Obesidade hoje é sinônimo de descuido, de desrespeito com o próprio corpo e até desrespeito com o seu parceiro (a) de convivência.
Não é fácil emagrecer. Ninguém está obeso porque quer, em um plano de consciência. As forças ocultas são muito mais poderosas e, por isso, requerem cuidados especiais de desbloqueios e ajudas indispensáveis para se atingir o peso normal ou ideal.
Com certeza, não é à toa que nos EUA nada menos de 97 milhões de pessoas, ou seja, 35 % da população estão acima do peso normal. Com todas as suas carências, o Brasil vai para o mesmo caminho: mais de 65 milhões de pessoas, o que representa em torno de 40 % da população, estão com excesso de peso e 10 % dos adultos são obesos.
Por isso, precisamos valorizar e respeitar a obesidade. E, muito mais ainda, precisamos respeitar as pessoas obesas. Não se pode desqualificar a obesidade, omitindo ajuda que são valorosas, principalmente na falta de outras opções.
Acho um desrespeito dizer para a pessoa obesa que para emagrecer basta comer menos e caminhar muito. Fico indignado com a infantilidade dessa forma de pensar. É como se fosse fácil demais emagrecer: “Basta comer menos e gastar mais calorias”. Como se o obeso não estivesse careca de saber disso. Como se ele fosse um imbecil que não conseguisse executar essa tarefa tão simples.
É como se dissemos para um alcoólatra que basta parar de beber que ele está curado. É lógico. É o obvio ululante. Ninguém melhor do que ele sabe ou sonha enormemente em parar de beber.
Só que ele não consegue. Ele tem um distúrbio, ele tem uma doença que o impede disso. Ele tem uma necessidade interna, voraz, muito maior do que a sua vontade, que o impede de para de beber.
Da mesma forma a obesidade. Ninguém mais almeja ardentemente emagrecer que a pessoa obesa. Só que ela não consegue. Existe um lado dela que quer muito emagrecer. Mas existe um lado que não a deixa gostar de caminhar (ou nunca ter tempo), não a deixa evitar o macarrão, a massa, a batata ou o chocolate. Ela jura que não vai comer, mas quando assusta já comeu dez bombons e entra na fossa, culpada novamente.
Precisamos, então, realmente respeitar as pessoas que têm essa dificuldade. Elas têm um distúrbio. É altamente doloroso você atender uma pessoa jovem, bonita e com trinta quilos a mais. Deprimida e triste, já não tem vontade de sair, não consegue arranjar um namorado, na escola sempre criticada com mil apelidos. Sexo ela nem consegue imaginar com um corpo desse. Sente-se rejeitada, desajeitada e feia, embora não seja nada disso. Total baixa estima.
E alguém a lhe dizer: “Você precisa parar de comer e o seu problema está resolvido”. Medicamentos você não pode usar porque podem lhe trazer efeitos colaterais e outras afirmações automáticas que lhe são ditas sem ninguém parar e perceber que essa pessoa precisa de muita ajuda.
Quer mais efeito colateral que a obesidade está lhe causando?
Os moderadores de apetite, como quais quer outros medicamentos, por mais simples que possam parecer, como uma aspirina, teoricamente podem causar efeitos colaterais. Toda ação e solução em qualquer área da vida é avaliada considerando o custo e benefício e considerando os valores das pessoas envolvidas.
Por exemplo, os quimioterápicos usados nos tratamentos dos tumores malignos causam sérios danos também às células normais, além de queda de cabelo, náuseas, vômitos etc. Mas são usados porque estamos combatendo um mal maior e, portanto, o benefício justifica o custo.
Se considerarmos que a obesidade também é um fator de risco e também a grande vilã da estética, levando a insatisfações, depressão (e até suicídios), conflitos na área afetiva e sexual, alem de aumentar o risco de várias doenças, pensamos que: se for necessário o uso de moderadores de apetite para se conseguir o emagrecimento, principalmente nos casos mais rebeldes, o benefício justifica o custo.
Indicados por médicos experientes, na maioria das vezes, não trazem efeitos colaterais importantes e nunca trazem efeitos irreversíveis, ou seja, diante de qualquer queixa é só retirar o medicamento ou associar um outro que vai tratar aquela queixa.
Portanto, na minha experiência de 15 anos, os moderadores de apetite, quando usados em doses mínimas e nos horários em que o apetite é maior, e indicados por médicos experientes, são medicamentos que podem muito ajudar as pessoas no tratamento da obesidade e na reeducação alimentar.
Entretanto, pode – se tentar um programa, é claro, sem o uso deles. Por outro lado, acho uma covardia não utilizarmos essa ajuda no combate a uma condição tão difícil de ser tratada como a obesidade






