A senadora considerou frustrante a CPI, que poderia ter se aprofundado mais nas investigações sobre os cartões. "Podíamos ter dado mais respostas à sociedade, podíamos ter caracterizado quem realmente está usando indevidamente o cartão de pagamento. Faltou ser muito mais clara e efetiva essa CPMI.. Isso me frustrou, porque acredito que uma comissão de inquérito tem de investigar e, se ela não investiga, perde muito de seu conteúdo", disse Marisa Serrano
Sobre o vazamento de dados do suposto dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não foi mencionado no relatório final, Marisa Serrano disse esperar que a Polícia Federal, que investiga o vazamento dos dados, faça o indiciamento dos envolvidos. "O governo está se esmerando em usar dossiê, e estou sabendo que agora o caso da VarigLog tem dossiê. Se esse dossiê é um crime, e isso foi contabilizado como tal, tenho certeza absoluta de que a Polícia Federal vai apontar, em seu relatório final, os verdadeiros envolvidos no caso”, disse Marisa Serrano.
O relator Luiz Sérgio afirmou que não pediu o indiciamento por achar que isso seria irrelevante. Segundo o deputado, em toda CPI, discute-se se a comissão vai indiciar aqueles que são responsáveis por alguma irregularidade. “Por isso, há esse debate se o relator vai pedir ou não o indiciamento. Isso é irrelevante. O Ministério Público, a partir do relatório da CPI, tem poder para indiciar, ou não, independentemente de haver pedido”, disse Luiz Sérgio.
Para a oposição, a CPI terminou em pizza. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou a falta de pedidos de indiciamento no relatório final. "CPI é para investigar indícios de culpa, suspeições, para que o Ministério Público e a Justiça avalizem. O que houve, na verdade, foi a montagem de uma tropa de choque com a ordem palaciana para não investigar nada, não deixar acontecer nada que arranhe a ministra Dilma [Rousseff, chefe da Casa Civil] e o presidente Lula", afirmou o senador.
O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), autor do voto em separado da oposição, afirmou que fez mais de 400 pedidos de indiciamento que julgou necessários às investigações da comissão e que não foram acatados pelo relator da comissão. "O relatório final e o paralelo [o voto em separado da oposição] serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Federal. Agora temos provas, dados suficientes para que a justiça possa atuar de acordo com o que precisa para acabar com o abuso no uso dos cartões corporativos", explicou Índio da Costa.
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