A Polícia Civil de São Paulo investiga a suspeita de que servidores estaduais ajudaram uma quadrilha de fraudadores de licitações na área da saúde a desviar cerca de R$ 100 milhões do governo do estado. Cinco empresários acusados de envolvimento no esquema foram presos, em caráter temporário, durante a Operação Parasitas, desenvolvida há um ano por órgãos da segurança pública estadual.
Parte do dinheiro poderá retornar aos cofres públicos, em decorrência da apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 7 milhões que estavam com os presos. Entre eles estão carros importados, iates, motos e até um helicóptero, além da quantia de R$ 600 mil em dinheiro.
De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública, fornecedores de medicamentos e materiais hospitalares subornavam agentes públicos para serem os escolhidos no processo licitatório. Depois de selecionados, os empresários entregavam produtos de baixa qualidade por valores superiores ao preço real de mercado.
“Eram vendidos até 400% acima do valor de mercado e, quando entregues, chegavam em quantidade inferior e com qualidade duvidosa”, relata nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública.
Segundo o comunicado, o delegado da Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Luiz Storni, informou que durante as investigações foram encontrados até catéteres contrabandeados de origem chinesa. O Hospital Pérola Byngton e o Hospital das Clínicas estão entre as entidades prejudicadas.
Os suspeitos pelos crimes já presos foram indiciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica, peculato e sonegação tributária.
A OPERAÇÃO – A Polícia Civil de São Paulo prendeu na madrugada desta quinta-feira (30) cinco acusados de pertencer a uma quadrilha responsável por fraudes em centenas de licitações nos principais hospitais públicos do Estado e da Prefeitura de São Paulo e de outros 29 municípios do interior, do Rio, de Minas e Goiás. Os empresários são suspeitos de subornar agentes públicos e superfaturar preços, além de entregar produtos de má qualidade – quando entregavam -, pondo em risco a saúde dos pacientes. Estima-se que o esquema tenha faturado R$ 100 milhões nos últimos dois anos. O grupo é investigado ainda por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Pelo menos 11 empresas fornecedoras de remédios e materiais hospitalares e gestoras de hospitais estão na mira da Operação Parasitas. Ontem, a força-tarefa de policiais civis, auditores fiscais do Estado e promotores cumpriu 23 mandados de busca. Foram apreendidos R$ 700 mil, 14 carros, como Porsche, Land Rover e Mercedes, cinco motocicletas, três lanchas e um helicóptero – modelo Robinson 44. Os bens estão avaliados pela polícia em R$ 7 milhões. O juiz Vinícius de Toledo Piza Peluso decretou ainda o bloqueio de contas bancárias, aplicações e bens de sete dos acusados.
Foram presos os empresários Dirceu Gonçalves Ferreira Júnior (um dos donos das empresas Vida?s Med e Biodinâmica), Renato Pereira Júnior e Marcos Agostinho Paioli Cardoso (sócios da Home Care Medical). Os três são apontados como chefes da esfera empresarial da organização criminosa. Os funcionários Vanessa Favero e Carlos Alberto do Amaral, ambos ligados à Vida?s Med e à Biodinâmica, também tiveram a prisão decretada. O próximo alvo da investigação serão os agentes públicos envolvidos no esquema.





