Vizinha diz que alertou avó de Isabella sobre madrasta

Publicado por: suporte

A professora de artesanato Benícia Maria Fernandes foi a quarta testemunha a prestar depoimento ao juiz do 2º Tribunal do Júri, Maurício Fossen, no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, sobre a morte da menina Isabella Nardoni. O depoimento só terminou no final da noite desta terça-feira. Vizinha da casa dos pais de Alexandre Nardoni, pai da criança e acusado no crime, a testemunha disse que avisou a avó de Isabella, Maria Aparecida Alves Nardoni, para não deixar a criança sozinha com a madrasta, Anna Carolina Jatobá, também acusada do assassinato. "Ela (Jatobá) é tão maluca que qualquer hora ela joga a menina lá de cima", teria dito ela para Maria Aparecida, segundo relato da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ).

A testemunha contou que, certa vez, presenciou uma briga entre o casal, na garagem da casa de Maria Aparecida. Benícia disse que durante a discussão viu Anna Carolina atirar uma ferramenta, não identificada, na direção de Alexandre, que conseguiu desviar. A vizinha afirmou que dias depois a mãe de Alexandre comentou sobre essa briga. O motivo teria sido uma ligação da ex-esposa de Alexandre, Ana Carolina de Oliveira, atendida pela madrasta de Isabella. Questionada pelo juiz sobre a reação de Alexandre, Benícia contou que ele não se alterou, pegou a esposa pelo braço e entrou em casa. Para a testemunha, Alexandre Nardoni sempre pareceu introvertido e Anna Carolina Jatobá, descontrolada.
 
Benícia também contou ter visto outro episódio de ciúmes de Anna Carolina. Certa vez, em um churrasco, ela afirmou ter visto a madrasta tirar Isabella do colo do pai para ela se sentar. A menina teria, inclusive, chorado em razão da ocorrência. Porém, a testemunha disse que nunca presenciou maus-tratos contra Isabella. Benícia não estava prevista para ser ouvida hoje. Seu depoimento estava marcado para o dia 25, mas como mora em Franca, no interior do Estado, e se encontrava em São Paulo, o juiz adiantou seu testemunho. Antes de começar o depoimento, a vizinha pediu a retirada do casal acusado do local.
 
DELEGADA – Após a vizinha da avó de Isabella, começou a ser ouvida a delegada que conduziu o inquérito do caso, Renata Helena Pontes. Segundo ela relatou ao juiz, a primeira informação recebida foi de que a ocorrência teria sido um roubo seguido de morte. Quando Renata chegou no prédio, Alexandre e seu pai, Antonio Nardoni, perguntaram se a polícia havia prendido algum ladrão.
 
Nas primeiras horas, a delegada afirmou que interrogou o morador do prédio Antonio Lúcio Teixeira – o que contou ter ouvido gritos de "Papai, papai, papai … pára… pára" – e o porteiro do Edifício London, Valdomiro da Silva Veloso. Foi então que ela, segundo contou no depoimento, percebeu que a tela na janela do apartamento do casal, no sexto andar, não havia sido cortada pela criança. Ela concluiu, então, de que a ocorrência se tratava de homicídio. "Não tenho notícia de crime patrimonial em que o agente joga uma criança pela janela." De acordo com Renata Pontes, entre o momento que ocorreu o crime até a conclusão do boletim de ocorrência, decorreram 18 horas. O depoimento da delegada ainda está em andamento.
 
CONCLUSÃO UNÂNIME – O legista do Instituto Médico Legal (IML) Paulo Sérgio Alves disse no seu depoimento sobre a morte da menina Isabella Nardoni, que a conclusão dos peritos do órgão sobre o caso foi unânime. A declaração foi uma resposta ao questionamento da defesa do casal acusado pelo crime, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, sobre se era comum haver divergência entre os peritos. Alves foi a terceira testemunha de acusação a depor no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, ao juiz do 2º Tribunal do Júri, Maurício Fossen.
 
O legista também afirmou que a perícia descartou a possibilidade de a asfixia na criança ter sido causada pela queda do sexto andar do Edifício London, como afirmou o médico-legista contratado pela defesa do casal George Sanguinetti, após reconstituição do crime, na quinta-feira. Alves disse no depoimento que é possível, ao contrário do que afirmou Sanguinetti, não haver lesões internas e externas em caso de esganadura.
 
Ao juiz, Alves ainda contestou a hipótese levantada Sanguinetti de que algumas lesões no corpo de Isabella teriam sido causadas pela equipe de resgate quando tentou reanimar a menina, após a queda. Segundo o legista do IML, a criança já estava morta quando o resgate chegou. O depoimento de Alves durou cerca de 1h30.
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