Este tipo de notícia tem sido corriqueira. A violência na escola tem aumentado consideravelmente e tem se tornado uma via de mão dupla: tanto o professor quanto o aluno são violentos e/ou violentados. Essa progressão perversa abrange todo o país e parece não ter data para acabar.
O assunto é complexo e passa pela questão social das famílias. De forma resumida, a competitividade do mercado do trabalho, fez e faz com que os pais se ausentem cada vez mais do lar e da formação primária dos valores morais e éticos dos filhos, delegando de forma equivocada, tudo para a escola.
Muitas vezes o aluno não reconhece nem a autoridade dos pais sobre suas vidas, como conseguirá reconhecer a autoridade de terceiros, que na maioria das vezes, diante dos baixos salários, não com formação pedagógica nem para ser um “simples professor”, que dirá psicologicamente para orientar um jovem problemático.
Muitos pais têm visto as escolas como uma válvula de escape para descartar seus filhos por algumas horas, e ter de quem cobrar alguma coisa, além da educação. Muitas professoras e diretoras de instituições reclamam que existem pais que nunca compareceram a uma reunião sequer para saber como está o desenvolvimento do seu filho. Mas, é só acontecer alguma coisa, e principalmente no final do ano, que lá estão eles transferindo a responsabilidade para os professores e a escola.
O professor de português de uma determinada escola Estadual, que por motivos óbvios não quis se identificar, disse que está com medo de dar nota para os seus alunos. Mas vai correr o risco e se for necessário reprovará, mas tem medo da reação não só do aluno, mas também da família. Se disse stressado e “doido” para se aposentar. Para ele é angustiante uma sala de aula em que o aluno não pode ser chamado atenção, eles olham de cara feia intimidando mesmo..
O professor por sua vez, para ter um ganho razoável, acumula várias turmas e turnos. Dão aulas de manhã, de tarde e às vezes até a noite. Outra professora pergunta: “quem agüenta uma situação desta? Que qualidade de ensino nessas condições conseguiremos passar?”.
“O Estado não valoriza e não vê porque não quer, tem outras prioridades mais politiqueiras”, afirmou um professor de matemática. “A jornada de um professor não termina na sala de aula, aliás ela nunca termina. São elaborações de prova, correções, plano de aula, etc..etc..”, disse uma professora de história.
Outra professora indignada, afirma: depois vêm esses políticos, esses governantes com um salário de fome, de morte, é porque agora morremos por uma ninharia.
Concluiu, dizendo que a partir de agora, a classe tem que ganhar também adicional de periculosidade, ficou perigoso dar aula.
![]() |







