Rio identifica torturadores de jornalistas

Publicado por: suporte

A polícia já identificou os milicianos que seqüestraram e torturaram uma equipe de reportagem do jornal O Dia no dia 14. Segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, houve a participação de policiais no crime. Os jornalistas trabalhavam em uma reportagem sobre a ação de milícias na Favela do Batan, na zona oeste da cidade. Beltrame, porém, disse que "ainda não é hora" de ocupar a área e prender os criminosos, pois não há provas suficientes para condená-los.

Uma repórter, um fotógrafo e um motorista ficaram mais de sete horas em cárcere privado. Eles estavam vivendo em uma casa alugada na favela e foram denunciado às lideranças da milícia que controla o local. Os três foram agredidos com socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico e roleta russa. Eles, no entanto, não fizeram exame de corpo de delito que comprovasse as agressões. Beltrame admitiu que o fato pode prejudicar o trabalho da polícia, mas disse reconhecer que o medo os levasse a tomar tal atitude. Segundo ele, o problema é não haver elementos que levem ao flagrante.
 
"É difícil que uma testemunha concorde em ir a juízo depor em casos assim", apontou. "Por isso, é um trabalho longo e árduo da inteligência. Não adianta só prender, temos de ter provas para condenar e extirpar essas pessoas da polícia." O secretário não quis estipular um prazo para prender os envolvidos no crime contra os jornalistas, que viviam na favela havia duas semanas para uma reportagem sobre a ação dos milicianos.
 
As milícias controlam 63 favelas nas zonas norte e oeste da cidade, segundo levantamento da prefeitura. São grupos paramilitares, formados por policiais militares, civis e bombeiros da ativa e da reserva, que expulsaram facções criminosas e assumiram a "segurança" das comunidades.
 
A Favela do Batan foi alvo de uma operação policial na noite de ontem, momentos depois de as agressões terem sido noticiadas, mas o resultado foi pífio: foram apreendidos cinco revólveres enferrujados, dois deles sem gatilho. Os policiais estiveram na Rua São Dagoberto, 91. No local, além das armas quebradas, apreenderam 180 botijões de gás e 17 galões de água, além de aparelhos conversores e moduladores de canal, usados no serviço pirata de TV a cabo.
 
Beltrame disse que a operação não teve a ver com as agressões aos repórteres e que deve ter sido uma operação de emergência, atendendo a chamado do 190 ou do disque-denúncia. "As operações contra milícias são feitas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco)", ressaltou.
 
SEGURANÇA REFORÇADA – Funcionários de O Dia foram orientados a não comentar o caso, principalmente por rádio ou telefone. As portas da sede da empresa ficaram fechadas ontem e a segurança do prédio foi reforçada.
 
O combate às milícias é uma das prioridades da Secretaria de Segurança. "O miliciano é um marginal ao quadrado, porque usa a estrutura do Estado, a carteira e o emblema da instituição", disse Beltrame. Segundo ele, o número de comunidades controladas por esses grupos caiu de 122 para "menos de 100" desde o início dos trabalhos. Ele não quis dar detalhes sobre investigações específicas, incluindo a referente às agressões aos repórteres, alegando que poderia atrapalhar os trabalhos.
 
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados divulgou nota ontem condenando a ação da milícia da Favela do Batan e cobrando providências do governo estadual.
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