Os estudantes dos cursos de Medicina, Farmácia e Enefermagem da Universidade Federal de São João del-Rey, continuam com o boicote às aulas, iniciado na última quarta-feira (29). Eles reivindicam mais professores, aparelhamento dos laboratórios, estrutura física adequada e, principalmente, querem que seja suspenso o vestibular marcado para 2009, que abrirá 100 novas vagas para os dois cursos.
Esta semana os estudantes fizeram passeata e ocuparam a Tribuna Livre da Câmara Municipal, com o objetivo de chamar a atenção para o movimento. Na noite desta quinta-feira (30), eles fizeram panfletagem na região do Restaurnate Popular, colocando cartazes e faixas alusivos ao movimento. Além dos postes e muros na região, os estudantes também usaram paredes do restaurante para afixar cartazes, o que revoltou a população. A leitora Mariagnela Sousa, em comentário postado na matéria publicada pelo Divinews.com, mostrou indignação com a atitude dos estudantes em usar um prédio público para a manifestação. “Estamos abismados com a depredação ocorrida esta noite no prédio do nosso Restaurante Popular. Os universitários baderneiros pregaram planfletos na faixada do prédio público danificando a pintura recente. Isto é uma demostração clara de falta de educação. Acredito que esses estudantes desconhecem os custos de uma obra em flagrante desreito ao dinheiro público que custeia os seus estudos”, escreveu Mariangela (leia).
O gerente do Restaurante Popular, ex-vereador Sebastião Gomes Guimarães, confirmou o vandalismo. “Vai haver dificuldade para retirar o cartaz e acho até que vai danificar a pintura. A gente não esperava que estudantes de nível universitário pudessem agir dessa forma. Eles podem e devem reivindicar, mas é preciso fazer isso de forma ordeira”, disse ele.
Na sessão da Câmara desta quinta-feira (30), o estudante de medicina Pedro Caldeiras Bretas, usou a Tribuna Livre como porta-voz dos alunos manifestantes. “A impressão que nós temos é que o nosso campus foi uma jogada política e o próprio nome já diz, Dona Lindu, nome da mãe do Lula”, disse o estudante. Ele voltou a afirmar que os problemas principais no campus são a falta de professores, de estrutura e currículo.
De acordo com o estudante, atualmente há apenas sete professores médicos, sendo apena dois efetivos. Pedro Bretas disse que ma portaria federal determina que antes de abrir qualquer curso de medicina é necessário que já estejam contratados todos os professores até o 4º período. Determina ainda que todos os laboratórios do ciclo básico já estejam montados e equipados. “A gente não tem isso”, disse Pedro Bretas.
De acordo com o estudante, a estrutura física também não oferece as condições adequadas. “Até hoje nós só temos um prédio e que ainda não foi terminado”, afirmou. Pedro Bretas também denunciou que o anúncio de um hospital-escola é fantasioso. “Nós não sabemos nada disso e pelo que nos foi informado não há previsão para um hospital-escola nos próximos dois anos”. Ele informou ainda que há apenas duas salas de aulas para os quatro cursos – Medicina, Enfermagem, Bioquímica e Farmácia. “Temos que nos revezar para assistir aula e quando alguma coisa foge do programa e temos que ter uma aula extra, vira bagunça”, denunciou. “Prefeitura, reitoria e administração do campus vão dizer que na semana que vem vão abrir licitação para isso, para aquilo, mas agente está ouvindo isso desde o primerio dia de aula. E nós já estamos cansados, já não aguentamos mais ouvir promessas, sem solução”.
O estudante disse ainda que além dos cursos de Medicina e Enfermagem, os alunos de Farmácia também aderiram à greve. “Nós não voltaremos às aulas enquanto não houver solução para nossas reivindicações”, disse Pedro Bretas.
O presidente da Câmara Municipal, Marcos Vinícius Alves da Silva disse que o Leislativo Municpal é solidário à causa dos estudantes. “A causa que os estudantes defendem é uma causa justa e que deve merecer engajamento de todos nós, comprometimento, o apoio, a luta, para que esta questão seja de fato resolvida e possamos ter melhor estrutura na Universidade Federal, especialmente no Campus Dona Lindu”, disse Marcos Vinícius.




