Entrevista com Afonso Gonzaga

Publicado por: suporte

Afonso Gonzaga é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Centro Oeste, preside ainda o Sindicato das Indústrias de Fundição no Estado de Minas Gerais (Sigumg) e participa da diretoria da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Divinópolis (ACID) desde o ano de 1995. O empresário conversou com a redação do Divinews a respeito do momento pelo qual passa a exportação mineira, comentou ainda sobre a crise econômica internacional e sobre sua provável candidatura a deputado estadual nas próximas eleições.

Gonzaga diz que a percepção empresarial que tem do centro-oeste de Minas é que se trata de uma região extremamente rica, com uma diversidade de segmentos produtivos muito grande e que, fazendo um acompanhamento mensal do seu desempenho, percebe-se que é a região que mais cresceu no estado de Minas Gerais. O que teria possibilitado tal crescimento, segundo ele, foram as parcerias com os governos federal, estadual e municipais, em que todos somam esforços e “as vaidades são deixadas de lado”.

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DN: Como estão as exportações na região centro-oeste?

AG: Para se falar sobre esse assunto é importante citar alguns números que apontam que realmente a região está vocacionada à exportação. Em 2002, nós tivemos uma exportação próxima de U$ 190 milhões somando os diversos segmentos. De 2002 a 2008 saímos de U$ 190 milhões para U$ 1 bilhão e 140 milhões, sendo o setor metalúrgico o principal responsável por isso.

DN: Qual é a importância do setor metalúrgico nesse valor?

AG: Um total de 90% desse valor corresponde ao setor metalúrgico (fabricação de aços planos e não planos, ferro gusa e de fundição). Em comparação ao Estado, nossa região cresceu superiormente, principalmente no setor de ferro gusa, o que nos coloca hoje como o segundo maior pólo produtor de ferro gusa do Brasil. Minas ocupa o primeiro lugar no ranking de produção, e a região centro-oeste é o segundo maior produtor de Minas, perdendo somente para o Município de Sete Lagoas. O ferro gusa teve uma valorização, trata-se de uma comodite, um produto com uma valorização internacional. Saímos de um preço de exportação na ordem de U$ 340 a tonelada para U$ 780.

O empresário reconhece que a indústria mineira vem mostrando um crescimento acima da média desde 1999, numa recuperação extremamente importante. Ao tocar no assunto do ganho real do trabalhador, Afonso explica que grande parte desses resultados foi investida em tecnologia, o que permitiu o posicionamento da região como segundo maior pólo produtor de ferro gusa. Apesar disso, reconhece que para que a economia funcione bem é necessário que exista um equilíbrio entre trabalhador, comércio, indústria e governo “O processo normal da sustentabilidade da indústria é uma cadeia da qual não se pode fugir, que é a capacidade do trabalhador em comprar, a capacidade do comércio em vender e da indústria em fabricar e conseqüentemente a capacidade do governo em arrecadar. É uma seqüência que não pode ser quebrada, porque se uma dessas partes encontrar dificuldade, outras vão perder.”

DN: Qual o peso da crise na exportação

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AG: “Bom, a recuperação de mercado é muito mais lenta do que a conquista de mercado, principalmente quando se trata de mercado internacional. Eu acredito que nesses próximos seis meses nós teremos ainda uma dificuldade muito grande com o mercado internacional, até porque os Estados Unidos é o país com maior capacidade compradora e eles realmente não estão comprando nada. Em conseqüência da crise financeira, muito mais uma crise de confiança financeira, os negócios se tornam mais difíceis. Acredito que a diminuição do crédito nos bancos internacionais provoque uma estabilização ou um recuo na possibilidade de compra. Nós torcermos para que as coisas comecem a caminhar e que, principalmente, os segmentos nas áreas de siderurgias, metalurgias, mineração e maquina pesada comecem a se estruturar e a fazer negócio.

DN: O motivo dos reflexos da crise na exportação não seria pela pouca diversificação do mercado comprador que se concentrou muito nos Estados Unidos?

AG: A diversificação é um trabalho que o Governo Federal tem feito com muita competência. Para se ter uma idéia, quando o Governo Lula iniciou, o Brasil tinha nos Estados Unidos uma competência compradora na ordem de 32%, ou seja, um volume muito alto. No, no final do ano de 2008 nós já estávamos exportando para os Estados Unidos só em torno de 14%. Isso mostra que novos mercados foram conquistados. A Federação das Indústrias tem uma participação extremamente importante nisso porque é muito difícil sair do Brasil com um grupo de empresários e oferecer o seu produto lá fora. Nós temos um projeto dentro da Federação, do qual eu faço parte, em que tive a oportunidade, ao longo desses últimos 4 anos, de conhecer 32 países. Fiz parte de missões onde estávamos oferecendo nossos produtos, mas também estávamos levando compradores. Quando se trata de MERCOSUL, principalmente, você é muito melhor visto nos países em que se está propondo negócios quando se mostra que queremos vender, mas também queremos comprar, porque se cria um elo muito grande. Começamos um namoro comercial muito grande com Chile, Uruguai, Argentina, Itália. Hoje a composição dos clientes do Brasil é muito mais diversificada.

Gonzaga explica ainda que no setor metalúrgico a concentração do mercado comprador em poucos países é normal porque se trata de contratos vultosos. Ele afirma que isso gera uma preocupação, uma vez que são valores altos apostados em poucos compradores. No entanto, o empresário afirma que o setor confeccionista, por exemplo, apesar da pequena participação na exportação, é diferente, há uma diversidade em termos de contratos e países compradores.

