Foi uma longa conversa, não? São esses ruídos entre Minas e São Paulo?
São sempre prazerosas as conversas com o meu presidente Sérgio Guerra, hoje acompanhado do secretário-geral do partido, deputado mineiro Rodrigo de Castro. Na verdade, fizemos uma avaliação mais geral, não apenas das questões tucanas, mas também das questões nacionais. Falamos de crise, obviamente falamos um pouco também dessa grande expectativa que vive o mundo com a posse de Obama e as sua conseqüência real na economia, inclusive na brasileira, e obviamente falamos um pouco das nossas questões partidárias. O senador Sérgio Guerra tem tido uma posição de absoluto equilíbrio, portanto, uma posição absolutamente irretocável na condução do partido e obviamente estendemos a nossa conversa também em relação ao que vai ocorrer no Congresso Nacional em relação às duas mesas. Uma conversa, na verdade, de atualização. O senador Sérgio Guerra é, além de tudo, um dos mais bem informados homens públicos do país. Uma conversa, como várias outras que tivemos, sem uma pauta definida, sem um objetivo fatal, mas uma conversa sempre esclarecedora e sempre positiva para que o PSDB continue avançando no caminho da unidade, que é o instrumento mais vigoroso, mais poderoso que nós temos para o sucesso em eleições futuras.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem falado muito sobre essa sucessão, o encaminhamento, e tem se colocado um pouco favorável a José Serra. Agora essa aproximação de Alckmin com José Serra. Qual é a posição do senhor neste momento?
O partido inteiro não tem candidato à Presidência da República. Nós já dissemos isso dezenas de vezes. Evidentemente que certas pessoas do partido podem preferir um candidato ou outro candidato ou potenciais candidatos, mas o PSDB não cuidou de eleição de presidente da República, não tem preferência neste momento. Temos a convicção de que podemos ganhar a eleição com Aécio Neves ou com José Serra.
E essa união do Serra com o Alckmin?
É um episódio claramente paulista, do PSDB de São Paulo. Nós não interferimos nele. Não tem nada a ver com a questão do PSDB nacional. São correligionários do mesmo partido, do mesmo Estado e que têm projetos para o futuro, entre outros, o da própria eleição estadual em São Paulo.
Mas não provocou uma fissura na intenção da candidatura do governador de Minas, Aécio Neves?
Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Vigorosamente, nada a ver uma coisa com a outra. A aliança que Aécio construiu aqui e a predominância que ele tem, do ponto de vista popular no Estado, a idéia de união por Minas Gerais, é uma idéia mineira, propriamente mineira, exclusivamente mineira, e o Brasil tem que considerar esse fato concreto.
Mas a imprensa nacional inteira como uma tentativa de isolar o governador Aécio Neves.
Não há nenhuma tentativa de isolar ninguém, muito menos o governador de Minas Gerais que não depende disso. É uma tentativa, uma tentativa não, uma ação unificadora do PSDB de São Paulo que é muito importante para o PSDB no geral e no PSDB geral estão também, e com grande importância situados, aqueles que representam o PSDB de Minas Gerais. É uma coisa de São Paulo, própria de São Paulo, administrativa de São Paulo, e evidentemente política porque é uma coisa entre políticos, mas não tem nada a ver com Aécio.
O senhor está costurando com os democratas também?
O Democratas cuida dele. Nós do PSDB cuidamos do PSDB. No PSDB, nós vamos escolher um candidato à Presidência da República, que poderá ser Aécio Neves, José Serra ou ainda outro candidato se for o caso para disputar a eleição e ganhar. Com o DEM, o que desejamos ter, cultivamos para ter, trabalhamos sempre na direção de ter é uma aliança sólida porque é um partido que nós respeitamos, estimamos e cultivamos, mas a decisão sobre qual deve ser o candidato do PSDB e sobre qual a preferência do PSDB é um assunto do PSDB. Não é um assunto de nenhum outro partido. Por mais próximo que seja de nós o DEM, não é do DEM essa tarefa e o DEM sabe disso. Eu conheço dezenas de pessoas do DEM que são pessoas que tem absoluta, total e completa ligação com o governador de Minas Gerais. O presidente do DEM já me disse, muitas vezes, que a questão da escolha do candidato do PSDB é do PSDB e o DEM tenderá, desejará e fará conosco uma aliança em torno do candidato que nós tivermos. Essa é a verdade do DEM. Não há outra.
