Todo ano é assim: basta o mês de novembro chegar que cada cantinho do Brasil ganha um colorido novo. São centenas de luzes enfeitando praças, lojas, casas e shoppings. Árvores que vão das mais simples às mais sofisticadas. Papais Noéis, presépios e tantos outros adereços que embalam os sonhos no Natal.
Enquanto os adultos cuidam da ceia, do vestuário e dos presentes; as crianças, por sua vez, pensam no que vão pedir ao bom velhinho. O desejo de serem lembradas faz brotar do coração de muitas delas histórias de vida tristes, esperançosas e emocionantes. Eis que está pronta mais uma cartinha. Mas, não é uma mera correspondência. São milhares delas endereçadas ao Papai Noel. Algumas até destinadas ao Pólo Norte.
Foi ao se depararem, anualmente, com essa mágica realidade que funcionários voluntários dos Correios se juntaram e decidiram fazer com que cada pessoa que pudesse e quisesse ajudar, se tornasse um Papai Noel. O projeto, nesse formato atual, completa 20 anos e, toda a sociedade pode participar, seja na triagem, leitura ou adoção das cartinhas. “Em inúmeras cartas se pedem coisas fora do padrão, como: vídeo-games, TV’s, MP3, MP4, etc. Essas cartas devem ser desconsideradas”, conta um funcionário dos Correios que pediu para não ser identificado.
Segundo a assessoria de Responsabilidade Social dos Correios de Belo Horizonte, no último Natal, 83 mil cartas tiveram seus pedidos atendidos. Lembrando que os Correios da capital mineira receberam 93 mil cartinhas. Ou seja, 86% delas foram adotadas. Um número não muito alto diante da simplicidade dos pedidos, que em sua maioria são: roupas, brinquedos, alimentos e material escolar. “Na cartinha que minha esposa e eu adotamos, o pedido era de comida e, se possível, uma bola”, comenta o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Paracambi, Júlio Paiva Sena Maia. Mas, ao verificar a real situação da família, ele viu que podia fazer mais. E fez. “Compramos os produtos da cesta básica, adicionamos chester, pêssego, panetone, brinquedos e fomos entregar. Ao ver as crianças com seus gritos de alegria, sorrisos, mãos a rasgar os embrulhos e os olhos brilhando senti um nó na garganta”,
desabafa Júlio.
Emoção foi o que também sentiu Celeste Rodrigues ao se deparar com um pedido inusitado. Uma garotinha desejava encontrar o avô que não dava notícias há 31 anos. Ele era a única esperança de salvar a mãe da menina, que estava com leucemia. Três dias antes do Natal, Celeste realizou o um sonho que parecia impossível, proporcionando assim, o reencontro da família. “Alguns pedidos marcaram minha vida, pois não era simplesmente ir à loja e comprar o presente. Foi uma verdadeira
corrente do bem”, relembra a funcionária dos Correios do interior do Rio de Janeiro.
Quem participa do projeto diz que a emoção é ímpar. “Não há dinheiro que pague o sorriso ou até o choro de alguém ganhando algo, que para você é tão simples. Mas, para essa pessoa não”, afirma o funcionário que não quer se identificar.
A assessoria de Responsabilidade Social da capital mineira emenda. “Para quem ajuda, os Correios agradecem. Para quem pensa em ajudar, participe! E para quem escreve as cartinhas, acredite nos seus sonhos e continue escrevendo!”
Se você não apadrinhou nenhuma cartinha em 2008, leia as sábias palavras do Júlio. “Ver os olhos de uma criança brilhando como se você fosse sublime vai fazer com que você acredite outra vez no ser humano”, afirma com confiança.
Não dá para dizer com precisão se as pessoas ajudam movidas pelo espírito Natalino, pela solidariedade, afim de minimizar as desigualdades sociais ou qual o real motivo. Aliás, cada um tem o seu motivo. O fato é que não é preciso esperar mais um Natal para ser “Papai Noel”. Causas sociais, projetos que necessitam de voluntários, dentre outros, é o que não faltam. Quer saber como colaborar? Siga o exemplo de quem é “expert” no assunto. “Faço parte de um grupo que comemora o Natal todos os dias, através do amor ao próximo. Fazemos campanhas mensais de ajuda a orfanatos, creches. Mantemos esta chama viva 365 dias por ano”, ensina Celeste.
Muitos vão perguntar o que ganham com isso. E a resposta fica por conta de quem não quis ter seu nome revelado, mas que se empenha em entregar sonhos e alegrias, voluntariamente, há 3 anos. “A alegria das pessoas, o abraço, o fazer bem, tudo isso não tem preço, nem recompensa melhor”, declara.
Para os mais pessimistas que acham que não vai adiantar ajudarem, já que representam uma simples gota no oceano, Júlio é taxativo. “Sei que não posso apagar o incêndio, mas fiz minha parte!”
Para você que ainda duvida, Celeste conclui:”o bom velhinho existe dentro de cada coração. Alguns estão adormecidos. Temos que nos mobilizar a fim de acordá-los”.
Está esperando o quê? Mãos – a- obra! Agora é sua vez de fazer sua parte…podemos contar com você?!
Para se tornar um padrinho, basta se dirigir às agências das avenidas Paraná, 477, Afonso Pena, 1.270, ambas no Centro de Belo Horizonte, e Eugênio Pacelli, no Bairro Cidade Industrial, em Contagem, na Grande BH. O prazo final para retirar o pedido das crianças carentes é 18 de dezembro.
Autora: Leitora do Divinews residente em Belo Horizonte






