Durante este processo são liberados mediadores químicos da inflamação, moléculas de todos os tipos envolvidas neste processo e no reparo tecidual, dentre eles a histamina, principal mediador na fase aguda, que aumenta dilatação e permeabilidade dos vasos sanguíneos. A bradicinina que produz efeito semelhante à histamina, e a prostraglandina que produz a dor. Também são liberadas trombina e fibrina, responsáveis pelo coágulo inicial. O sistema fibrinolítico contrabalanceia a cascata de coagulação clivando a fibrina.
Após ativação celular, são liberadas diversos tipos de citocinas, linfócitos, macrófagos e fibroblastos, vários tipos de VEGF (Fator de Crescimento endotélio vascular), angiogênese.
Vinte e quatro horas após o trauma inicia-se a fase de proliferação que pode durar até 21 dias ou mais. Novos capilares que vão estimular o crescimento e fornecer nutrientes ao tecido neoformado, seguindo-se a formação da neo-epiderme e a fase de fibroplasia, quando há o aparecimento do KGF – Fator de Crescimento de Keratinócito, principal célula da epiderme, e a formação de nova camada epitelial que protege da perda de líquido e bactérias. A camada que se forma nesta fase é muito frágil, tecido inicial, e pode ser facilmente destruída por abordagem inadequada.
Durante a remodelação tecidual, há o depósito do colágeno tipo III, denominado frouxo, proteína das mais importantes no reparo, responsável pela força tênsil. Apresentam-se os fibroblastos que promovem a síntese, deposição e remodelação do tecido, e miofibroblastos responsáveis pela cicatrização, que faz com que o tecido contraia (encolha).
Na fase final da cicatrização, acontece a síntese e degradação do colágeno, a remodelação tecidual. A força tênsil da cicatriz é oitenta por cento menor que do tecido original, e pode durar de 21 dias até dois anos. A síntese de colágeno continua, independente do fechamento superficial da ferida, aumentando a força tênsil da ferida.
O pós-cirúrgico em cirurgias ósseas deve ser precedido de liberação médica, observando o período de formação do calo ósseo, principalmente cirurgias de nariz, respeitando imobilização, quando o tempo mínimo de remodelamento é de oito semanas. Nestes casos, a manipulação errônea prejudica a formação do calo e a ossificação.
Cicatriz – pode ser atrófica, falta de tecido cicatricial, e hipertrófico, quando ocorre o excesso de tecido cicatricial, podendo ainda aparecer quelóide e retração. Fatores que podem influenciar negativamente na cicatrização e na deposição de colágeno são:
. Desnutrição protéico-calórica;
. Carência de oligoelementos (vitaminas);
. Hipóxia;
. Trauma;
. Acidose metabólica;
. Fármacos: Quimioterápicos, glicocorticóides, irradiação.
OBJETIVOS DO TRATAMENTO PÓS-CIRÚRGICO EM SUAS RESPECTIVAS FASES
FASE INFLAMATÓRIA: Nesta fase ainda não há deposição de colágeno. É a fase em que o organismo identifica a agressão e começa a se mobilizar para restaurá-la. Começa a formar o edema. À palpação, percebe-se o tecido solto. Nesta fase, os procedimentos do pós-cirúrgico têm como objetivo:
– Controle de inflação: compressão, crioterapia, mobilização leve e cuidadosa, observando restrições cicatriciais. Drenagem linfática manual para redução de edema e nutrição da pele, auxílio na redução da dor, devolve proteínas plasmáticas à circulação sanguínea.
FASE PROLIFERATIVA: Hora de prevenir: O colágeno começa a ser depositado e torna-se rígido, gerando fibroses e aderências. Agora é preciso mobilização tecidual efetiva para a organização do colágeno, orientando as fibras depositadas. Uso dos recursos terapêuticos: Ultra-som, fonoforese, entre outros. Os movimentos devem ser leves, aumentando a intensidade gradativamente. A única coisa que remodela o colágeno é o estiramento mantido, e a intensidade do estiramento deve ser diretamente proporcional à resistência que o tecido oferece.
FASE DE REMODELAÇÃO: É quando acontece a maturação do tecido conectivo e contratura do tecido cicatricial. Nesta fase, já não se previne a fibrose, se existir ela está instalada e necessita tratamento específico. Devemos lançar mão de recursos que promovam a reorganização do colágeno, sempre com o cuidado de não lesionar novamente o tecido, fazendo com que o processo inflamatório recomece. Os recursos nessa fase são: Ultra-som, massagem de fricção, alongamento tecidual para liberação tecidual e funcional. Durante a cicatrização é necessário orientar o paciente a consultar um nutricionista, se possível, pois ele precisa de nutrientes importantes como carboidratos, gorduras ácidos graxos e proteínas.
É necessário liberação funcional do tecido cicatricial, pois a presença deste, causa alterações posturais, circulatórias, respiratórias, incapacidades funcionais, aspecto inestético, limitações articulares e musculares.
Para prevenir disfunções, contraturas e aderências, lançamos mão da CINESIOTERAPIA, principal recurso fisioterápico. Fundamental nesta fase.
A liberação tecidual funcional mantém a mobilidade tecidual, prevenindo e tratando o tecido cicatricial especificamente. A técnica de aplicação é a manipulação sem veículos (óleo, cremes) em forma de fricção, mobilizando em todas as direções. O que dosa a intensidade do tratamento é a resistência que o tecido oferece.
Um tratamento efetivo exige uma boa comunicação entre médico e fisioterapeuta para troca de informações e sugestões, adesão do paciente ao tratamento, reavaliações periódicas e orientações ao paciente.
CONTRA INDICAÇÕES AO TRATAMENTO:
Caracteriza restrições ao tratamento somente a presença de patologia ou implantes que impeçam a aplicação dos recursos terapêuticos:
– Contra indicações à Drenagem Linfática Manual: Cardiopatia e hipertensão descompensadas (absoluta), insuficiência renal (absoluta), CA (absoluta), infecções da pele (relativa), contra indicação a critério médico.
– Eletroterapia (Ultra-som): Pacientes portadores de marca-passo, presença de CA, ou contra indicação a critério médico.
CONCLUSÃO
O tratamento pós cirúrgico garante a recuperação tecidual e funcional do paciente, livre de período inflamatório longo, fibroses, aderências, contraturas, disfunções teciduais e articulares, garantindo retorno normal às atividades de vida diária, sem limitação e dor.
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