Preocupa o senhor que esta união dos paulistas do PSDB, de certa forma, contribua para que o governador de Minas acabe aceitando algum dos convites que ele tem para sair do PSDB?
Não, a união dos paulistas tem tanto a ver para o PSDB e para o José Serra quanto tem a ver para o PSDB e para os mineiros a união dos mineiros. Não tem nada ver uma coisa com a outra. Serra faz política em São Paulo, Aécio faz política aqui, em Minas Gerais.
Mas o senhor não pode negar que os paulistas estão articulados sim, porque sabem que o governador Aécio Neves tem chance e está projetando o estado no país inteiro. O senhor não acha que isso está acontecendo?
Boa pergunta. Acho que os paulistas estão articulados da mesma maneira que os mineiros estão articulados. E o PSDB todo estará articulado para votar ou em Aécio Neves ou em José Serra. Um dos dois.
Através de prévia ou como?
Haverá duas alternativas. Uma, a primeira, de entendimento entre nossos potenciais candidatos. Segundo, na falta desse entendimento, uma prévia aberta, aceita, tranqüila, de todos nós para escolha de um candidato.
Há um prazo para isso?
Claro, terá que ser no segundo semestre.
A impressão que se tem é que o clima está muito tenso entre o governador Aécio Neves, José Serra e aliados. O clima está tenso? E como o senhor vai trabalhar para que evitar que chegue num ponto de racha?
Sem nenhuma absoluta falta de convicção e sinceridade. Esse clima não é tenso, o governador Aécio Neves não é tenso, não está tenso, nem foi tenso em momento nenhum. O governador José Serra está empreendendo uma obra fundamental no estado dele, inclusive política. O que nós estamos mesmo é preocupados com a nossa unidade, primeiro, e com o Brasil também, que é relevante nesse momento. Como vamos atravessar esse momento que é grave, importante e precisa da nossa unidade e a unidade dos brasileiros inteiro. Não há essa questão de clima, não há essa questão de confronto, 90% disso é total fantasia. Evidente que poderá haver uma disputa, poderá haver até uma disputa em primárias, mas isso é da democracia, a gente acha isso normal, absolutamente normal. Nós não temos nada contra a prévia, achamos elas absolutamente corretas, precisamos delas se houver dois candidatos. Se não houver dois candidatos, a gente não vai fazer prévias.
Data do agendamento da reunião.
Não. Eu marquei com o governador Aécio vir aqui já faz bastante tempo. Não foi agora.
Coincidentemente foi um dia depois.
Não, mas foi marcada anteriormente.
O senhor teme que o governador deixe o PSDB?
Não, não temo isso não. Não tem PSDB forte sem Aécio Neves. Deixa eu te explicar uma coisa: os eleitorados de Minas Gerais e de São Paulo são decisivos para o PSDB, para qualquer partido brasileiro. O que nós queremos, desejamos e cultivamos é que a ação desses eleitorados seja compatível e que a gente tenha a maioria do eleitorado de Minas Gerais e a maioria do eleitorado de São Paulo com um único candidato, para a gente ganhar a eleição.
Mas qual é o prazo que o senhor acredita viável para o entendimento ou para as prévias?
No primeiro semestre, eu já disse várias vezes isso, nós vamos fazer a unidade no plural, consolidar a situação nos estados – há vários estados que são prioritários, nos quais estamos atuando, também com o DEM, também com o PPS, também com outros aliados que são próximos de nós. No segundo semestre, vamos cuidar de candidatura. Já agora no primeiro semestre estarão absolutamente esclarecidas as regras sobre prévias, mas que não se crie tensão sobre isso, porque não há tensão.
