interesses. A denúncia apenas explica que não há qualquer critério para escolha dos beneficiados. Seja rico, seja pobre, o interesse político está sempre à frente. O primeiro quarteirão ao nosso encargo, gerou também o primeiro desentendimento com o adjunto, lobo que veste pele de cordeiro para a torcida.
 
O fato é que ao ver-se ameaçado na sua vontade de fazer o que bem entendesse, Quadros se viu espremido por uma nova realidade. Quem chegava de pronto detectou os seus objetivos pessoais. Na ocasião sentenciou-nos: ‘vocês não ficarão muito tempo nesse ramo!’ Claro que o recado foi entendido como ameaça prestes a ser cumprida, como de fato foi.
 
Simonides (com a cumplicidade de Eustáquio Ferrugem) passou então a obstruir toda e qualquer tentativa da nossa empresa de trabalhar, embora nem a própria administração pudesse criticar a boa qualidade dos serviços prestados. A maneira de obstruir: quando tem pedra não tem máquina para cortar a rua; quando tem máquina, não tem pedra. Ou inventam outro problema qualquer. Com as seguidas interferências, o calceteiro é tangido para outra frente de serviço, quando a equipe é desfeita pelas circunstâncias. Ao perceber o elenco se desmanchando, a dupla sutilmente libera uma frente, para fingir estar promovendo justiça e equilíbrio. A perseguição gerou desarmonia e desconfiança entre os calceteiros em relação à empresa contratadora, por enxergarem total ausência de futuro ali. O terrorismo sobre os operários é também constante e por esse motivo fica difícil, senão impossível. manter a disciplina. Simonides Quadros e Eustáquio Ferrugem são dois malfeitores da política e vão encabeçar a lista ‘Em quem não votar em 2012’ do boletim Bururu Bururu e jornal Pinga-Fogo.
 
O cancro da corrupção
 
O método usado para distribuir as ruas (na verdade quarteirões) é o seguinte: a primeira metade vai para os vereadores da base. Esses são mantidos sob rígido controle (votando tudo o que o Executivo ordena) pela conquista de dois ou três quarteirões para calçamento em suas regiões eleitorais. Vereador de oposição não participa do espólio. Os outros 50%  são guardados debaixo do braço e destinados a fazer política. Ficam aos cuidados de Simonides Quadros. Então ele e seus ‘sócios’ pintam e bordam.
 
O vice-prefeito Francisco Martins também gosta de atuar na área e mandou calçar diversas ruas de parceiros e financiadores de campanha. Simonides Quadros e um dos seus sócios (garantem) Toninho Belvedere ficaram com a totalidade dos quarteirões do bairro Bela Vista e Belvedere. É por ali que o rapaz pretende chegar à vereança. Já Eustáquio Ferrugem atua nos bairros Dona Rosa, Santa Rosa, Nações. Também oferecendo o que não é seu: pedras e serviços de calçamento.
 
A corrupção está justamente na distribuição viciada das autorizações, sugerindo que se trata de associação criminosa, já que não existe qualquer argumento que desminta essa constatação – a CPI do Calçamento, com a desculpa da ‘falta de verbas’ não quis contratar auditoria independente para fiscalizar os mapas de distribuição de ruas e volumes de pedras despendidas. O que foi apresentado chega a ser risível, face a pobreza dos disfarces. O presidente da Câmara na ocasião era Edmar Rodrigues, hoje líder do prefeito no Legislativo. Nunca houve licitação, como querem fazer crer as Vladimiretes (boquistas profissionais que dependem desesperadamente do emprego. São camaleões que se transformam em Dominguetes, Galiletes, Demetretes, dependendo dos seus interesses, para entrar nos sites noticiosos anonimamente dando palpites a serviço da contra-informação. As licitações acontecem somente quando as verbas são estaduais, canalizadas por deputados. E não era esse o caso.
 
