Segundo o blog do jornalista Jotha Lee, houve uma Operação Abafa contra a CPI, que foi desencadeada logo no início dos trabalhos da Comissão com a nomeação de três vereadores governistas e dois de oposição, foi concluída com sucesso após a entrada em cena do PDT.
A matéria afirma que a decisão do partido em suspender o vereador Edson Sousa e conseqüentemente forçar sua saída da legenda, foi o último ato da manobra do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB), com a ajuda inestimável do amigo e vice Francisco Martins. Com a suspensão das atividades políticas de Edson Sousa através da ação do PDT, ele não pode exercer nenhuma atividade partidária, até que esteja novamente filiado, motivo pelo qual foi afastado da CPI.
O jornalista segue coma matéria dizendo que a manobra do Executivo para garantir a maioria na Câmara também fez parte da desarticulação da CPI. A nova Mesa Diretora foi eleita com a garantia de apoio ao prefeito, tendo, inclusive, três vereadores da base do deputado federal Jaime Martins (PR). Não se sabe se o deputado participou do pacto ou se os três vereadores – Pastor Paulo César (PRB), Geraldinho da Saúde e Anderson Saleme, ambos do PR – agiram por conta própria.
Jotha Lee afirma que o presidente da Câmara, Pastor Paulo César, de imediato nomeou para a vaga o vereador Edmar Rodrigues (PRTB), que também acumula o cargo de líder do prefeito na Câmara. Assim, a CPI hoje tem três vereadores declaradamente do governo e apenas Hilton Aguiar (PMDB) cujo posicionamento é sempre dúbio.
A matéria é concluída com a explicação de que diante desses fatos, a vereadora do PV, Dra. Heloisa Cerri, autora do pedido para composição da CPI, anunciou ontem sua renúncia como membro da Comissão. Em discurso no plenário da Câmara, a vereadora afirmou que viu testemunhas serem acuadas, ameaçadas e diante dos últimos acontecimentos ela deixava a CPI para não “pactuar com uma farsa”. “A decisão que tomo nesta tarde está pautada nos acontecimentos nebulosos que venho observando desde a data em que protocolei requerimento solicitando a instauração desta CPI”, disse a vereadora em seu pronunciamento. O presidente da Câmara ainda não nomeou novo vereador para a vaga de Heloisa Cerri.
Veja abaixo a íntegra do discurso da vereadora, ao anunciar sua saída da CPI do Calçamento
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“Senhor presidente,
Hoje é um dia importante em minha vida política, pois tomo uma decisão que sob meu ponto de vista é dura demais para quem cumpre o seu mandato seguindo o real manual do legislador. Desde que assumi o mandato nesta Casa, prometi a mim mesma ser fiel aos meus princípios, não me corromper pelo cargo, trabalhar em defesa do povo e, principalmente, ser uma insistente fiscalizadora da coisa pública. Desnecessário dizer, mas é sempre bom refrescar a memória, que o papel de fiscalizar cabe exclusivamente ao vereador. E assim o fiz. Tenho sido uma fiscalizadora ferrenha e o preço tem sido alto sob todos os aspectos. A ira daqueles que temem a ação de quem fiscaliza, tem caído sobre mim. Mas isso não me desanima, ao contrário, aumenta minha gana de continuar esta dura empreitada. Continua depois da publicidade Senhoras e senhores: acabo de perder uma batalha, mas a guerra está apenas começando. Anuncio neste momento, em caráter oficial e irrevogável, minha renúncia como membro da Comissão Parlamentar de Inquérito, instaurada no ano passado para investigar as denúncias de desvio de pedras, que ficou conhecida como a CPI do Calçamento. Oficializo ao Exmo. Senhor presidente desta Casa minha decisão, solicitando que seja nomeado outro vereador para o cargo. Senhor presidente, A decisão que tomo nesta tarde está pautada nos acontecimentos nebulosos que venho observando desde a data em que protocolei requerimento solicitando a instauração desta CPI. Já se notava que haveria dificuldades de se apurar a denúncia. A composição inicial já dava à Comissão uma linha favorável ao governo. O nobre colega Beto Machado, na ocasião, renunciou à indicação, alegando questões éticas, por ser o líder do Executivo. Rara atitude, colega Beto. Atitude que só fez aumentar minha admiração por V.Exa. No desenrolar das atividades, especialmente nas audiências para coleta de depoimentos, vi muito de perto como funciona o rolo compressor da máquina administrativa. Testemunhas acuadas, temerosas, alegando ameaças. Não houve vontade de se apurar nada. Não houve empenho. E os bonitos discursos que ouvimos aqui neste plenário, de pedido de agilidade na apuração, isenção, imparcialidade, nada disso é real. Tudo faz parte de um teatro dantesco, corrompido pelo corporatismo, cujo objetivo é dar ao povo a falsa impressão de que a Comissão trabalha com liberdade. A nomeação do novo líder do prefeito para a vaga deixada pelo nobre colega Edson Sousa, reduz ainda mais a força da CPI. Não questiono a honra do companheiro Edmar. Muito longe disso. O nobre vereador tornou-se uma referência para mim após a convivência que tivemos nestes dois primeiros anos de mandato. Porém, ao assumir a liderança do prefeito nesta Casa, o caro colega se comprometeu em defender os interesses do governo e, sabemos todos que os interesses do governo não são, definitivamente, os interesses da CPI. Como autora do requerimento que instituiu a Comissão, quero pedir desculpas ao povo de Divinópolis pela atitude que tomo hoje. Peço desculpas se não fui capaz, pelo menos até agora, de trazer à luz da verdade, os fatos denunciados sobre o desvio de pedras para calçamento. Não quero ser testemunha de uma farsa. Aliás, não quero pactuar-me com uma farsa. Não estou apontado o dedo para este ou aquele integrante da CPI. Não estou acusando este ou aquele membro de fazer parte de um circo. Mas há os comprometimentos e acordos políticos que prevalecem em situações como a que vivenciamos hoje. Senhoras, senhores, ilustres vereadores: Deixo a CPI, mas não deixo a investigação. Não antecipo hoje quais as medidas que tomarei a seguir, mas o povo que confiou em mim como fiscalizadora, que acreditou na moralidade dos meus atos, pode aguardar que em breve adotarei outras medidas para que todas as denúncias sejam apuradas e não reste nenhuma dúvida, nenhuma suspeita sobre os atos do governo, ou de integrantes do governo. Para finalizar, informo ao povo de Divinópolis que já protocolei o requerimento 015, solicitando toda a documentação produzida pela CPI até agora. Com esta documentação, pretendo adotar medidas que, de fato, permitirão uma apuração legítima e imparcial das denúncias”. |
Fonte: BLOG 100






