Funed implanta diagnóstico de hantavirose em Minas

Publicado por: suporte

Com a implantação do diagnóstico em Minas, o laudo poderá ser liberado em até cinco dias úteis. Antes, as amostras recebidas pela Funed precisavam ser encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, referência nacional na técnica, e os resultados demoravam em média 30 dias. “A rapidez do resultado auxilia o planejamento das ações de vigilância epidemiológica”, explica a veterinária Simone Berger Calic, responsável técnica pelo Laboratório de Riquetsioses e Hantavirose da Funed. Em média, por mês, serão processadas 50 amostras.

A hantavirose é uma doença de alta letalidade – o número de mortes pode chegar a 50% dos casos – e ataca principalmente o pulmão, causando insuficiência respiratória aguda. Os principais sintomas são febre, mialgias, dor abdominal, vômitos, dores de cabeça e tosse. Esses sinais são semelhantes aos de outras doenças, daí a importância de um diagnóstico diferencial, que auxilie o médico na indicação do tratamento. A enfermidade está incluída na lista de notificação compulsória do Ministério da Saúde e, em Minas, faz parte do protocolo de febres hemorrágicas.
 
Segundo Mariana Gontijo de Brito, médica veterinária referência do Programa de Hantavirose da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o diagnóstico realizado em Minas Gerais traz reflexos muito positivos para as ações de vigilância. “A identificação de um novo caso permite que as equipes da SES ajam rapidamente junto à população e às autoridades de saúde locais, fornecendo orientações para prevenção e controle da doença”, explica Mariana. De acordo com a veterinária, Minas Gerais exerce um acompanhamento ativo da hantavirose, o que torna possível reduzir a mortalidade entre os pacientes.
 
Além do Adolfo Lutz, apenas a Fiocruz realizava o diagnóstico da hantavirose no Brasil. A maior dificuldade estava na aquisição do antígeno– elemento necessário para a realização do exame –, importado da Argentina. Recentemente, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) passou a produzir o kit de diagnóstico nacional, que é fornecido gratuitamente à Funed. A Fundação foi a primeira a receber a descentralização do diagnóstico dessa patologia, por contar com capacidade instalada e mão-de-obra qualificada. A farmacêutica Ana Íris de Lima Duré participou de um treinamento no IBMP, em que foi apresentada ao kit e qualificada para a realização do exame.
 
Nessa primeira fase de realização do diagnóstico em Minas, as amostras estão sendo processadas na Funed e também enviadas ao Instituto Adolfo Lutz para a realização do controle de qualidade, que é de praxe, para só então haver a liberação do resultado. Nos próximos meses, a Fundação já estará apta a liberar os laudos.
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