O prefeito do centenário de Divinópolis é Vladimir Azevedo. Eleito de forma avassaladora e passando por cima de pesquisas que davam a Galileu até 43% dos votos, o atual vereador, apoiado pelo deputado Domingos Sávio, se firma como uma grande liderança política. Esta foi a terceira eleição disputada por Vladimir. Foi sua terceira vitória.
PESQUISAS ENCOMENDADAS – No dia 8 de maio, a equipe de Galileu Machado divulgou uma pesquisa feita pelo Instituto CP2/Datatempo que dava ao ex-prefeito uma vantagem avassaladora sobre os demais candidatos. Aqueles números, se confirmados, representariam o maior show de bola que um candidato a prefeito de Divinópolis daria na concorrência. A mesma pesquisa dava a Vladimir Azevedo míseros 3% da preferência.
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Estava na cara que era uma pesquisa encomendada. E foi este o título que dei à coluna publicada no dia 8 de maio:
Pesquisas Encomendadas. No final do texto, escrevi: “
Assim, a pesquisa que o PMDB, ou alguém do partido, pagou à CP2, não vale uma titica de galinha para atestar liderança tão absoluta do ex-prefeito Galileu Machado, que pode até vencer as eleições, pois tem cabedal para isso, mas não será uma vitória de véspera” (
dê uma olhadinha no texto publicado no dia 8 de maio).
A comprovação de que o Instituto CP2/Datatempo não é confiável, veio já próximo ás eleições, quando a juíza Andréia Barcellos Ferreira, da 102ª Zona Eleitoral, proibiu a divulgação de outro levantamento feito pelo mesmo Instituto. Era outro olé na concorrência. Era.
‘DEIXA’ O HOMEM DESCANSAR – Usar o transporte coletivo nos dá muito mais sabedoria do que se imagina. Não fosse o transporte coletivo de Divinópolis a total e completa vergonha que é, com ônibus caindo aos pedaços, veículos hiper, super lotados e tarifa custando os olhos da cara, seria um bom conselho incentivar a população a andar de ônibus. Porém, se você tem um inimigo mortal, mande-o andar nos ônibus da Trancid e da Excidil. É o inferno, literalmente.
Entretanto, andar de ônibus tem suas vantagens. Não pela qualidade do transporte, mas pelo que se ouve durante as viagens. Viagens mesmo! Para sair o Centro e ir até o bairro Vale do Sol, por exemplo, dependendo do horário, leva-se até uma hora. Mais do que ir a Cajuru. Mas, quem anda de ônibus, vê que, realmente, a voz do povo, é a voz de Deus.
Numa dessas intermináveis viagens em um coletivo, ouvi uma profecia. Na Rua Bom Sucesso, quando o coletivo parou em um ponto para abarrotar-se ainda mais, passava um carro de som com a propaganda de Galileu. E repetia infindavelmente o refrão: ‘DEIXA’ O HOMEM TRABALHAR. Que, aliás, está grafado errado, já que deveria ser “Deixe” e não “Deixa” o homem trabalhar. Aí então, ouvi a voz da profecia dos coletivos: uma senhora, sentada à minha frente mudou a letra do refrão, e cantou: ‘DEIXA’ O HOMEM DESCANSAR. E a profecia se concretizou.
A vitória de Vladimir coloca um fim na era Galileu. Afinal, em 2012, Galileu estará com 80 anos e, provavelmente, não vai encarar uma nova disputa. E, mesmo que queira – força física para isso ele tem – sua força política já era. Galileu brincou com fogo. Acreditou que a pilha de processos que responde na Justiça não pesaria na decisão do eleitor. Acreditou que o povo havia esquecido a história da Copasa, quando ele renovou na calada da noite o contrato de concessão da água por mais 30 anos. Acreditou que o povo havia esquecido o aumento estrondoso que deu no último dia de seu governo ao transporte coletivo – esse transporte vagabundo que Divinópolis tem. Acreditou que o povo havia esquecido os “rolos” em suas administrações anteriores. Acreditou que o povo havia esquecido o nepotismo. Acreditou em tudo isso, como também acreditou nas pesquisas encomendadas.
