A 120 km de Belo Horizonte, Carmo do Cajuru ganhou grande destaque no cenário estadual e nacional pela sua produção de móveis. Atividade que há décadas existe na cidade e hoje é a principal empregadora de mão-de-obra e geradora de receita. No início desta atividade a sucupira era a principal madeira utilizada na confecção dos móveis e que conferia a eles durabilidade, fazendo surgir uma profissão das mais requisitadas nas fábricas: a do “entalhador”.
Este profissional tinha que ter talento e de forma artesanal trabalhava a madeira bruta, dando a ela desenhos singulares e belos. O tempo passou e os materiais utilizados na confecção dos móveis se sofisticaram e aos poucos os “entalhadores” foram perdendo o seu espaço dentro das fábricas.
Apesar deste quadro, em Carmo do Cajuru ainda é possível encontrar alguns remanescentes desta época. Entalhador desde a década de 70, Valter dos Santos Arcanjos, mais conhecido como Tinho Tocha, foi um dos percussores deste ofício. E até hoje, em casa, empunha martelo e formão para dar forma à madeira. O resultado é a confecção de belas peças como quadros, relógios e oratórios que decoram ambientes diversos e enchem os olhos.
Segundo Tinho Tocha, a relação de Carmo do Cajuru com a arte do entalhe surgiu há quase quarenta anos atrás, com a chegada à cidade de Míhaly Krõshi, mas conhecido como Sô Miguel. Vindo da Hungria e Romênia, de forma clandestina, pois fugia da segunda grande Guerra Mundial, ele adotou o Brasil para viver. “Sô Miguel foi precursor da arte em entalhes em Cajuru, mais amigo que patrão, ele nos ensinava e ainda nos pagava semanalmente pelos serviços”, explica Tinho. Para ele, falar de móveis em Cajuru hoje sem citar e conhecer a história do Só Miguel é uma injustiça, pois o destaque das firmas se deu e se dá pela tradição dos móveis entalhados.
“O entalhe já foi muito valorizado, mas com a introdução da resina e de outras técnicas foi posto de lado. Mesmo assim, ainda existem aqueles que utilizam este dom e produzem belas peças decorativas”, diz Tinho. Durante anos o talento dos entalhadores cajuruenses conferiu qualidade e distinção ao móvel produzido na cidade e com certeza ajudou a projetar Carmo do Cajuru como um importante pólo moveleiro de Minas Gerais.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade






