O espetáculo “AS HORAS PODRES” tem uma única apresentação no Teatro Municipal Usina do Gravatá na quarta-feira (04)

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[ Sobre a Antimofo Companhia de Teatro ]
 
 

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A Companhia é formada por artistas interessados no desenvolvimento da linguagem cênica no que ela representa de mais essencial: o experimentalismo. A função da Antimofo Companhia de Teatro é propor a construção de um pensamento teatral contemporâneo, com trabalhos originais, inventivos na linguagem e concentrados na investigação. É um território livre, gerado para o exercício da criação, da experimentação e da procura de soluções para a área das artes cênicas.

 

A Antimofo Companhia de Teatro é integrada por Mauro Júnior, Fernanda Borcsik e Paulo Bretas. A direção artística é de Mauro Júnior.

 

“As Horas Podres” é o segundo trabalho da Companhia. O primeiro é o Exercício Cênico “Um Prenúncio do Adeus”, a partir do conto Assez de Samuel Beckett, em repertório.

 
 

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[ Motivação ]

 
 

O que nos motiva a encenar esse espetáculo é o universo que o escritor e jornalista Jerônimo Teixeira cria em sua obra de estreia, a novela As Horas Podres. Teixeira nos revela um mundo onde os valores, sempre cultivados de maneira demagoga e hipócrita, encontram-se nestes tempos pós-modernos deteriorados e falidos. Mais do que isso, o que nos chama a atenção é seu traço estilístico, a maneira como estrutura sua novela recheada de elipses de tempo e auto-ironia. O pessimismo, a acidez e a ironia fina presentes em sua obra refletem o desconforto da pós-modernidade.

 

Jerônimo Teixeira é um escritor contemporâneo, o que lhe rende a possibilidade de retratar em sua literatura o mundo atual, sem filtros, trazendo ao leitor/espectador a capacidade de rever suas próprias atitudes no presente. A aridez presente em sua literatura é um chamado para a realidade em que vivemos. Com um sofisticado sarcasmo, que beira o tom de denúncia, este escritor compõe personagens de caráter corrompido, niilistas, com um senso de justiça alterado e com visões diferentes de mundo que se chocam ao longo da história. O tempo se destaca enquanto motor da trama, com elipses e cortes rápidos, conduzindo a narrativa de maneira vertiginosa, crescente e intensa, prendendo nossa atenção do começo ao fim. A história nos é revelada através de uma narração objetiva e cruel, durante a qual nos é desvendada os desejos mais íntimos das personagens, distorcendo a moral e mostrando a verdadeira face de cada um, porém, a verdade é, a todo tempo, questionada. É o enredo que comanda a narrativa, e não as criaturas que agem dentro dela; com isso, a trama avança por meio da apresentação sucessiva e nervosa de fatos e versões – e não do mergulho no perfil psicológico das personagens.

 
 

[ O autor ]

 
 

Escritor, crítico de literatura e editor da revista Veja. Jerônimo Teixeira nasceu em Montenegro, Rio Grande do Sul, em 1968. É mestre em Teoria Literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Além da novela As Horas Podres, é autor da coletânea de contos Pedacinho do Céu. Sua mais recente obra de ficção é Antes do Circo.

 
 

[ Sinopse ]

 
 

É numa sala escura que um tenso diálogo entre dois seres soturnos se desenrola.

 

Um adolescente é acusado de assassinar a enfermeira – que cuidava de sua mãe tetraplégica – e o próprio pai. Todas as evidências apontam para ele, que acaba por assumir o assassinato e o parricídio. Assim, procura o tio, advogado, – irmão do morto – para contar a sua versão da história e tentar se justificar, confessando que não sente orgulho pelo que fez, mas que também não tem vergonha do crime. Conforme o diálogo entre ambos vai avançando noite adentro, conflitos, mentiras e segredos de família vão sendo revelados.

 

Cheiro pútrido moral e atmosférico nauseantes, escuridão e cegueira cercam as personagens desta história.

 
 

[ Sobre a adaptação ]

 
Na adaptação do livro As Horas Podres para o palco, a personagem do adolescente que mata o próprio pai é deslocado para o futuro. O adolescente parricida, que em nossa versão torna-se, no futuro, um escritor fracassado, nos narra suas memórias, difusas, alucinógenas e amargas. A partir daí seu passado vai se materializando em cena como um quebra-cabeça, com elipses de tempo e sem linearidade.
 

“As Horas Podres” é uma trama feita de segredos, mentiras e vingança. Fragmentos difusos, cacos de memórias são colados por um escritor fracassado que revisita seu passado sombrio e uma densa história nos é desvendada. Como confiar na memória sendo que essa mesma se torna alucinógena? Como contar uma história recheada de falhas de memória? O que reverbera em cena são as verdades ou mentiras que são manipuladas conforme as peças desse “quebra-cabeça da memória” desse escritor confuso e plagiário, que no passado cometeu dois assassinatos brutais. Ao rememorar os fatos, ele ainda é capaz de pausar suas lembranças e de traçar comentários de quem escreve sobre sua própria história. Enquanto seus comentários ácidos são narrados, revivemos suas memórias materializadas no palco, não sabendo se são verdadeiras ou ainda se são frutos de sua alucinação.