O senhor disse o seguinte: que o Democratas é um partido que vocês querem, um forte aliado, mas que eles têm que cuidar deles.
Não, eu nunca disse isso. Eu disse que eles cuidam deles e nós cuidamos da nossa escola.
Isso é uma resposta às declarações do Rodrigo Maia?
Não, porque o próprio Rodrigo me disse, várias vezes, que essa era uma questão nossa, que o PSDB escolheria seu candidato e que o apoio do DEM era ao candidato do PSDB, o eventual apoio do DEM era ao candidato do PSDB. Isso eu ouvi dele, ouvi de todas as grandes lideranças do DEM. Essa é a posição deles, de apoiar um candidato do PSDB e de negociar conosco um grande acordo nacional, que nós esperamos construir.
Foi isso que o senhor veio dizer ao governador?
Não, não precisei falar disso ao governador. Ele sabe disso. Ele tem amigos no DEM, muitos.
Qual é o peso dos partidos, principalmente do DEM? Na tentativa de atrair o PMDB, qual é o peso deles na escolha de um candidato do PSDB?
Veja bem: a questão do DEM. O DEM é um partido que já disse, disse a mim, disse a todas lideranças do nosso partido, que estará junto conosco na próxima eleição. E nós já dissemos, muitas vezes, que estaremos junto com o DEM na próxima eleição. O DEM já disse, disse ao governador Aécio, disse a mim e disse sempre que apoiará o candidato do PSDB no caso dessa aliança. Ora, o DEM é um partido maduro, tem grandes lideranças, responsáveis e que sabem muito bem que a questão de escolha de candidato é da economia interna de cada partido e não da economia de outros partidos. Eles nos respeitam e nós respeitamos eles demais. E no nosso campo, a escolha será feita como está prevista: pela discussão, aberta, ampla, pelo país inteiro, ou por eventuais eleições primárias ao longo do segundo semestre.
O Tião Viana declarou hoje que ele está percebendo que há forças políticas ocultas, tentando…
Desconheço essas forças. A gente, desde o começo, disse que não vetava a candidatura do senador Tião Viana. Nós temos a melhor opinião sobre ele e o partido vai se reunir essa semana para decidir qual será o seu candidato a presidente. Não há decisão tomada. Há preferências de um, de outro senador, mas enfim, isso é da democracia e nós vamos votar, como sempre, os 13 senadores do PSDB unidos no mesmo candidato.
O senhor está dizendo que um dos caminhos seria o entendimento. No nível que está essa disputa entre os dois, o senhor acha que é possível e como que sairia essa discussão para chegar a esse entendimento?
Acho que o nível da discussão política no PSDB agora e por muito tempo será o melhor nível possível.
O senhor vai manter?
Claro.
Eu queria saber como estão as prévias?
Nós já estamos elaborando um modelo de prévias. Esse modelo será apresentado para a Executiva e aí nós esperamos a aprovação pela Executiva desse modelo.
E esse modelo, basicamente, seria o que?
Nós estamos esperando uma resposta do TSE às nossas consultas sobre as limitações legais às prévias, principalmente, de ordem financeira e de ordem de propaganda. Após essa consulta respondida pelo TSE, nós esperamos em breve. Inclusive, ontem, no próprio noticiário oficial do TSE foi mencionada essa consulta, então, nós esperamos essa resposta em breve. Nós elaboraremos o melhor modelo e ele estará pronto para ser utilizado, se necessário.
Quando ele fica pronto?
Agora, no início do ano.
Mas as prévias vão ser no segundo semestre? Parece que o Serra está interessado que ela seja um pouco mais para frente. Quando deve ser?
Primeiro, a escolha do candidato deve ser de um consenso entre os dois candidatos. Caso não exista esse consenso, está previsto as prévias. E aí, dependendo do modelo das prévias, elas podem durar mais ou menos. Então, isso tudo será levado em conta, no momento adequado, em breves dias.
A primeira viagem do governador, o senhor vai junto? Já tem o local?
Não, não estabelecemos ainda o roteiro e é o governador que cuida dessa viagem.






