“Que eu saiba, não tem pagamento para o senhor Ricardo Tosto na minha prestação de contas. Tenho certeza de que não existe isso”, disse o deputado do PDT de São Paulo.
Sobre os R$ 37 mil que João Pedro Moura, suposto assessor de Paulinho, teria doado a ONG Meu Guri – do assessor e de sua esposa, ligada à Força Sindical – o deputado esclareceu que o dinheiro seria usado para pagar dívidas de um apartamento cedido por João Pedro à ONG.
Paulinho afirma que, como a Meu Guri não teria conseguido vender o imóvel, usou a quantia para pagar as despesas com condomínio e outros impostos do apartamento. “Meu Guri negociou com ele [João Pedro Moura]. Não seria justo ele pegar o apartamento de volta e não deixar nada para as crianças. Então a ONG conseguiu R$ 37 mil com ele”, refutou.
O depoimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, no Conselho de Ética da Câmara, foi interrompido na tarde desta terça-feira (8) por causa do inicio da Ordem do Dia, motivo pelo qual o Conselho continua com a sessão nesta quarta-feira (9)..
O parlamentar responde a processo por quebra de decoro parlamentar pelas acusações de envolvimento em esquema de desvios de recursos de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), disse que nessa primeira parte do depoimento o deputado não convenceu da sua inocência. “Não há nenhum convencimento. Nós temos que aprofundar as investigações, porque persistem dúvidas que precisam ser sanadas”, disse. Paulo Piau é favorável a uma reunião fechada do conselho para que o deputado Paulinho da Força possa dar explicações mais detalhadas.
A líder do P-SOL, deputado Luciana Genro (RS), considerou o depoimento frágil. Segundo ela, o deputado não deu as explicações necessárias e não conseguiu provar sua inocência, embora tenha afirmado que é inocente. “O depoimento não tem consistência. As explicações são frágeis, são superficiais. E a falta da documentação completa do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o processo nos impede de contrapor os argumentos dele de forma mais contundente”, disse.
O deputado Paulinho da Força reafirmou que é inocente, disse que não recebeu qualquer cheque e que nunca usou o seu mandato parlamentar para cometer qualquer irregularidade. Ele confirmou ser amigo dos acusados João Pedro de Moura e do advogado Ricardo Tosto, mas negou que tenha participado de qualquer esquema de desvio de recursos públicos.
O Conselho de Ética aprovou os requerimentos para convidar 17 testemunhas para depor no processo. Quatro delas foram apresentadas pela defesa de Paulinho e outras 13 pelo relator Paulo Piau.
João Pedro de Moura e Ricardo Tosto, testemunhas de defesa de Paulino, também foram convidados pelo relator Paulo Piau. As outras testemunhas de Paulinho são o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Entre as testemunhas propostas pelo relator estão a mulher do acusado, Elza Pereira, o coronel reformado Wilson Consani, o chefe da Operação Santa Tereza, delegado da Polícia Federal Rodrigo Levin e o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão.
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