 
 

[ A palavra do autor ]

 

“Estância Velha existe. Morei lá, em um período remoto, mas decisivo da minha vida. A cidade, suas poucas e feias igrejas, seus curtumes, sua poluição, seus crimes, as vítimas desses crimes – o homem que teve os olhos arrancados – ainda estarão lá, a cerca de 40 quilômetros de Porto Alegre. Escrevi As Horas Podres para Estância Velha. E, no entanto, o livro encontrou seu caminho até Ouro Preto, onde uma dupla de atores corajosos e um diretor idem resolveram levá-lo ao palco (não perguntei, mas posso supor com segurança que nenhum deles jamais pisou em Estância Velha). Eu consigo ouvir a cidade da minha adolescência nesse diálogo tenso, cheio de arestas, de subentendidos, de dúvidas – sobretudo, de mentiras. Me sinto realizado, como autor, ao constatar que não é preciso saber de Estância Velha, da poluição e dos crimes de Estância Velha, ou da minha adolescência em Estância Velha, para que esse diálogo alcance seu efeito. Para todos os efeitos, Estância Velha não existe. Pois aqui estão as mesmas criaturas, em outro palco, a mais de mil quilômetros de distância, e respiram (mal), falam, brigam, enlouquecem. Quero acreditar que, quando tio e sobrinho falam, ouvimos sobre a poluição, os crimes, a adolescência de qualquer cidade, de todas as cidades – desta cidade. Talvez porque no escuro tenhamos a ilusão de ouvir melhor.”

 

Jerônimo Teixeira

 
 

[ O espetáculo, pelo diretor Mauro Júnior ]

 
“Foi preciso coragem! Poderia ter feito de mil maneiras, talvez maneiras que já havia exercido em outros trabalhos, mas o caminho que escolhi trilhar era o qual eu mais temia! Minha pretensão foi conceber uma encenação minimalista, árida, crua. Uma encenação que privilegiasse contornos sensoriais, de atmosferas sombrias, austeras, agressivas. Há doze meses, parecia-me bastante arriscado o que pretendia! Porém, desde a primeira leitura do livro até a mais recente conversa que tive com o seu autor, a mesma sensação permaneceu, que o caminho escolhido e percorrido foi o mais acertado. A premissa era de neutralizar qualquer ideia que soasse excessiva para esta montagem. A conclusão, o resultado alcançado – espero – é de um espetáculo centrado na alquimia de um bom texto, no trabalho dos atores e de uma direção que norteia a qualidade da superposição/simultaneidade de signos para a materialização de conceitos, ideias e desejos do processo intelectual/artístico e da prática dos ensaios. Para tanto, concentrei-me na adaptação do livro para a linguagem cênica, na palavra, no exaustivo trabalho com os atores, no desenho das marcações – rigorosamente vetorizadas, no espaço, nas luzes e sombras. Tudo para ser mais que um deslumbre estético, para ser também uma via narrativa onde pudéssemos sustentar a comunicação com o público. Concomitantemente, conforme a concepção espacial, as marcas e o plano de luz iam sendo traçados, íamos delineando as personagens, revirando as variáveis de atuação, desde as nuances das falas ao tônus dos corpos destes dois seres soturnos que foram presenteados aos dois atores. Personagens assim são presentes que demoramos desembrulhar pela dificuldade do laço feito pelo seu autor, o escritor e jornalista Jerônimo Teixeira. Jerônimo cria duas personagens sólidas e complexas que vão desenterrando segredos, revelando verdades, sustentando mentiras e, de maneira ácida, ambos exercem a habilidade humana do erro, do exercício diário de aperfeiçoamento da condição humana. De minha parte, tento exercer minha condição de criador/contador de histórias.
Tirar o véu da surpresa e trazer aos olhos do público este trabalho é um grande prazer! Faço com suor que mina do longo processo de sua construção, com alegria em meus lábios e com água em meus olhos. Agradeço a Fernanda Borcsik e a Paulo Bretas pela parceria no trabalho e na vida. Ao Jerônimo Teixeira pela total confiança.”
 
 

[ Ficha Técnica ]

 
 

da obra homônima deJerônimo Teixeira

 

adaptação, direção, direção de arte, cenografia, iluminação, figurino, visagismo, trilha sonora pesquisada

 

Mauro Júnior

 

atuação

 

Fernanda Borcsik e Paulo Bretas

 

assessoria artística

 

Wilson Oliveira

 

vozes em off

 

Renato Modesto e Ione Prado

 
 

edição de áudio

 

Sérgio Luiz Drodowsky e Chico Almeida

 
 

projeto gráfico

 

Thiago Campos Borges e Mauro Júnior

 

fotos

 

Ronald Peret

 

 

 

produção

 

Antimofo Companhia de Teatro

 
 

[ Serviço ]

 
 

Espetáculo “As Horas Podres”

 

Da obra homônima de Jerônimo Teixeira

 

Adaptação e direção de Mauro Júnior

 

Com Fernanda Borcsik e Paulo Bretas

 

Duração: 60 minutos

 

Quando:04 de novembro (quarta-feira), às 20h– Não será permitida a entrada após o início do espetáculo
Onde: Teatro Municipal Usina do Gravatá – Divinópolis/MG
Endereço: Vereda Waldemar Rausch, 213, Bairro Santa Clara

 

Quanto: Entrada Franca – Retirar convites com 1 hora de antecedência
Classificação etária: Não indicado a menores de 16 anos – Incitação à violência

 

Informações: (31) 9301-1732

 

ou pelo Blog Oficial do espetáculo:

 

http://ashoraspodres.wordpress.com

 

[ Sobre os integrantes da

 

Antimofo Companhia de Teatro ]

 
 
 
 

Mauro Júnior

 

Bacharel em Artes Cênicas com Habilitação em Direção Teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP, além de pesquisador, ator, iluminador e diretor de arte.

 
 
 
 

Fernanda Borcsik

 

Bacharel em Artes Cênicas com Habilitação em Interpretação Teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Atriz formada pelo Teatro Escola Macunaíma de São Paulo. 

 
 
 
 

Paulo Bretas

 

Bacharel em Artes Cênicas com Habilitação em Interpretação Teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP.

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