Para o ministro, o efeito desta crise na economia real está ficando nítido agora. “É impressionante como o travamento de crédito atinge a economia real. Espero que este travamento de crédito não se transforme em depressão”, disse Mantega, que participa do 3º Encontro Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Para Mantega, a crise impacta menos os países em desenvolvimento, porque estes já têm um dinamismo maior (por causa do maior potencial de seus mercados internos), as contas públicas estão mais robustas e também porque os bancos que estão mais comprometidos com os ativos tóxicos são os dos países avançados e não dos emergentes. Ele ressalvou, no entanto, que há casos de emergentes também com problemas bancários relacionados diretamente com tais ativos problemáticos, como a Rússia.
O ministro da Fazenda afirmou que o problema de travamento de crédito observado nos Estados Unidos e nas economias avançadas não ocorre na mesma magnitude no Brasil. Ele reconheceu que é natural, neste momento em que o mundo passa por uma grave crise financeira, que haja um maior comedimento das instituições financeiras do País.
Mantega explicou que o agravamento da crise a partir de meados de setembro teve como conseqüências uma restrição do crédito externo, especialmente para a exportação; e problemas de liquidez. Mas ele destacou que o governo tem instrumentos, e os tem utilizado, para enfrentar os impactos da crise no Brasil. Ele mencionou especificamente os volumes de depósitos compulsórios que sempre foram criticados no passado, e que hoje “se revelam reserva importante para irrigar o sistema financeiro”.
OUTROS PARTICIPANTES – No mesmo evento
Outro participante, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defendeu que o governo continue investindo para sustentar o nível de atividade econômica interna, amortecendo o impacto da recessão internacional no País. Ele também defendeu a estabilização da taxa de câmbio.
O empresário Jorge Gerdau, também presente no evento, é mais um que detecta o efeito da crise na economia real. Mas ele destacou que o governo brasileiro tem trabalhado com “inteligência” e “agilidade”. “Com mais inteligência do que agilidade”, avaliou. De acordo com ele, a crise tem duração imprevisível.




