Na reunião ordinária da tarde desta terça-feira (14), não houve projetos aptos a serem votados o que deixou tempo livre para os vereadores se deleitassem na fala para criticar, elogiar (a famosa “rasgação de seda”) ou somente repetir o assunto que um dos tribunos apresentou sobre a falta de infra-estrutura da zona rural. Quase todos discorreram sobre o assunto com aparente propriedade, mas poucos fizeram mais que chover no molhado.
O tribuno que levantou o assunto com tal repercussão foi Francisco da Silva Lima que abordou a situação precária da zona rural a falta de escolas, que em alguns lugares tem sua estrutura transformada em espaço para criação de animais. Vários exemplos de descaso foram citados como Mata dos
![]() tribuno Francisco da Silva Lima |
Coqueiros, Córrego do Paiol e Costas.
Lima afirmou fazer o papel de quem não tem condições de chegar até a Câmara para reclamar, seja por falta de conhecimento, ou possibilidade de transporte “sou um suspiro de quem não pode vir suspirar” disse ele. Ao final citou Benjamin Franklin, ex-presidente dos Estados Unidos, “Se as cidades forem destruídas e os campos conservados, as cidades ressurgirão; mas, se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão”
Já o tribuno Luiz Vitor de Meireles falou sobre o Passe Livre, saúde pública, obras do PAC e problemas do Bairro Terra Azul, mas o que chamou mais atenção na fala de Luizinho, também conhecido como deputado, foi a reclamação de que o vereador Adair Otaviano (PMDB) estaria indo aos bairros para acompanhar as obras do PAC e estava tirando fotos, “agora que as ruas estão arrumadas você vai lá, para quê se o vereador num faz obra” questionou. No entanto, contraditoriamente, pediu aos parlamentares que o PAC fosse vigiado “o asfalto pra nós vai ser só na segunda etapa num tem dinheiro pra fazer tudo não com o tanto de dinheiro que entrou na época de Demétrius”.
Pronunciamento dos vereadores
Adair, por ter sido citado pelo último tribuno, foi o primeiro a se pronunciar. O parlamentar confirmou que a revitalização da zona rural é um tema importante e quem mora nesses lugares passa por dificuldades para se deslocar. Também falou sobre os gastos com transporte das regiões que tiveram as escolas fechadas e os alunos transferidos para Buritis e Ferrador. Mas, foi em responder a provocação do tribuno, que se deteve, realmente, “Quando o Senhor nos vê nas ruas fotografando estou somente fazendo o trabalho de fiscalizar como as obras estão sendo realizadas e que serão pagas por 20 anos”.
O vereador ainda explicou que o dinheiro para as obras do PAC deriva de um financiamento feito pelo ex-prefeito, atitude que ele considera corajosa, de R$ 43 milhões e 700 mil e que foi aprovado pela casa legislativa. “Se nós vamos gastar 20 anos para pagar esse dinheiro, ele terá que ser bem fiscalizado”, rebate. De acordo com o peemedebista, no bairro Nova Holanda, estavam trocando a rede de esgoto utilizando canos de PVC, material não adequado. A partir da fiscalização que permitiu constatar o engano ele teria direcionado a reclamação ao setor competente da prefeitura que fez a troca pelo material correto.
Adair ainda falou do projeto CM 042-2009, lido, ontem (14), no expediente da casa, que dispõe sobre a obrigatoriedade de divulgação das fotos do prefeito, vice-prefeito e vereadores em instituições públicas. De acordo com ele, a intenção é fazer com que o povo conheça seus representantes. Ainda exemplificou que no Uai tem a foto do Governador e criticou uma reportagem que publicou opinião de bacharéis em direito sobre o projeto, sendo que este ainda aguarda o parecer da procuradoria.
Anderson Saleme (PR) elogiou a iniciativa do projeto e criticou o profissional que emitiu a opinião. Elogiou também a postura de Adair “você é um vereador que entra em valas”, falou referindo-se a fiscalização do vereador quanto às obras do PAC.
A postura de Adair ainda desencadeou um desabafo de Anderson Saleme “a câmara não é supermercado e nem material de construção, mas se não doamos ficamos como os maus”. O parlamentar explicou que seu gabinete sempre atenderá o povo com atenção, mas que o vereador não pode ficar refém dessas situações “não podemos aceitar críticas para destruir”, também apoiando o colega Adair. Ainda completou que o vereador deve fazer o trabalho que lhe cabe e sugeriu que o horário da reunião fosse noturno para que o povo pudesse acompanhar.
Beto Machado (PSDB) fez coro com o tribuno, dizendo que as zonas rurais estão sucateadas por desinteresse de alguns governos anteriores. Ele disse já ter chegado a constatar que a mesma sala de aula, nesses lugares, era dividida com alunos de primeira e quarta serie, tendo somente um professor. Ainda garantiu que o prefeito Vladimir tem a consciência de que é importante investir no produtor rural e que já no inicio do mandato fechou parceria com a Rural Minas para a revitalização dos principais trechos de zona rural.
Waldemar da Pamer (PMDB) reclamou novamente sobre os perigos da dengue e da falta de equipamentos para seu diagnóstico. Em resposta, o presidente da casa, Edmar Rodrigues, mandou que a comissão de saúde envie um anti-projeto ao executivo para a realização do exame de plaquetas no Município.
Edson Sousa (PDT) voltou às magoas de a comissão de saúde não ter sido convidada para discutir a questão do hospital público na ocasião da vinda do secretário estadual de saúde e também apresentou um requerimento para que seja feita uma reunião com os cidadãos para discutir a destinação do hospital. Ainda anunciou que na próxima reunião ordinária, na quinta-feira (16), falará sobre os cem dias de governo “não se preocupem que será cem com c e não com s”, garantiu.
Rodson do Zé Milton (PSDB) se pronunciou quanto ao pedido de nova reunião para se discutir a destinação do hospital público, dizendo que a saúde não pode esperar e que as picuinhas não podem atrapalhar o desenvolvimento da área porque muitos sofrem nas filas dos Pronto-Socorros e hospitais “todas as forças políticas devem se reunir por esse propósito”, aconselhou. Ainda alertou para o risco de a delonga nas discussões ocasionar a perda da vinda do hospital.







