A queda reflete a desaceleração das vendas e das exportações para níveis não vistos em pelo menos 10 anos. Suas concorrentes, por sua vez, também cortaram produção para conter a freada na demanda global.
A Toyota disse que a produção doméstica caiu 27,2% em novembro em comparação ao mesmo período do ano passado, para 288.138 veículos – a maior retração para um mês de novembro desde 1978, data mais antiga de registro.
O anúncio acontece dois dias depois de a maior fabricante japonesa de veículos, em termos de volume, prever o primeiro prejuízo de sua história para o ano fiscal que termina em março, refletindo retração na demanda e o fortalecimento do iene. Alguns analistas advertem que o desempenho da Toyota poderá piorar adiante, indicando mais cortes de produção. “Ainda não enxergamos as vendas no piso”, disse o analista do Goldman Sachs, Kota Yuzawa.
A queda na produção da Toyota no Japão reflete retração de 27,6% nas vendas e de 23,9% nas exportações. A diminuição das vendas é a maior para um novembro pelo menos desde 1966 e das exportações, a maior para o mês desde 1978 – quando as exportações caíram 24,8%.
Já a segunda maior montadora do Japão, a Honda, anunciou desempenho relativamente bom
A Nissan Motor, terceira maior montadora do Japão, informou que sua produção em novembro despencou 35,6%, influenciada por queda nas vendas domésticas e nas exportações.
TROCA DE DIREÇÃO – A Toyota Motor pretende substituir o atual presidente, Katsuaki Watanabe, pelo vice-presidente, Akio Toyoda, diante da perspectiva de prejuízo da companhia neste ano fiscal – o primeiro desde março de 1941, quando a montadora começou a divulgar resultados anuais -, de acordo com o jornal Asahi Shinbum.
A substituição ocorrerá em abril de 2009, quando terá início o próximo ano fiscal, e Watanabe deve ser transferido para a vice-presidência do conselho da montadora, afirmou o jornal, sem citar fontes. Nenhum representante da Toyota estava disponível para comentar a notícia. Toyoda, 52, é neto do fundador da Toyota, Kiichiro Toyoda, e seria o primeiro membro da família a atuar como presidente da companhia em 14 anos. O último descendente do clã que ocupou a presidência foi Tatsuro Toyoda.
Na segunda-feira, a Toyota divulgou que terá um prejuízo operacional de 150 bilhões de ienes (1,66 bilhão de dólares) no ano fiscal encerrado em março de 2009. No ano anterior, a companhia havia tido lucro operacional de 2,27 trilhões de ienes (US$ 20,3 bilhões).
Apesar do resultado, a Toyota ainda está em boa situação para ultrapassar a rival General Motors e se tornar a maior fabricante de automóveis do mundo em 2008, segundo analistas. A Toyota vendeu 7,05 milhões de carros em todo o mundo de janeiro a setembro, comparados a 6,66 milhões da GM no mesmo período.
A Toyota, que adotou uma política de não cortar empregos, continuará a reduzir a produção para enfrentar a crise. A montadora também reduziu a previsão global de venda de veículos pela segunda vez este ano e está paralisando planos ambiciosos de expansão, em grande parte por causa de uma queda forte na demanda dos EUA.
Nos últimos anos, a Toyota tem mostrado forte crescimento, incentivado pela grande demanda por modelos com consumo eficiente de combustível, como o Camry e o carro híbrido Prius. Mas a queda da demanda na América do Norte e o impacto negativo da valorização do iene prejudicaram o resultado da empresa.




