Rússia abre nova frente de combate na Geórgia

Publicado por: suporte

Segundo Moscou, as suas tropas alcançaram a cidade de Senaki, no oeste da Geórgia, próxima a Abecásia, com o objetivo de fazer com que a Geórgia pare de atacar forças russas na Ossétia do Sul.

Ainda nesta segunda-feira (11), tropas russas teriam tomado a cidade de Gori, no centro da Geórgia e a cerca de 70 quilômetros da capital, Tbilisi. Os russos, porém, não confirmam a informação.
 
Mesmo antes da informação sobre a possível tomada da cidade, a Acnur, agência de refugiados da ONU, já estimava que cerca de 40 mil pessoas, ou algo em torno de 60% da população, já haviam deixado Gori nos últimos dias por causa da aproximação das tropas russas.
 
Fontes georgianas dizem que a Rússia também deslocou tropas para a cidade de Zugdidi.  Os russos teriam dado um ultimato às forças georgianas para escolher entre se desarmarem ou serem atacadas e em seguida teriam ocupado prédios oficiais da cidade.
 
PRESSÃO INTERNACIONAL – comunidade internacional tem aumentado as pressões por um cessar-fogo. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, chegou a assinar um cessar-fogo proposto pela União Européia, mas a Rússia rejeitou o documento.
 
O governo russo insiste que as tropas georgianas sejam completamente retiradas da Ossétia do Sul para que qualquer decisão de cessar-fogo seja cumprida.
 
Os combates na Ossétia do Sul tiveram início na última sexta-feira depois que as tropas da Geórgia cercaram a capital da região para dominar os rebeldes.
 
Moscou, que tem uma força de paz na região e apóia os separatistas, inicialmente bombardeou alvos na Geórgia e deslocou tropas para Ossétia do Sul e Abecásia.
 
ENTENDA O CONFLITO – A escalada das tensões entre a Geórgia e os separatistas da região de Ossétia do Sul evoluiu para violentos combates nos últimos dias e o envolvimento da Rússia, que enviou tanques para a região em apoio aos rebeldes, suscitou temores de uma guerra na volátil região do Cáucaso.
 
A administração separatista da Ossétia do Sul vem tentando obter reconhecimento desde que declarou a sua independência do governo central, após uma guerra civil nos anos 90. A Rússia tem uma força de paz na região, mas o governo de Moscou também apóia os separatistas.
 
Qual é o atual status da Ossétia do Sul?
 
A Ossétia do Sul tem tido um governo próprio desde que lutou com a Geórgia pela sua independência em 91 e 92, logo após o colapso da União Soviética.  Durante o conflito, a região declarou sua independência, mas ela não foi reconhecida por nenhum país.
 
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometeu colocar a Ossétia do Sul e outra região separatista, a Abecásia, sob controle da Geórgia.
 
Por que os ossetianos querem se separar?
 
Os ossetianos são uma etnia originária das planícies russas ao sul do Rio Don. Eles têm identidade e cultura diferentes da dos georgianos e uma língua própria. No século 13, as invasões mongóis empurraram a etnia para as montanhas do Cáucaso, e os ossetianos se estabeleceram ao longo da atual fronteira da Geórgia com a Rússia.
 
Os ossetianos do sul querem se juntar à Ossétia do Norte, que é uma república autônoma dentro da Federação Russa. Os georgianos são uma minoria na Ossétia do Sul, representando menos de um terço da população.
 
A Geórgia rejeita o nome Ossétia do Sul, preferindo chamar a região pelo nome antigo, Samachablo, ou Tskhinvali, a principal cidade da região.
 
O que detonou esta crise?
 
As tensões vinham aumentando desde a eleição do presidente Saakashvili em 2004. Ele ofereceu à Ossétia do Sul diálogo e autonomia, mas no contexto de um só Estado, o da Geórgia. Em 2006, os ossetianos do sul votaram em um referendo extra-oficial em uma tentativa de fazer pressão pela independência completa, e segundo as autoridades da Ossétia, a maioria esmagadora da população o fim da união com Tblisi.
 
Em abril de 2008, a Otan disse que a Geórgia poderia no futuro vir a ser um membro da aliança militar – o que irritou a Rússia, que se opõe à expansão da Otan para o leste. Semanas depois, a Rússia reforçou os seus laços com as regiões de Ossétia do Sul e Abecásia.
 
Em julho a Rússia admitiu que seus caças entraram no espaço aéreo da Geórgia, na região da Ossétia do Sul. Confrontos antes esporádicos se escalaram, até que, segundo informações não confirmadas, seis pessoas acabaram mortas por projéteis de forças georgianas.
 
A Rússia poderia se envolver diretamente numa guerra?
 
A Rússia insiste que tem agido como uma força de paz na Ossétia do Sul e nega as acusações de que vem fornecendo armas aos separatistas. No entanto, Moscou já prometeu defender os cerca de 70 mil cidadãos russos que vivem na Ossétia do Sul.
 
A Rússia pode interpretar uma intervenção militar como uma opção menos arriscada do que reconhecer a independência da Ossétia do Sul, o que poderia levar a uma guerra com a Geórgia.
 
As ligações da Geórgia com a Otan podem influenciar este conflito?
 
O presidente Saakashvili fez da entrada na Otan uma de suas prioridades. A Geórgia tem um relacionamento próximo com os Estados Unidos e vem cultivando vínculos com a Europa Ocidental. Há quem diga que Saakashvili espere levar a Otan a um conflito com Moscou, de forma a formalizar a aliança.
 
Mas analistas dizem que é difícil imaginar que a Otan se deixe arrastar para um conflito com a Rússia por causa da Geórgia, depois de ter se esforçado para evitá-lo por tanto tempo.
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