Corrupção a granel
 
A prefeitura não reconhece o desvio de material. Entretanto proibiu que transportadores particulares e da própria empresa fornecedora carreassem pedras calçadinhas adquiridas pela Administração. Isto significa que, embora os gestores não tenham passado recibo, entenderam que a comporta se abre é quando o transporte foge de suas mãos. E por esse motivo a proibição. Somente os veículos da prefeitura estão hoje em dia autorizados a fazer os carretos.
 
Em meio às ruas onde inicialmente a empresa Siboney Serviços Ltda (de nosso gerenciamento) realizou calçamentos, tem o enigmático caso da rua Califórnia, no bairro Dona Rosa.
 
A área de pavimentação já estava completada quando chegou um caminhão da Dibrita carregado com 10 metros cúbicos de pedra. O motorista disse que aquele material era para ser descarregado ali. De imediato os trabalhadores do canteiro responderam que acabavam de finalizar a obra e que não havia necessidade de mais material. O motorista revelou então que não estava entendendo, porque tinha ordens de trazer mais 10 caminhões para aquele endereço. Em seguida coçou a cabeça e disse desolado: ‘já sei para onde eu levo!’ E seguiu para o Belvedere.
 
Em outras ocasiões cargas completas de calçadinha restavam pelas ruas depois de terminados os calçamentos. Ninguém se incomodava em resgatá-las. O material desaparecia em seguida. Na rua Francisco Teodoro da Silva, – às margens do trevo, no Bom Pastor, na qual é localizada uma única empresa – pavimentada por ordem de Francisco Martins, sobrou um caminhão de pedras. Convocados para verificar o desvio, ninguém da Secretaria de Obras deu bola para o desperdício. Na Câmara não havia disponível nem transporte e nem fotógrafo para flagrar a burla. Mas uma comissão de um só vereador (Antõnio Paduano) esteve no local. No outro dia não havia nem sombra de pedras no lugar. E não bastasse mais esse ‘muito obrigado’ por financiamento de campanha, o contribuinte ainda pagou por material desviado. Foram inumeráveis as denúncias nesse sentido. Todas elas ignoradas.
 
CPI do Calçamento e a Lei de São Francisco
 
Desde o início foi um fiasco. Primeiro de tudo porque houve uma falha de estratégia do Executivo, fazendo com que o Presidente da Câmara elegesse como Relator o oposicionista Edson Sousa. E como presidente da CPI o vereador Hilton Aguiar, que em princípio parecia permear uma linha independente. A CPI tinha tudo para progredir na direção correta, quando os governistas viram a gafe cometida.
 
Foi então que o prefeito convocou em seu gabinete um por um dos vereadores até então considerados independentes, para negociar apoio. Conseguiu a maioria usando o expediente de sempre, a Lei de São Francisco: é dando que se recebe. A partir daí não haveria mais oposição, exceto por Heloísa Cerri e Edson Sousa.
 
Em seguida o vice-prefeito Francisco Martins expulsou o Relator da CPI, Edson Sousa, do PDT – o vice é presidente do partido – e vereador sem partido não pode participar de comissões. Em seu lugar instalou como Relator o vereador governista Antônio Paduano Pereira. Até que saiu o resultado que dizia tratar-se de denúncia vazia.
 
De fato, nos moldes em que foram apuradas, as denúncias soavam realmente como que vazias, porquanto não houve esforços por parte dos governistas de fazer qualquer tipo de apuração. E deixados à vontade, quem falava nos bastidores se esquivou de testemunhar ao vivo e em cores. Sequer aconteceu a necessária acareação entre quem denunciava e quem testemunhara os fatos. E nem diligência alguma.
 
Durante as ‘apurações’ aconteceram ameaças, omissões, ocultação de depoentes (o calceteiro José Moacir da Cruz foi mantido fora de circulação por vários meses, (chegou a circular a notícia de que ele estava morto) com a promessa de que quando voltasse seria beneficiado, E foi o que aconteceu. Não se esqueceram da ajuda e Moacir foi aquinhoado com uma frente de serviço, certamente como forma de pagamento pela ‘lealdade’.
 
Ainda durante a CPI era denunciado o asfaltamento em propriedade particular com maquinário e funcionários da prefeitura na empresa Ponto Duplo, localizada no trevo rodoviário. Tudo comprovado e fotografado. Mereceu ampla reportagem do Divinews. A CPI, claro, fez vistas grossas. O serviço de pavimentação, até então feito no pátio interno da indústria, foi concluído nos últimos dias com o asfaltamento da área externa que já havia sido calçada – ali também o cheiro do favorecimento ilícito enche as narinas. Há também denúncias dos próprios compradores de pedras desviadas. ‘Essa gente vem aqui e me oferece pedra mais barata que as mineradoras’ – disse um deles. Ninguém se interessou em conferir. E existe nome, endereço, e o resultado dos desvios espalhados pelo chão.
 
Isso nunca recebeu atenção dos responsáveis pela Secretaria de Obras e nem da CPI. Fica evidente que a farsa leva direto à omissão do prefeito, que fez de tudo para enterrar a Comissão, mais preocupado do que tudo, com os recursos da COPASA para a sua reeleição.
 
No decorrer das ‘investigações’ acontecia um fato interessante. Quando faltavam recursos para compra de material e os pagamentos atrasavam com a Dibrita, a administração justificava as paralisações, dizendo que elas aconteciam ‘em respeito’ ao andamento da CPI. Mas se entrava um recursinho, aí o ‘respeito’ deixava de existir. O nome disso é cara de pau.
 
O arrependimento de Judas
 
Neste momento alguns dos vereadores cooptados dão sinais de terem se arrependido do acordo feito com Vladimir Azevedo. Os governo não teria cumprido o combinado. O diálogo que o boletim ‘Bururu Bururu’ publicou, envolvendo o vereador Hilton Aguiar e o Secretário João Luiz (Pancho) de Oliveira é significativo.

– Se vocês não resolverem minha situação (liberação de material) eu mudo o resultado desta CPI – reclamou o vereador, presidente da Comissão.
 
– Calma, Hilton, calma! Vamos ver o que podemos fazer! – respondeu Pancho pelo celular.
 
O vereador que fala o que quer em público acaba de avisar no plenarinho: ‘O prefeito quer o número máximo possível de vereadores. Tem de ser 21! – em flagrante contraste com a opinião pública.
 
O diálogo anterior a este foi publicado no boletim ‘Bururu Bururu’ sem ser desmentido em momento algum.
 
A certa altura da CPI, quando informações e futricas voavam por todos os lados, chegou a notícia inusitada: a um dos empreiteiros tinha de ser repassado imediatamente um quarteirão para calçamento. Devido os grandes intervalos de liberação, ele ficara sem recursos para cumprir os compromissos.
 
Ligações perigosas
 
A grande verdade é que os responsáveis pela distribuição de quarteirões, com Simonides Quadros e Eustáquio Ferrugem à frente, aproveitam-se da inocência das pessoas simples que compõem o quadro de empreiteiros do calçamento, fingindo atendê-los, para guardar para si e demais ‘sócios’, a parte do leão. Por esse motivo são mantidos grandes intervalos entre uma liberação e outra. Como pais de família e com gastos incontornáveis, esses empreiteiros são obrigados a ‘comer’ o próximo quarteirão sem ao menos tê-lo começado. Quando precisam recomeçar os serviços, pagam os trabalhadores com dinheiro emprestado.
 
Mas daquela vez o empréstimo fora feito com um, digamos, agricultor da famosa cannabis sativa. E como se sabe, traficante costuma ser bonzinho, mas não perdoa. Foi um corre corre dentro da Secretaria Adjunta de Obras para arranjar uma rua para o rapaz calçar e com os recursos gerados quitar a dívida. A Administração não queria vínculos com aquela história.
 
Aliás, parece ter sido celebrado uma parceria informal entre essa administração e o tráfico. No ano passado a vítima foi o Guarani, sob a presidência de Edilson de Oliveira, que já ocupava cargo de confiança na prefeitura. Edilson e nem a sua diretoria têm a menor culpa no caso. Eles apenas queriam safar uma onça momentânea do clube. O prefeito prometera apoio ao Guarani e como é da sua prática se omitiu. Ele que dissera na posse daquela diretoria em detrimento das anteriores: ‘agora a administração do Guarani vai ser profissional!’.
 
