Tradição e modernidade convivem bem no São João de Campina Grande

Publicado por: suporte

Na cidade, o marasmo. Hoje (24), dia de São João, é feriado em Campina Grande (PB). As comemorações foram na véspera, porque, diz a tradição, se a folia for muita no dia em que o santo é lembrado, ele pode acordar e a terra acabar em fogo. A crença contrasta com a modernidade do Parque do Povo, local que concentra os festejos no município. Mas o silêncio da cidade começou assim.

 
SÃO JOÃO NA PARAÍBA
(clique na foto para ampliar)  Fotos: Roosewelt Pinheiro/Abr

 Cantor tradicional de Campina Grande, foi Zé Calixto quem tocou “olha pro céu, meu amor! Vê como ele está lindo!”, do também paraibano Jackson do Pandeiro, enquanto perto da meia noite estouravam-se os fogos no show pirotécnico. Para ele, a festa junina não está perdendo suas características originais, mas está se modernizando e este é um reflexo do tempo.

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“Eu acho que ela [a festa] está se ampliando, crescendo e se multiplicando. Agora, como cresce muito, se modifica um pouco e alguém pode considerar isso como perda de característica, mas eu não considero assim. Eu acho está se ampliando para ficar cada vez mais bonita, mais rica e se investe muito mais. Eu só tenho é a elogiar”, defende.
 
A crença de que, se São João acordar com as chamas das fogueiras que comemoram o seu dia, ele sentirá vontade de descer do céu para pular fogueira com os mortais e o mundo acabará em fogo é relatada por Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Está quase esquecida, mas é o motivo pelo qual, na véspera de São João, inúmeras casas do município acendem fogueiras e não no próprio dia da celebração.
 
Muito antes do show pirotécnico, que começou ontem (23) às 20h, o céu parecia nublado: estava encoberto por uma fina camada da fumaça provocada pelas fogueiras caseiras. O Ministério Público estadual chegou a proibir o comércio de fogueiras na cidade – a fumaça traria problemas respiratórios à população e ao tráfego aéreo – mas o veto caiu. E elas foram acesas, mesmo que poucos saibam que essa era a forma de comemorar as colheitas, na Europa Medieval.
 
Na pirâmide, local central do Parque do Povo, uma quadrilha se apresentava. Estilizada, ela quase em nada se parece com a original. Esta nova forma de dançar quadrilha surgiu há pouco mais de 12 anos e é aceita com naturalidade pela população: mais uma tradição que parece se modernizar. Permanece a emoção de se apresentar no dia de São João.
 
“É muito gratificante poder concluir um trabalho, que vem sendo construído desde outubro, na noite de São João. Porque além de ser um presente, já que a noite de São João é o ponto alto da festa, termina um ciclo e começa outro”, diz o marcador e coreógrafo Bruno Rocha, 34 anos. A quadrilha Trilha Junina é do bairro de Cuités, o mesmo da Arraial em Paris.
 
Do lado de fora do parque, o dono de uma barraca de pamonha, canjica e milho, Severino Fiel dos Santos, prefere este São João mais moderno ao tradicional. Ele monta seu comércio há 25 anos em todas as festas juninas e já viu diminuir a demanda por comidas típicas, mas dá mais valor à organização do evento.
 
“O São João não está mais a mesma coisa, mas melhorou 100%. Mudou para melhor, porque antes era muito desorganizado, e os erros foram corrigidos”, relatou. Adaptado aos novos tempos, Severino também oferece outros pratos, como batatas fritas e cachorro-quente.
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