Depois de duas horas realizando buscas em um apartamento na Rua 5 de Julho, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, três equipes da Polícia Federal chefiadas por um delegado do setor de Inteligência prenderam, na manhã desta quinta-feira, 29, o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ). Ele é ex-chefe da Polícia Civil do governo Anthony Garotinho e de Rosinha Matheus Garotinho. Segundo nota divulgada pela PF, Garotinho foi denunciado pelo crime de formação de quadrilha armada.
Álvaro Lins comandou a Polícia Civil do Rio nos governos de Garotinho e da mulher dele, Rosinha. O atual deputado estadual é investigado desde 2006 suspeito de ter protegido os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio na guerra pelo controle de caça-níqueis. De acordo com a PF, o mandado de prisão executado era por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, corrupção passiva e facilitação ao contrabando.
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OPERAÇÃO SEGURANÇA S/A
Fotos: Ricardo Abreu
Anthony Garotinho foi denunciado por formação de quadrilha armada
Álvaro Lins, denunciado por vários crimes
Por se tratar de parlamentar, Lins só pode ser preso em flagrante delito. Ele foi levado para a sede da Superintendência, no Centro da cidade. A tese da PF é de que ele está em crime permanente de lavagem de dinheiro, por residente em imóvel adquirido com verba suspeita.
A acusação dos federais é de que o apartamento, teoricamente, foi obtido a partir de dinheiro ilícito recebido enquanto Álvaro Lins ocupava a chefia da Polícia Civil do Rio. De acordo com a nota da PF, o deputado também é acusado de corrupção passiva e facilitação ao contrabando.
A polícia informou que prendeu também o inspetor Mário Franklin, o "Marinho", ex-coordenador de Campanha do ex-chefe da Polícia Civil Alvaro Lins. A operação, batizada de Segurança Pública S/A, ainda deverá prender outros policiais civis. Segundo a nota divulgada pela PF, serão sete mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A ação é um desdobramento da Operação Gladiador, feita em dezembro do ano passado para investigar a máfia dos bingos e máquinas caça-níqueis.
De acordo com as primeiras informações, está na lista de mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal o nome do delegado Ricardo Halack, que substituiu Lins na chefia da Polícia Civil quando ele de descompatibilizou em 2007, para concorrer nas eleições do ano passado. A PF não informou se Garotinho está na lista dos mandados de prisão preventiva.
Na época da campanha para deputado, Álvaro Lins enfrentou acusações de uso irregular de carros oficiais, armas e agentes do Estado para sua segurança. Houve suspeitas de que ele tivesse prometido contratar "excedentes aprovados em concurso da Polícia Civil, em troca de votos.
Os trabalhos desta quinta, de acordo com a PF, são desdobramentos da operação Gladiador, realizada em 2006, que culminou no fechamento de 28 casas de bingo e apreensão de 4.800 máquinas caça-níqueis no Rio. Naquela ocasião, os investigadores pretendiam realizar buscas em locais ligados a Lins, mas acabaram impedidos porque ele havia sido diplomado deputado dias antes – logo, tinha imunidade parlamentar. Segundo a própria PF, desta vez, os policiais prenderam Lins não por força de mandado, mas em flagrante – procedimento que independe da imunidade.