Sem recursos para tocar o time (em dois anos ainda não foi pago 1 centavo sequer de INSS – quando as ações trabalhistas dispararem vai ser um caos) enviaram o pobre do Reloginho (um faz-tudo e também Secretário Adjunto para Assuntos Financeiros do Guarani) ao morro da Pitimba trocar um ‘bom para’ com o chefe do tráfico. Torcedor ferrenho do Guarani, o rapaz não pensou duas vezes: afinal os cheques eram do vice-presidente, moço de bons princípios e advogado de profissão. Quem acompanha o futebol conhece o Reloginho e sabe também o final da história: Reloginho foi tomar café de canequinha na Floramar, apenas por ter ido trocar cheques-pré para o nobre objetivo de salvar o bravo Bugre. Os cheques haviam sido detectados pela polícia em mãos do benemérito.
 
Final da CPI
 
Quando o resultado da encomenda (CPI do Calçamento) chegou com o que chamaram de (denúncia vazia) o prefeito ficou à vontade para colocar nova ordem nos serviços de pavimentação e convocou os empreiteiros no pátio da prefeitura para reunião decisiva.
 
Ficou prometido que todos teriam ruas em profusão para calçar e também os que fizeram altos rolos dentro do sistema receberiam os favores. Até o Moacir Cruz foi resgatado de seu esconderijo. Entretanto ficasse claro que não seriam liberados serviços ‘para um jornalista aí! Não passar nem perto da Prefeitura será um favor que ele nos fará!’ – esbravejou ele, saindo da liturgia que deve acompanhar essa magistratura.
 
Simonides e seus sócios ficaram então de mãos livres para manobrar as coisas ao seu estilo. E foi o que fizeram.
 
Finalmente, na metade de setembro de 2011 ficou decidido que a dupla deixaria a pasta adjunta para assumir o pátio. Poucas pessoas se deram conta da estratégia. Simonides, como se sabe, é apadrinhado do prefeito.
 
Lá no pátio reclamavam muito do Dreyfuss Rabelo, titular daquela área, por um motivo simples: ele fazia a turma trabalhar. E se tem coisa que boa parte ali evita é justamente isso: o trabalho.
Mas a atitude foi tomada somente depois que as verbas para calçamento se exauriram. Como não tem mais pavimentação poliédrica, Vladimir precisava deslocar seu protegido para lugar visível. E uma boa vitrine é a chefia do pátio, com muitas máquinas e recursos onde ele poderá fazer o que mais tem feito nos dois últimos anos: bajular gente poderosa com seus bons préstimos. Dreyfuss Rabelo saiu porque, igualmente, como candidato a vereador, queria mostrar serviço. E Simonides forçou a barra para o seu (dele, Dreyffus) deslocamento. Aquilo ali é um filé que não podia ficar em outras mãos, senão que na do protegido do prefeito, o bajulador emérito, Simonides Quadros. Divinópolis perderia enormemente se o elegesse a qualquer cargo público.
 
A corrupção tem boca, mas não fala, tem olhos, e não vê
 
A Polícia Federal tem um programa ‘denúncia premiada’ em que uma anistia em grau crescente ameniza e pode até perdoar crimes de corrupção dependendo, claro, do nível de participação do indiciado. Esse é o motivo pelo qual recorrentemente aparecem filmagens de entregas de maços de dinheiro a políticos e assessores motivando escândalos nacionais. Cada um quer salvar a própria pele. Apenas os diretamente interessados e envolvidos podem produzir o milagre das imagens no momento da entrega do dinheiro garimpado pela corrupção, geralmente nas estatais e empreiteiras.
 