O NOVO PREFEITO
Vladimir Azevedo fará um bom governo, não tenho dúvida disso. É muito bem preparado, tem grande respaldo político, conta com um vice – Francisco Martins, o Chiquinho – de primeira e tem projetos altamente inovadores. Conheço o Vladimir deste seu primeiro mandato na Câmara. Não tenho medo de afirmar que está surgindo uma das maiores lideranças políticas da cidade. Seu discurso sempre foi reto, sem gagueira. Conduziu com dignidade seus dois mandatos como vereador e jamais agiu como alguns de seus colegas de Câmara – inclusive, derrotados – que nunca se firmaram em lugar nenhum. Se há os candidatos “fichas sujas”, há os políticos “folha de bananeira”, que a cada hora balança para um lado, sempre para aquele que lhes dá mais vantagem.
CÂMARA
Salve, salve Fabiano Tolentino. Que beleza de vitória. Salve, salve Heloisa Cerri. Considero-me eleito nesta eleição, com a vitória da minha amiga Heloisa Cerri. Esses dois vão dar trabalho e vão trabalhar muito, com certeza. Sou amigo de Heloisa. Na casa dela, entro pelas portas dos fundos e não é demérito. Entro pelas portas dos fundos porque amigos não precisam tocar a campainha. Heloisa é honesta, trabalhadora, inteligente, competente, justa. Parabéns minha amiga.
PENDURAR AS CHUTEIRAS
Quem fala muito, dá bom-dia ao cavalo. A prova está na composição da nova Câmara. Nilmar Eustáquio, o maior falastrão do atual Legislativo, acreditou que apontar sua metralhadora giratória em qualquer direção aumentaria sua popularidade. Com isso, não deu apenas bom-dia ao cavalo. Caiu dele. Puxar tapete de gente honesta e trabalhadora também pesa nessa hora.
Em tempo: Salve, salve Beto Machado.
PARA CONCLUIR
Tenho recebido chuvas de e-mails elogiando o trabalho do Divinews.com, além de comentários a respeito da coluna. A maioria dos e-mails são elogios, mas também tenho levado algumas espinafradas.
Entretanto, este não foi o caso do e-mail enviado por Lucas Torquato, filho do candidato a prefeito Jorge Torquato do PSOL. Lucas apenas questionou afirmação que fiz em coluna anterior, quando afirmei que Torquato não tinha bala na agulha para vencer uma eleição hoje. Lucas disse que o pai tinha muita bala na agulha, sim. Com bons projetos, boas idéias.
Talvez Lucas não tenha entendido a colocação. Quando afirmei que Jorge Torquato não tinha bala na agulha para vencer uma eleição, a intenção era afirmar que faltavam a ele respaldo financeiro e apoio político, pois não se vence eleição só com boas intenções.
Jorge se cercou mal de alguns assessores. É preciso lembrar que a esquerda festiva faz parte do passado. Ao redor de Jorge estavam alguns daqueles radicais radicalíssimos e ficou comprovado que hoje, na política, é preciso ser moderado. O povo não engole mais essa turma que fala pelos cotovelos, com críticas irresponsáveis, que se transformam em ataques pessoais. Criticar sim, mas com coerência, não com indecência. E Jorge levou a tiracolo alguns desses radicais de tempo integral.
Algum desses radicais foi eleito para Câmara? Não. Nenhum deles passou dos 500 votos e muitos concorreram.
Portanto, meu caro Lucas, quando afirmei que faltava bala na agulha, não quis dizer que faltavam competência ou estímulo ao Jorge. Também, quando escrevi que ele cairia para a segunda divisão, apenas fui sutil e evitei dizer que Jorge seria o último colocado. E não deu outra. Escrevi com a tranqüilidade de quem conhece a política de Divinópolis. E, modéstia às favas, conheço mesmo. Conheço muito.
Jorge Torquato deve ter aprendido muito nesta campanha. Ao lado do João, da Mangueiras Brasil, que é um sujeito extremamente afável e educado, o desempenho poderia ter sido melhor. Mas, foi a primeira vez. Outras virão. E o Torquato Pai ainda vai fazer muito barulho na política divinopolitana. Certo, Torquato Filho?
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