Segundo informações da polícia local, Samira Mahmoud Mazloum estava na sacada de seu apartamento quando foi atingida por um tiro. Não se sabe de quem partiu o disparo – moradores locais colocaram a culpa no Hezbollah e seu aliado, o partido Amal.
Segundo o primo da vítima, Abdo Nadi, também brasileiro, Mazloum tinha quatro filhos, dos quais dois ainda moram no Brasil. "Foi uma tragédia o que aconteceu, ela não tinha nada a ver com as brigas políticas", disse Nadi.
A brasileira morava em Barelias, uma cidade de maioria sunita, mas dividida entre partidários pró-governo e oposição, inclusive militantes do Hezbollah e do Amal.
COMBATES – Os combates entre oposicionistas e governistas começaram ainda durante a madrugada e duraram até as primeiras horas da manhã. Seguidores do Movimento Futuro, do líder sunita Saad Hariri, entraram em confronto com militantes do Hezbollah e do Amal.
Nos combates, foram usados fuzis, morteiros e lança-granadas, o que exigiu uma ação do Exército, que teve que enviar tropas para conter a violência. Confrontos ocorreram nas cidades de Barelias, Taalabaya, Saadnayel e nos vilarejos de Twiti e Qommol, todos no Vale do Bekaa, região que concentra muitos brasileiros. Além da brasileira, outras duas pessoas foram mortas e mais quatro ficaram feridas.
"Nós temos vivido sob um clima de medo e tensões constantes", diz Nadi. "Vários pequenos incidentes vêm ocorrendo, e não temos garantias de que o Exército vai nos proteger."
Nas últimas três semanas, vários confrontos armados foram registrados no Vale do Bekaa e em Beirute, o que exigiu ações do Exército e das forças de segurança. Na capital, quase diariamente ocorrem incidentes entre as facções políticas rivais. Por isso, o recém-eleito presidente Michel Suleiman determinou que as Forças de Segurança Internas e o Exército libanês coloquem tropas e veículos blindados para patrulhar as ruas e conter as tensões.
SEM GOVERNO – Desde a assinatura, no mês passado, do Acordo de Doha, que pôs fim a violentos conflitos que resultaram na morte de 65 pessoas e 200 feridos, somente a eleição do presidente Suleiman foi cumprida.
A maioria parlamentar apontou o primeiro-ministro Siniora para um novo mandato, com a missão de formar um novo gabinete. Mas, nas últimas semanas, as duas facções políticas não conseguiram chegar a um acordo sobre quais ministérios cada lado deve ganhar e quais devem ficar para o presidente.
A oposição liderada pelo partido xiita Hezbollah quer ministérios importantes, como os de Relações Exteriores, Defesa e Finanças, o que é totalmente rejeitado pelos governistas.
Com a demora na formação do governo e a alta nos preços de alimentos e combustíveis, o descontentamento e as trocas de acusações entre militantes de ambos os lados voltaram a crescer.
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