O jornalismo investigativo tem a capacidade de conferir a história apenas até certo ponto. Nos momentos críticos faltam-lhe os instrumentos legais para maiores averiguações. E é somente a partir do imponderável que se vê obrigado ao uso da ciência analógica para chegar a constatações.
 
a) Qual o motivo para Simonides Quadros invariavelmente entregar as obras a determinados empreiteiros, sem que houvesse uma parceria financeira entre eles? Seria o Adjunto um bom samaritano? Dono de um grandioso coração?
 
b) Por que motivo os desvios de pedras poliédricas foram sempre ignorados e saíram do controle da Secretaria de Obras?
 
c) Se as denúncias eram vazias, porque então a restrição a transportadores particulares daí em diante?
 
d) Ao dar apoio irrestrito ao seu subordinado, o prefeito não incorreria no mesmo tipo de incúria administrativa? Ou o conjunto de ações estaria visando formação de caixa de campanha?
 
f) Para Simonides e seus companheiros nunca houve estiagem nos serviços de pavimentação.
 
Quando aconteceu um pequeno intervalo, a ânsia do Adjunto em voltar ao cenário levou-o a urbanizar todo o estacionamento da sede campestre do Divinópolis Clube, – onde está presidente – o que tem gerado altas desconfianças entre os associados. O advogado Verdi Barreto, um dos diretores da saudável administração Palmério Ameno, maldiz até hoje o fato de tê-lo feito (Simonides) presidente da instituição. Este declarou na CPI que a pavimentação na sede do clube foi objeto de reunião da diretoria. Mas entre os que foram procurados ninguém soube dizer ao certo em que data, hora, e nem onde foi realizada a tal reunião. E principalmente, se houve a reunião. E não acreditem muito em atas de reuniões de clubes sociais. Quando o bicho pega elas costumam ser elaboradas rapidamente com datas retroativas.
 
No momento corre um boato de que o presidente do Divinópolis Clube estaria entregando a sede urbana da entidade para a prefeitura como pagamento de impostos atrasados. Embora se trate apenas de boato, é bom que os associados estejam de olhos abertos, porque essa turma não capina sentado não.
 
A ausência de respostas a essas perguntas é que transportam os observadores do campo magneticamente perfeito ao espaço sideral das ideias difusas. E confusão mental inspira a burla, o falsete, a lama, a perversão administrativa, a corrupção, enfim.
 
Frente de Prefeitos
Esse governo que se atribui importância maior do que realmente tem, acaba de ver seu prefeito escolhido (na verdade indicado por Anastasia) para a Frente Estadual de Prefeitos, ou coisa que o valha. Anastasia conhece a vaidade dos pavões locais: basta soprar que eles abrem a cauda. Que Dentro da metafísica política, essa Frente teria ligações com a Frente Nacional, com a Internacional, e quiçá, com a Celestial.
 
O boletim Bururu Bururu já alertava: essa Frente é coisa inventada pelo delírio político e não tem importância alguma na ordem do dia.
 
Mas a Administração usou dinheiro do contribuinte para fretar ônibus (e a Câmara outro) para que o jornalismo amestrado viajasse a Ouro Preto, com tudo pago, para assistir à façanha do chefe do Executivo: sua posse na cadeira imaginária. Teve gente que achou tão bom e inspirador, que resolveu dormir com a namorada por lá mesmo. Nada contra dormir com a namorada, mas gastando dinheiro público aí já é demais! Os dois fazendo as camas rangerem na noite ouropretana e nós aqui pagando a conta.
 
Poucos dias depois, em conversa com o diretor de uma empresa do ramo de comunicação visual, confidenciaram a este autor a confecção de duas placas para a tal posse, no valor de R$700,00. E que não haviam sido pagas, por mais que insistissem e reclamassem.
 
O último diálogo (diálogo?) entre o diretor da empresa de comunicação e o secretário da tal Frente, cujo escritório fica em Belo Horizonte é revelador:
 
– Rapaz, estou cansado de ligar para você! Uma mixaria dessas e vocês se recusam a pagar! Olha, não vou ligar mais não; vou mandar o título para cartório – indignou-se o diretor.
 
E de lá veio a resposta:
 
– Pode mandar para onde você quiser. Aqui não tem recurso algum! Nem este telefone é da Frente.  E continuou: eu sou empregado e não vou virar dinheiro para te pagar não! Manda para o cartório, ou para ou quintos dos infernos!
Este é o retrato verdadeiro da Frente Mineira de Prefeitos, que queima verbas do município para retratar o prefeito como herói e deitado em cima da carne seca.
 
