TUNEL DO TEMPO: Justiça Federal acusa Jaime Martins de desviar verbas do PAC e usar recursos eleitoreiramente

Publicado por: suporte

O deputado federal Jaime Martins (PR) ainda não se pronunciou sobre inquérito em tramitação na 2ª Vara da Justiça Federal, em Governador Valadares. O inquérito foi aberto naquela cidade a partir da conclusão das investigações da Operação João de Barro, que levantou um possível desvio de R$ 700 milhões em recursos destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento.

O povo de Divinópolis já esperava que fosse respingar algo sobre a cidade. Afinal, no dia 20 de junho, a Polícia Federal esteve em Divinópolis para cumprir mandados de busca e apreensão de documentação relativa à liberação de recursos para o PAC. Cinco agentes estiveram na prefeitura, porém não deram nenhuma detalhe extra sobre o que procuravam em Divinópolis (leia).
 
Agora, quase um mês depois de concluída a operação João de Barro, o povo de Divinópolis começa a ter respostas. O inquérito que tramita na Justiça Federal em Governador Valadares, acusa diretamente o deputado Jaime Martins (PR), além de outros parlamentares mineiros, de serem os chefes da quadrilha (leia).
 
As escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, mostram que o deputado Jaime Martins tinha contato muito próximo com o principal chefe do esquema de liberação de recursos do PAC. O funcionário da Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco (Codevasf) Alexandre Isaac Freire era peça fundamental para funcionamento do esquema de desvio de recursos do Orçamento da União e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e era diretamente com ele que Jaiminho trata de questões de “seus interesses”. De acordo com o inquérito em tramitação na 2ª Vara da Justiça Federal, em Governador Valadares, Alexandre Isaac, gerente da área de Gestão Estratégica da estatal, se encarregava de “articular com os deputados federais a liberação de verbas para municípios dos parlamentares” e ainda “direcionar as licitações das obras para o Grupo Etenge, articulando com o empresário Lucas Prado Kallas”, do qual é praticamente sócio, devido às estreitas ligações. Foi a partir do relacionamento entre Alexandre e Lucas que o esquema superou os limites de Minas, alcançando estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A parceria rendia obras públicas de grande porte, em que o custo supera a marca de R$ 1 milhão.
 
O Ministério Público Federal apurou desvios de R$ 700 milhões em oito anos e ficou evidenciada a proximidade de Alexandre com os deputados federais José Santana de Vasconcelos (PR/MG) e Jaime Martins Filho (PR/MG). Por meio de gravações telefônicas, a PF identificou transações com vários municípios de Minas que interessavam aos deputados, como nas cidades de Francisco Dumont, Ibirité, Iguatama, Japaraíba, Mário Campos, Pequi, Perdigão, Riachinho, São Gonçalo do Pará, Sabará, São José da Varginha, Unaí, entre outros. Os diálogos, alguns envolvendo os próprios parlamentares com outros integrantes do grupo, revelam ainda o uso da verba com objetivos eleitorais. Além disso, de acordo com as investigações, os deputados federais recebiam de 10% a 20% dos recursos liberados.
 
FRUTOS – De acordo com o jornal Estado de Minas, edição de quarta-feira (9)uma das maiores evidências do braço do esquema na Codevasf, segundo os federais, está no município de Francisco Dumont, conforme demonstra ligação telefônica feita no ano passado entre o deputado federal José Santana e o empresário Lucas Kallas, do Grupo Etenge. Depois das saudações de praxe, o parlamentar passa o telefone para o prefeito da cidade, a quem Lucas orienta a procurar por Alexandre Isaac para conversar sobre liberação de verbas.
 
Também em Mário Campos, o servidor rezou na mesma cartilha dos amigos. Depois de receber um telefonema de José Santana informando que “Mário Campos tava resolvido, ficou constatado que a empresa Etenge participou da licitação para obra naquele município. No inquérito, fica demonstrado ainda que a lealdade do funcionário a Santana também rendeu frutos políticos. Por intervenção do deputado, Alexandre estava indicado para subir mais um posto e chegar a diretor da companhia.
 
Já em Iguatama, a intermediação da liberação de recursos por Alexandre evidencia ainda o uso político das verbas. Numa conversa com o deputado Jaime Martins, sobre verbas para o município de Iguatama, Alexandre condiciona a liberação à reeleição do prefeito: “Ou seja, para a reeleição dele, ela não vai ver o dinheiro, não. É a penalidade que ele vai sofrer por não ter, por ter comido mosca”. Para Martins, Alexandre também providenciou a emissão de recursos para São José da Varginha,
 
O intenso tráfico de influência fica evidente também em outros apurações como a que envolve a cidade de Pequi. Jaime Martins liga para Alexandre e indaga: “Eu posso mandar dois prefeitos aí, amanhã cedo?”. A resposta do servidor é positiva e, em seguida, o parlamentar informa: “O de Pequi é ex-prefeito, é adversário do prefeito que tá lá, entendeu? Ele tá querendo é dar uma segurada no projeto aí. Se for preciso segurar. Eu acho que vai precisar porque não tá tendo nada”.
 
LAVAGEM – Ainda segundo o Estado de Minas, além de atuar na Codevasf, Alexandre é um próspero empresário que em seu nome tem registradas pelo menos cinco empresas. Entretanto, segundo o inquérito, as suspeitas são de que ele use os estabelecimento para o “branqueamento do capital auferido com suas atividades paralelas”, ou seja, a lavagem do dinheiro desviado dos cofres públicos. De fato, as empresas são fundamentais neste esquema, já que além de atender a grupos mineiros, presta serviços também ao lobista Edson Fernandes, filho de João Faustino Ferreira Neto, filiado do PSDB e subsecretário da Casa Civil do governo de São Paulo, que tem forte atuação no Nordeste e em São Paulo.
 
A PF também verificou que Alexandre passou a receber depósitos regulares, em sua conta-corrente, feitos pelo empresário Márcio Andrade Bonilho, depois que o funcionário público começou a promover o direcionamento de licitações para a aquisição de produtos do empresário.
 
JAIME MARTINS – Desde que veiculou a primeira notícia na qual Jaime Martins é diretamente acuado de participar do esquema, o Jornal Divinews vem fazendo constantes tentativas de ouvir o deputado ou seus assessores. Nesta quinta-feira, a reportagem foi informada que Jaime Martins não estava na cidade. Sobre Marcos César, braço direito do deputado federal, a informação do escritório também foi a de que ele se encontra fora da cidade.
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