Sob o comando do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que cooptou os votos de cinco diretores da instituição – todos, funcionários de carreira -, o Comitê de Política Monetária (Copom) contrariou as expectativas do mercado e cortou ontem a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, de 10,25% para 9,25% ao ano.
A decisão, considerada surpreendente até pelo presidente Lula, atendeu, pela primeira vez, ao pleito dos empresários, que suspenderam os investimentos produtivos, ressabiados com a recessão que tomou conta do país.
Mais do que isso: tornou-se um marco. Pela primeira vez, desde 1986, quando a taxa Selic foi criada, os juros básicos da economia ficaram em um dígito. Se levadas em conta as taxas de mercado, desde 1974, quando o Brasil estava sob o comando dos militares e vivia o “milagre econômico”, não há registro de juros abaixo de 10%.
O gesto de ousadia do BC veio, porém, acompanhado de um aviso: não há mais garantia de reduções na Selic daqui por diante.





