"Não foi uma ação entre amigos", disse nesta quarta-feira (17) o diretor afastado de Contra-Inteligência da Abin, Paulo Maurício Fortunato, na Comissão Mista de Fiscalização e Controle de Órgãos de Inteligência do Congresso. "Foi feita uma reunião para o Protógenes ficar ciente dos termos da cooperação", completou.
Fortunato foi chamado para depor por conta de declarações que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas da Câmara, na semana passada, de que mais de 50 servidores da Abin teriam trabalhado com Protógenes nas investigações da Satiagraha, inclusive com a realização de escutas telefônicas de autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Segundo ele, o sistema de trabalho dos agentes da Abin na Polícia Federal era em forma de rodízio e não com os mais de 50 ao mesmo tempo. No período de fevereiro a julho deste ano, o esquema de rodízio contava, em média, com seis agentes de cada vez. "Não tivemos 52 trabalhando ao mesmo tempo", disse.
Ele afirmou que o diretor de Inteligência da Polícia Federal, Daniel Lorenz, faz um levantamento para saber quantos agentes da Abin estiveram no prédio da PF em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo para tratar das investigações e grampos feitos pela Satiagraha.
"Entrada clandestina não ocorreu. É preciso apurar se houve desvio de função de funcionários", defendeu o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que também presta depoimento.
O diretor afastado da Abin, Paulo Lacerda, saiu, mais uma vez, em defesa da instituição e disse que, até o momento, não há provas de que a Abin tenha cometido alguma ilegalidade ou grampeado clandestinamente telefones de autoridades. "A despeito de toda a gravidade, não existe nada que possa ser atribuído à Abin. Está se adotando aqui a presunção da culpa e não se pode presumir culpado antes da culpa. Não temos nenhum elemento de prova de que a Abin praticou esses crimes", disse.
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NELSON JOBIM – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados que entregou ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, documentos sobre a compra de três equipamentos para o Exército.
Jobim disse aos parlamentares que tinha informações de que os equipamentos tinham condições de fazer interceptações telefônicas, e que o general foi comunicado e iria examinar o assunto.
A CPI se concentra na apuração dos fatos relativos a um suposto grampo atribuído à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de conversas entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Jobim foi convocado, por meio de requerimento, para prestar esclarecimentos e entregar à comissão documentos relativos a compra de equipamentos pela Comissão do Exército para a Abin. Ele terá 20 minutos para considerações inciais.
O ministro em declarações anteriores disse que os equipamentos tinham capacidade de realizar escutas telefônicas, mas a informação foi desmentida pelo diretor afastado da Abin, Paulo Lacerda.
Neste fim de semana, matéria da revista Época sustentou que a Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal para investigar crimes financeiros cometidos por um grupo supostamente comandado pelo banqueiro Daniel Dantas, teria tido também a participação de oficiais da ativa dos serviços secretos das Forças Armadas, subordinados hierarquicamente a Jobim. Em nota, o Exército negou a participação de oficiais na operação.
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