Os professores da rede estadual de ensino, em greve há 15 dias, estão indignados com o governador Aécio Neves (PSDB), que se negou a apresentar uma proposta salarial para a categoria. Na última terça-feira (16) uma grande assembléia em Belo Horizonte decidiu pela continuidade do movimento, em razão da negativa do governo em negociar as reivindicações da classe.
Em Divinópolis, a categoria está indignada com a atuação do deputado estadual Domingos Sávio (PSDB), que representa o governo do Estado na região. Na semana passada, dezenas de professores ocuparam o comitê de campanha do candidato a prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB) exigindo um encontro com o deputado Domingos Sávio. Durante várias horas os professores permaneceram acampados no comitê localizado na Avenida Getúlio Vargas e só deixaram o local depois que Domingos Sávio apareceu para conversar com a categoria.
“A ordem do Sindicato é caçar o governador Aécio Neves e seus representantes onde eles estiverem”, disse Maria Catarina Vale, assessora de comunicação do Sindicato dos Professores em Divinópolis. Ela disse que depois da ocupação do comitê de Vladimir, foi entregue a Domingos Sávio a lista de reivindicações da categoria e ele assinou o compromisso de entregar o documento ao governo do Estado (veja box). A classe está insatisfeita com a atuação do deputado Domingos Sávio, porém aguarda que ele cumpra a promessa de entregar as reivindicações ao governo. “A gente já conhece a atuação do deputado que promete muito, mais nem sempre cumpre”, disse Maria Catarina.
Nesta quinta-feira (18) os professores de Divinópolis tiveram uma atitude ainda mais ousada. A classe fechou a Superintendência Regional de Ensino e impediu qualquer funcionário de trabalhar. “Nós lacramos a superintendência, literalmente”, disse Maria Catarina.
O que deixou os professores ainda mais irritados foi a postura do governador Aécio Neves. “Ele posa de bom moço, diz que a educação vai muito bem em Minas, mas ele é apenas um excelente marqueteiro”, disse Maria Catarina se referindo a Aécio. Segundo ela, o governador mandou um recado avisando que não negocia com a classe em greve e adiantou que não vai pagar o piso nacional de R$ 950,00, que já foi implantado em diversos Estados.
Embora o Sindicato dos professores demonstre a total indignação da classe em Divinópolis com a postura do governador, até esta sexta-feira (19) a adesão ao movimento grevista era abaixo do esperado na cidade. Apenas 25, das 36 escolas da rede estadual, haviam aderido à paralisação. Oito estão totalmente paralisadas, enquanto 17 funcionam parcialmente. “Temos esperanças de que os companheiros professores entendam a necessidade de união contra este governo e aumentem a adesão em Divinópolis e temos boas expectativas quanto a isso”, disse Maria Catarina.
Nesta segunda-feira (22) acontecerá uma assembléia da classe em Divinópolis na Praça do Santuário. Já terça-feira (23) os professores farão assembléia na capital, para discutir os rumos do movimento. A previsão indica que haverá a continuidade da paralisação.
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