O governador Aécio Neves visitou nesta segunda-feira (29) os municípios de Ponte Nova e Muriaé, na Zona da Mata, fortemente atingidos pelas chuvas que caem no Estado. No início da tarde, ele caminhou pela avenida Custódio Silva, no centro histórico de Ponte Nova, nos trechos atingidos pela inundação do rio Piranga. Várias lojas e prédios residenciais foram danificados e estão sendo monitorados pela Defesa Civil estadual. O município tem 490 desabrigados, 4.070 desalojados e 44.000 pessoas atingidas.
Em seguida, Aécio Neves foi a Muriaé, onde 200 famílias encontram-se desabrigadas. Ele visitou o bairro aeroporto, o mais atingido por deslizamentos e onde duas crianças morreram soterradas na sexta-feira passada. Ainda no aeroporto, o governador conversou com Márcia Aparecida de Oliveira e Paulo Gomes da Silva, avós das crianças que morreram. Eles tiveram soterrada a casa onde moravam.
Aécio Neves também se encontrou com Rayssa de Souza Ferreira, de sete anos de idade, que também estava na casa e sobreviveu ao desabamento. Durante a visita, o governador garantiu assistência prioritária à família e afirmou que, assim como os outros desabrigados no Estado, eles deverão ser atendidos pela Companhia de Habitação de Minas Gerais (Cohab) por meio de convênio a ser firmado com as prefeituras.
| Fotos: Wellington Pedro/Imprensa-MG | |
| No final do dia, o governador retornou a Belo Horizonte debaixo de chuva |
ENTREVISTA
Qual será o passo imediato do governo?
Agora é o momento de fazermos algo planejado para evitar que, no futuro, outros danos ocorram. É claro que, quando se trata de natureza, muitas coisas você não tem como evitar. Mas eu acho que o trabalho preventivo é muito importante, a Defesa Civil de Ponte Nova tem atuado de forma muito coordenada ao lado da Defesa Civil do Estado. Agora é hora de atuarmos preventivamente em razão de chuvas que ainda ocorrerão, para que não tenhamos danos pessoais, para que as pessoas não sofram mais e, a partir daí, vamos construir uma parceria definitiva para que ao longo de todo próximo ano, no período de pós-chuva, nós possamos fazer não apenas os reparos, mas obras estruturais que impeçam outros danos como esse. Eu fiz questão de vir a Ponte Nova pessoalmente, pelos laços que eu tenho com a cidade e quero demonstrar que o Governo do Estado, felizmente hoje, está em condições de dar o apoio necessário à rápida recuperação dessas perdas.
Qual o tipo de apoio o Governo do Estado está oferecendo aos municípios atingidos?
Na verdade, estamos dando apoio de várias formas. O primeiro deles é o emergencial, são os cobertores, as cestas básicas para as famílias que foram desalojadas. De outra parte, o Estado está dando apoio às pessoas. Nós estamos adiando por 60 dias o pagamento das contas de luz e de água de todas as cidades que tenham decretado estado de emergência. Portanto, nós vamos permitir que cerca de 250 mil pessoas, nos próximos 60 dias, não tenham que pagar as duas contas. Por outro lado, estou guardando relatório de cada uma dessas cidades atingidas para que possamos fazer convênios específicos com cada uma delas. Nós vamos fazer com Ponte Nova, com cada uma das cidades que tiveram perdas maiores. Como eu disse, felizmente, se possível dizer felizmente num momento como este, mas felizmente, o Estado hoje está em condições de celebrar esses convênios. Além disso, eu garanti através do BDMG um fundo de R$ 30 milhões para que os comerciantes, principalmente, possam, com juros subsidiados de 6% ao ano, sem qualquer outra correção, com carência de até seis meses, possam receber recursos de até R$ 200 mil cada um deles para repor estoques, para recuperar o seu comércio. Então, um conjunto de apoios que eu acredito adequados para que enfrentemos juntos esses problemas.
Como será o apoio às prefeituras dos municípios atingidos?
Cada prefeitura, porque as situações são distintas, tem que identificar os principais danos, apresentar um projeto rapidamente ao Governo do Estado ainda no mês de janeiro para que nós possamos celebrar um convênio e transferir os recursos para que a própria prefeitura possa fazer as obras com recursos do Governo do Estado.
Já dá para avaliar os danos?
São cerca de 50 municípios em estado de emergência. Nós temos feito agora um trabalho preventivo de alerta às famílias, às pessoas já que nós temos ainda previsão de mais chuvas, ainda este ano, nos próximos dias e, sobretudo, aqueles que vivem em área de risco é importante que atendam a orientação da Defesa Civil seja municipal ou estadual. E, nesse primeiro momento, o estado tem apoiado com cestas básicas, com mantimentos, enfim, com colchões e cobertores. Mas cada prefeito, e essa é uma orientação que tenho dado, deve fazer um relatório e um pré-projeto dos principais danos causados pela chuva para que o Estado possa, ainda no mês de janeiro, celebrar convênios com as cidades mais atingidas com o objetivo de recuperá-las.
Mas a minha preocupação neste instante, além de vir aqui prestar a minha solidariedade, principalmente às famílias que tiveram perdas irreparáveis, tem o sentido de alertar a população para necessidade de estarem permanentemente atentas nessas próximas semanas. Repito, a previsão que nós temos é de continuidade das chuvas. Como o solo está muito atingido, já está encharcado, poderão haver novos desabamentos com vítimas. Então, é preciso que haja uma ação preventiva dos órgãos municipais e estaduais e a colaboração dos cidadãos.
Alem disso, repito, vamos, além das medidas já tomadas em que eu adiei o pagamento das contas de luz e água de todas essas cidades, por um prazo inicial de 60 dias, além disso, abrimos junto ao Banco de Desenvolvimento do Estado, uma linha de crédito subsidiado com juros de 6% ao ano, com carência de seis meses para iniciar o pagamento, para aqueles que tiveram problema no seu comércio e precisam repor seu estoque ou recuperar suas lojas.
Portanto, já está à disposição também de pessoas jurídicas, de empresas pequenas e microempresas, principalmente, esses recursos. E a terceira etapa é esta. A partir dos projetos que serão apresentados pelas prefeituras, o Estado estará em condições de firmar convênio com essas cidades para ajudá-las na recuperação dos danos.
O senhor vai recorrer a recursos da União também?
Por enquanto não. Por enquanto o Estado, felizmente, tem condições de atender a essas demandas. Fico no aguardo, portanto, das manifestações dos prefeitos.
O senhor acredita que a estrutura da Defesa Civil é suficiente para atender essas demandas?
Ela é muitas vezes superior a que tínhamos alguns anos atrás, mas é preciso que as Defesas Civis municipais se organizem. Infelizmente, temos apenas 150 cidades com a Defesa Civil funcionando adequadamente. Inclusive, já na ultima entrevista que dei, disse que a nossa escola de Defesa Civil está em condições, preparada para treinar os servidores municipais para que possam fazer uma ação preventiva e que maior resultado traz. Mas em Minas, avançamos muito do ponto de vista do Estado e é preciso que avancemos agora do ponto de vista dos municípios.
Com informações da Agência Minas