Pane na comunicação
 
Os pauteiros dos variados órgãos de comunicação locais entraram em pane nos últimos dias, face o inusitado. Em plena efervescência da publicidade massiva com que Prefeitura e Copasa fazem empurrar goela abaixo dos divinopolitanos o contrato de tratamento do esgoto sanitário, (vai ser difícil  digeri-lo) sobreveio o caos. Quase metade da população de Divinópolis sem água potável. Sem investimentos, o sistema emperrou. E não havia como não noticiar, sendo mais volúveis e obsequiosos do que têm sido.
 
Resultado: como que saído de uma história em quadrinhos, TV e jornais mostravam de um lado as excelências do tratamento da água, com publicidade regiamente paga pela Copasa, ademais da ‘despoluição do rio Itapecerica’ apregoada pela prefeitura. Do outro lado a população revoltada, sem água sequer para tomar banho, fazer comida, para as necessidades básicas.
 
É como o soldado que comete um erro e castiga a si mesmo batendo com o cassetete na própria cabeça.
 
O contrato com a Copasa
 
O governo Vladimir Azevedo tem ganhado notoriedade pelo lado avesso, o da mentira recorrente. A ordem é mentir, mentir, mentir, para tudo virar verdade. São tempos de mitomania. Essa tática é do próprio comando do PSDB mineiro, que viu Aécio Neves sair amplamente vitorioso das urnas por duas vezes, falando em ‘Déficit Zero’, ‘Choque de Gestão’ quando na verdade a dívida pública de Minas Gerais (impagável, segundo o próprio Aécio) passou de R$15 bi para R$67 bi na sua gestão.
 
Na reunião realizada nas Obras Sociais do Santuário de Santo Antônio, na sexta-feira, 9 de setembro, a presidente do PV Iris Moreira fez o prefeito beijar a poeira do chão. Ele que evitava se explicar em público sobre a questão ‘Copasa’, finalmente foi pego na ratoeira montada por ele próprio.
 
Antes de mais nada o prefeito publicou (ele assegura) no jornal Minas Gerais a assinatura do documento, quando deveria fazê-lo na imprensa local. Ao evitar os zelosos meios de comunicação que cobrem suas mazelas cotidianas e pintam com tintas fortes seus feitos esquálidos, ele confessa o seu temor de desnudar-se para os contribuintes de Divinópolis, sabendo de antemão que cometera deslize e ato de traição para com a população inteira da cidade. E é bom lembrar que ele foi eleito com apenas 30% dos votos válidos, o que significa mais ou menos 15% da população do município.
 
Quando Vladimir Azevedo garante ter assinado o documento no dia 1º de Junho último em conjunto com o governador Antônio Anastasia, ele mente despudoradamente mais uma vez. Os papéis foram assinados apenas pró-forma, uma vez que se tratava de documentação preliminar – a assessoria de Vladimir Azevedo levara o calhamaço errado ao palanque do desfile de aniversário onde se encontrava o governador. O contrato oficial somente foi assinado no dia 29 de junho seguinte. Para quem acusara (na reunião do Santuário) a assessoria da vereadora Heloísa Cerri de incompetente, pegou mal, mas muito mal!
 
A população de Divinópolis tem de estar ciente e da nossa parte iremos bater na mesma tecla o maior número possível de vezes: o início da cobrança dos 75% da pena d’água como taxa de esgoto somente em março de 2013 é puro maquiavelismo desta administração, para que não seja mostrado o sacrifício da população antes que as eleições do ano que vem tenham acontecido. Ou seja, o prefeito quer reeleger-se a qualquer custo, por quaisquer meios.
 
Os capítulos deste livro estão sendo publicados em série, com postagens nos dias 15 e 30 de cada mês. A versão impressa sairá no mês de maio de 2012.
 

Reprodução do 1º capitulo na íntegra – O leitor que quiser pode acessar diretamente o endereço eletrônico em www.divipress.blogspot.com
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