A declaração foi feita minutos antes de Marchionne se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que realiza uma visita de Estado à Itália até esta quinta-feira.
“O Brasil não está tendo uma crise. Temos que ser cautelosos para não confundir o Brasil com o resto do mundo. O resto do mundo está num estado bem diferente”, disse o presidente da Fiat.
Marchionne reconheceu que a crise mundial “certamente terá repercussões” na economia brasileira, mas, segundo ele, a estrutura da crise no Brasil é fundamentalmente diferente da de outros países, especialmente dos Estados Unidos.
QUEDA NAS VENDAS – Segundo dados do setor automotivo, em outubro as vendas de veículos no Brasil registraram queda de 11,6% em relação a setembro e 4% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Para Marchionne, a queda é atribuída à contração do crédito. “Mas isso também não é uma reação à contração do crédito em outros lugares. A contração do crédito nos Estados Unidos e em outros lugares está ocorrendo porque o sistema em si não tem liquidez necessária para sustentá-lo”, avaliou.
Já no Brasil, segundo ele, os motivos são outros, e entre eles estariam as variações nas taxas de câmbio. Para o presidente da Fiat, isso estaria alterando as condições normais de comércio. “Temos que esperar até este processo acabar. Eu não acho que vai durar muito. O presidente Lula reconhece a questão e acho que vai fazer tudo para eliminar o problema. É um problema temporário. Não é de natureza global, como em outros países”, disse.
Ele acha que as condições normais de crédito poderão voltar dentro de 90 dias no Brasil. “Eu duvido muito que vamos ver o mesmo tipo de recuperação em outros países”. O presidente mundial da Fiat disse ainda que a montadora costuma rever seus investimentos com freqüência, mas decidiu não adiar nada e manter todos os seus compromissos no Brasil, “o que é um bom sinal”.






