Os 23 professores que foram demitidos pela Faculdade Pitágoras Campus Divinópolis no final do último ano letivo, através do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro) afirmam que vão entrar com pelo menos duas ações judiciais contra a instituição de ensino. Em ofício enviado à redação do Divinews o Sindicato afirma que os professores estão indignados com as justificativas da direção da universidade, as quais levantam suspeitas sobre a conduta e capacidade dos mesmos.
De acordo com Adelmo Rodrigues Oliveira, diretor do Sinpro Regional Divinópolis, a primeira ação será de cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho, que, por sua vez, prevê que não pode haver professores em uma mesma instituição de ensino exercendo as mesmas funções com salários diferentes. Essa ação, segundo o diretor, não trará benefícios para os profissionais demitidos, mas sim para os novos contratados, que, segundo ele, não poderão ter remuneração inferior. “Ele demitiu professores com salários mais elevados para contratar profissionais que a hora/aula é mais barata, mas isso fere a Convenção Coletiva”, afirma.
A ação de cumprimento é movida pelo próprio Sindicato, mas os professores que foram desligados de suas funções pretendem ajuizar ações individuais contra a Faculdade Pitágoras por danos morais. De acordo com Adelmo Rodrigues, os professores se consideram prejudicados com a divulgação de que foram demitidos por suposta incompetência. “O que ele afirmou traz conseqüências diretas para a vida dos professores, que terão que procurar emprego em outras instituições de ensino”, justifica. O diretor contou que o Sindicato e os professores estão avaliando se ação por danos morais será movida individualmente ou plúrima, ou seja, com os profissionais em conjunto.
Ainda de acordo com Adelmo a afirmativa do diretor da Universidade Pitágoras, Cláudio Oliveira, que diz que a causa das demissões dos professores da instituição foi inadequação pedagógica, falta de responsabilidade com o horário de início e término das aulas, é infundada. O diretor garante que a primeira informação que foi passada aos professores é que o motivo da demissão em massa seria econômico. “Temos evidências que a motivação foi financeira. O coordenador de um curso falou isso abertamente para um grupo de professores de seu curso”, revela o diretor do Sinpro e completa: “Todas as “faixas salariais” demitidas são de valores bem maiores que os salários pagos aos professores recém contratados”, garante.
Adelmo critica ainda a postura, segundo ele, “coerente com a lógica mercantilista que domina o ensino privado no país”, de sobrepor a lucratividade à educação. O diretor afirma também que a implantação de uma “metodologia única de ensino” em todas as escolas da rede, não leva em consideração as especificidades regionais e desconsidera o significado da FADOM como parte da história de Divinópolis.





