Após o incidente do dia 14 de maio, com o menino André Luis Rodrigues do Carmo Silva, de 9 anos, que morreu após ingerir medicamentos controlados no Abrigo Homem de Nazaré (leia), a Vigilância Sanitária iniciou uma inspeção em todos os abrigos da cidade, especialmente os que comportam crianças em situação de risco.
De acordo com a enfermeira da Vigilância Sanitária, Andréia Dellaretti, o primeiro a ser vistoriado foi o Abrigo Homem de Nazaré. Na data da morte do menino André, os medicamentos eram mantidos na cozinha, em cima da geladeira, dentro de um recipiente com tampa, conforme informações que foram fornecidas pelos responsáveis pelo Abrigo, durante a vistoria. “O acidente não foi previsto pelos funcionários que não cogitaram a idéia dos adolescentes alcançarem o recipiente”, disse Andréia. Ela diz ainda que “conforme foi verificado na vistoria, o procedimento já havia mudado sobre a guarda dos medicamentos. Eles estavam armazenados na dispensa do abrigo, que permanece trancada e sobre a supervisão apenas de funcionários do local”.
Até hoje (27) também foram vistoriados os abrigos São Francisco de Assis e Cervos da Cruz, onde os medicamentos controlados são mantidos trancados e sob a supervisão dos funcionários. Já abrigo Mãe do Perpétuo Socorro não possui nenhuma criança que faz uso de remédios controlados. A faixa etária dos internos nos abrigos vistoriados varia de cinco meses a 17 anos, entre meninos e meninas.
A dentista da Vigilância, Maria Clesa, afirma que “durante as vistorias foram colhidas informações sobre a forma usada nesses locais para armazenamento de medicamentos, especialmente os de tarja preta”. A idéia foi orientar sobre a melhor forma de se lidar com este tipo de remédio, especialmente onde há crianças. As vistorias continuarão no decorrer do mês, em outros abrigos, e também em dois asilos que não são cadastrados pela vigilância.
INQUÉRITO POLICIAL – Diante da instauração do inquérito policial para apurar o caso de André Luis, a delegada responsável pela investigação, Aparecida Dutra, informa que serão apuradas as responsabilidades em que ocorreram os fatos “visto que no dia (14) foi feita a perícia no local, para constatar em que condições estavam armazenados os medicamentos”. A delegada diz ter sido verificado que os medicamentos estavam armazenados em um armário na cozinha. Foi feito um croqui do armário para verificar se a altura das crianças ou o local permitiram fácil acesso aos menores.
O corpo do menor foi necropsiado em fragmentos de órgãos como fígado, rins e coração e encaminhados a Belo Horizonte para verificar a concentração de medicamento e qual a substância que continha. O laudo pericial, exames toxicológicos e laboratoriais, feitos na capital levam de 20 ou 30 dias para retornarem a Divinópolis. Aparecida Dutra afirma que após a chegada dos laudos, eles serão encaminhados ao médico legista para que possa fornecer o laudo definitivo.
No decorrer desta semana estão sendo agendados os depoimentos dos responsáveis pelo abrigo, monitores presentes no dia do fato e todos que tinham acesso aos medicamentos. A grande questão para a Polícia Civil é “de que forma eram ministrados estes medicamentos”. Segundo a delegada, os adolescentes também serão ouvidos, devido a informações de que os medicamentos já haviam sido distribuídos entre eles.
A polícia aguarda do Pronto-Socorro Regional que sejam encaminhadas as caixas dos medicamentos levadas na ocasião pelo Corpo de Bombeiros. E, conforme solicitação Judicial, aguarda também informações sobre os procedimentos médicos a que foram submetidos os menores durante o atendimento inicial feito pelo Pronto-Socorro.
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