Afonso Gonzaga diz que a crise é uma oportunidade de rever conceitos e as dificuldades pelas quais passam as indústrias na parte tributária. O empresário acredita que a carga dos tributos impede que o trabalhador tenha um ganho real, “é hora de repensar de conversar com as partes interessadas, capital e trabalho unidos com o objetivo de formatar um novo modelo de gestão, uma nova concepção comercial para que o desenvolvimento prossiga e agente consiga em pouco espaço de tempo um menor impacto para que as pessoas sofram menos com essa perda de posse de trabalho e conseqüentemente da capacidade de compra”, enfatiza.

DN: E qual a atitude deve ser tomada para se manter o mercado aquecido?

AG: É uma pergunta difícil até porque trata-se de uma situação internacional. Quando enxergamos, ou nos deparamos com uma situação internacional que nos traz essa dificuldade, vale a pena pensar que o Brasil é um país campeão em crises e eu acredito e tenho a certeza, que essa vai ser mais uma, apesar da dimensão dela ser um pouco maior. A capacidade compradora do país é limitada em conseqüência de nós estarmos buscando um ganho real para o trabalhador. Temos um exemplo fantástico do plano cruzado quando no Brasil faltou boi no pasto, faltou geladeira, fogão, televisão porque o Brasil não estava preparado para produzir e abastecer o nosso próprio mercado. Eu acredito que se nós estivermos trabalhando junto com o Governo Federal para essa desoneração da folha de pagamento para que possamos dar, em termos de ganho real para o trabalhador, na ordem de uns 2%, que não considero alto, estaríamos dando condição ao trabalhador de comprar e as coisas se movimentarem, para que houvesse uma sintonia em termos de desenvolvimento.

DN: Você concorda com as medias tomadas pelo governo estadual e federal

AG: Temos algumas críticas como, por exemplo, a liberação de recursos financeiros para o setor automobilístico. O resultado na ponta do lápis será muito pequeno, acho que se estivéssemos trabalhando linhas de créditos com uma carência maior para a compra de matéria prima, daria um fôlego às empresas para trabalharem mesmo que fosse para estocar, mas daria a oportunidade de manter a empregabilidade e o resultado seria maior. Os investimentos feitos pelo governo brasileiro encima de liberação de verbas para esses segmentos maiores não vão surtir um efeito imediato, até porque 82% da geração de empregos estão focados nas micro e pequenas empresas. Eu acho que esse olhar diferenciado para a micro-empresa seria de extrema importância e acredito que isso nos daria uma oportunidade, ou um tempo maior, para que pudéssemos rever os planejamentos e conseqüentemente entrar nos trilhos do crescimento.

DN: À frente da FIEMG, Sifumg e ACID Afonso como é a relação das instituições com o Governo Municipal?

AG: Eu enxergo o início do governo Vladimir Azevedo com muita ansiedade para que as coisas realmente aconteçam. Eu acredito que ele fará um governo compartilhado, onde as instituições administrativas e empresariais serão ouvidas, participando, buscando de comum acordo ações que nos dêem a oportunidade de sairmos na frente com uma gestão transparente e eficaz. Eu tenho divulgado e mostrando que a unidade das pessoas e das entidades nos proporciona momentos diferentes.

Afonso afirma que ACID e sindicatos e a CDL são de grande importância, pois o comércio de Divinópolis representa 25% do PIB da cidade. Por isso, ele aponta políticas que podem ser adotadas pelo governo “procurar fazer com que a política de turismo de negócios seja eficaz, proporcionando um atendimento competente para aqueles que aportam em Divinópolis para comprar nossos produtos, temos ai um público flutuante na ordem de 30 mil pessoas que saem das outras cidades para comprar em Divinópolis. São ações de suma importância. Tenho certeza de que a gestão pública municipal, tanto o Executivo quanto o Legislativo, serão de suma importância para que as coisas dêem certo, que as vaidades sejam realmente deixadas de lado e que a unidade de pessoas e instituições continue crescendo e proporcionando o desenvolvimento que é a base de todo negócio”, acredita.

Com tantas soluções e uma visão tão clara sobre políticas públicas não poderíamos deixar de perguntar ao cidadão honorário de Divinópolis e Pará de Minas:

DN: O senhor irá concorrer a deputado estadual?

AG: Muitas pessoas, principalmente os amigos, têm comentado dessa possibilidade de eu buscar uma oportunidade junto ao poder político, ou seja, buscar uma representação de Divinópolis e região na Assembléia Legislativa. Afirmo com extrema certeza que esse não é meu objetivo, não é um projeto do Afonso Gonzaga, pode ser um projeto de uma conseqüência de ações que num determinado momento alguém me proporcione isso. Ser um representante num legislativo de Minas Gerais é uma posição extremamente importante, mas eu diria que tenho outros projetos junto à Federação das Indústrias, junto às instituições da cidade que são prioridade.

Afonso afirma ainda que no momento certo as lideranças políticas de Divinópolis estarão discutindo quais as pessoas terão a oportunidade de pleitear e usarão do bom sendo para que se possa fazer o maior e o melhor número possível de representantes. “Divinópolis detém um número aproximado de 900 mil eleitores, então temos condição de fazer mais deputados. Que as pessoas façam uma avaliação nesse contexto, para que quem se dispuser a pleitear esse cargo, esteja disputando com o objetivo do bem maior da cidade e da região, isso é importante para o desenvolvimento do estado de Minas Gerais. Que não pensem no bem próprio” conclui.

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