Não há previsão de alta para o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (DEM), da favela de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. Ele está internado no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, desde a noite desta segunda-feira (1), quando foi atingido por tiros na barriga e nas pernas. Acusado de envolvimento com o crime organizado, Naldinho estava chegando em casa quando sofreu o atentado.
De acordo com testemunhas, os disparos contra Naldinho foram feitos por dois homens que ocupavam uma moto. A polícia suspeita que ele foi vítima de vingança. O vereador, que não conseguiu se reeleger na última eleição e ficou como segundo suplente do DEM, foi submetido a cirurgia para retirada de uma bala da região toráxica e seu estado de saúde é estável.
Naldinho é acusado de integrar uma milícia que age na zona oeste do Rio e suspeito de ser o mandante do assassinato do inspetor da Polícia Civil Félix dos Santos Toses, ocorrido no ano passado. O vereador chegou a ser preso por um dia e vai a júri popular com outros dois policiais civis denunciados por envolvimento no crime.
Na semana passada, a viúva do inspetor Félix, Maria do Socorro Tostes, 42 anos, também teria sido vítima de um atentado. Ela foi atingida por dois tiros quando dirigia seu carro pela estrada de Jacarepaguá. A mulher continua internada em um hospital particular na cidade.
ACUSAÇÃO – O assassinato do inspetor de Polícia Civil Félix Tostes, em fevereiro do ano passado, teria sido articulado pelo vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras, em cumplicidade com o deputado estadual Natalino Guimarães e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), que estão presos em Bangu 8, acusados de chefiar a milícia autodenominada Liga da Justiça. Com a execução de Félix, então chefe dos paramilitares em Rio das Pedras, os três políticos passariam a controlar a cobrança de taxas de proteção, o transporte alternativo e as centrais clandestinas de TV a cabo.
A articulação entre Nadinho e a Liga da Justiça foi denunciada aos deputados da CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio. Em depoimento, Getúlio Rodrigues Gamas, presidente da cooperativa de vans de Rio das Pedras, também atribuiu ao grupo o assassinato de Márcio de Oliveira Guedes, em novembro de 2006. Dono da M.G. Automecânica, ele teria sido morto, segundo Getúlio, por não ter colaborado com o plano para matar Félix.






