Segundo o Ministério do Interior espanhol, o grupo vendia documentos a imigrantes brasileiros para o trabalho de transporte de carga internacional.
De acordo com os investigadores, os brasileiros teriam conseguido falsificar mais de 300 documentos em oito meses de atividade.
“Com as falsas carteiras portuguesas, a quadrilha conseguia obter de forma fraudulenta o cartão digital de tacógrafo necessário para trabalhar no setor de transportes por rodovia”, disse um porta-voz do Ministério do Interior à BBC Brasil.
Os brasileiros foram presos em duas operações de busca em escritórios nas regiões de Múrcia e da Catalunha. Na segunda ação, que teve maior número de apreensões, 11 brasileiros foram detidos na periferia de Barcelona.
A operação, que ainda estava em andamento no início da tarde, começou em maio, depois de uma suspeita de técnicos do Ministério do Desenvolvimento.
MOTORISTAS PORTUGUESES – O que chamou a atenção da Direção Geral de Transportes por Rodovia foi o aumento em pouco tempo do número de pedidos de motoristas particulares portugueses.
As autoridades pediram à polícia que investigasse as carteiras e assim descobriram a quadrilha, segundo o porta-voz do Ministério do Interior.
Os brasileiros, cujas identidades não foram divulgadas pela polícia, são acusados de falsificação de documentos, usurpação e infração da Lei de Estrangeiros. Se condenados, podem pegar de três a 12 anos de cadeia.
Os cartões digitais de tacógrafo são usados na Espanha desde 2006. Servem para registrar, armazenar e indicar os dados relativos à velocidade dos veículos e o tempo de trabalho dos motoristas.
Com os documentos falsificados, que eram vendidos a 700 euros (aproximadamente R$ 2,2 mil), os motoristas podiam trabalhar em estradas de toda a União Européia, dirigindo ônibus ou caminhões sem passar por exames de direção.





