Advogado crê em perseguição do Exército a sargentos por opção sexual

Publicado por: suporte

O advogado do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) em São Paulo, Francisco Lúcio França, destacado para acompanhar o caso da prisão do sargento Laci Marinho de Araújo, detido pelo Exército por deserção dias após confessar um relacionamento homossexual com outro sargento (Fernando de Alcântara), acredita que os dois militares são vítimas de perseguição por sua opção sexual.

“As coisas se acirraram após a entrevista dada à revista Época [quando os dois militares revelaram o relacionamento]. O apartamento deles foi invadido, totalmente quebrado e os dois receberam ameaças de morte pelo telefone”, afirmou França.
 
Segundo o advogado, na opinião dos próprios militares envolvidos, a acusação de deserção “é um artifício usado para prendê-los e afastá-los do convívio social”. Isso pelo fato de serem o primeiro casal militar homossexual a revelar sua opção.
 
“Eles estão rompendo um tabu nas Forças Armadas, apesar de entenderem que há outros casos lá dentro de pessoas que não se revelam. E se a opção sexual é deles, que é livre e garantida pela Constituição, por que eles teriam que se omitir?”, questionou França.
 
O sargento Laci Marinho de Araújo, que está sob cuidados médicos, foi transferido nesta quinta-feira (5/6) para Brasília, onde permanecerá à disposição da Justiça Militar. Ele foi preso em São Paulo, na madrugada desta quarta-feira (4), após participar de uma programa de televisão, que repercutia a entrevista (leia).
 
“Ele [Laci] mora no Setor Militar em Brasília num apartamento funcional. Então se ele era desertor, porque não foi preso antes? Por isso, a alegação de que a prisão foi feita em decorrência da opção sexual assumida pelos dois”, disse o advogado França.
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