O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que, se for preciso, vai fazer uma limpeza na polícia para expulsar os soldados ligados a milícias. “Se tivermos provas, é lógico que vamos fazer isso, não tenha dúvida. Prendendo e botando na rua o mau policial, nós estamos valorizando o bom policial.” Segundo ele, só na sua gestão já foram expulsos mais de 200 policiais militares.
Beltrame afirmou que pretende prender as lideranças da milícia que atua na favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste da cidade, e não apenas os níveis inferiores da organização. O grupo formado por policiais e bombeiros é acusado de ter seqüestrado e torturado uma equipe do jornal O Dia que estava fazendo uma reportagem na comunidade.
Ele defendeu a criação de uma vara de Justiça especializada no crime organizado. “Nós precisamos ocupar territórios em que o Estado não vai, a não ser com o braço armado da polícia. Precisamos ter no Rio de Janeiro uma vara de Justiça de crime organizado.”
Beltrame recebeu os deputados federais Marina Maggesi (PPS-RJ), Raul Jungmann (PPS-PE) e Neilton Mulin (PR-RJ), da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que foram buscar informações sobre as investigações do caso. Depois da reunião, Jungmann, que preside a comissão, disse que a apuração está adiantada e que os criminosos devem ser presos em breve.
“O secretário de Segurança assegurou que está muito próximo de apresentar inclusive quem foi o mandante do crime. Ele já tem informações dos aparelhos GPS [localizadores via satélite] dos carros policiais que transitaram no local e sabe que tem envolvimento de policiais”, disse Jungmann.
Segundo Jungmann, existem cerca de 100 grupos de milícias atuando no Rio de Janeiro. “A população fica imprensada entre o narcotráfico e a milícia. Ambos são crime que têm que dar lugar à segurança pública e ao Estado de Direito, através da força regulada pela lei.” Para o deputado, o caso ameaça a democracia, na medida em que se tenta calar e impedir a imprensa de relatar a situação vivida pelas comunidades do Rio de Janeiro.
O crime contra uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia ocorreu duas semanas atrás, mas só foi revelado no último sábado, para não atrapalhar as investigações. O grupo estava vivendo disfarçado na favela do Batan para mostrar como era a vida de uma comunidade dominada pela milícia.
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