Deputado diz que negociata do senador com Eros Biodini foi o que propiciou a vitória de Márcio Lacerda já no primeiro turno

Publicado por: suporte

Rogério no plenário da Assembléia Legislativa na última quarta-feira (15):

“Toda segunda feira a gente lê e fazemos um aparte ao senador pra fazer uma contraposição ao que o senador anda pensando da vida e sempre temos uma análise critica em uma diferença política, de forma respeitosa, mas sempre escrevemos essa diferença”

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Disse o deputado Rogério Correia na sua resenha do artigo do senador Aécio, na última segunda feira, em que ele discorreu sobre reforma política. “ele escreveu que na história deste país nenhum governo foi capaz de lidar com o vespeiro da reforma política – Preferiram o caminho da acomodação dos interesses para acolher um quadro partidário sempre favorável ao governismo”. Rogério em tom crítico diz que o senador reclama que as reformas são feitas sempre para favorecer ao governo nas estruturas, de secretários, sempre para acomodar interesses políticos, se referindo a isto como um defeito, então ele (senador) diz: “e também aos balcões em que presidentes, governadores e prefeitos tem que negociar a composição de suas bases legislativas nem sempre sob a força das convicções e dos programas, mas da generosa repartição de fatias da administração em contrapartida ao apoio político, em nome da governabilidade”.

O deputado estadual então diz: “Ele faz essas críticas na segunda –feira e na quarta ele age completamente diferente do que escreveu – Hoje nós ficamos sabendo que foi nomeado o deputado federal Eros Biondini e também o filho do prefeito Márcio Lacerda, exatamente aquele que não quis ser candidato em Belo Horizonte, desistiu. E agora ganhou uma Secretaria, negociada pelo senador Aécio Neves. Esse mesmo que na segunda-feira escreveu uma coisa e na quarta faz exatamente diferente daquilo que escreveu – Mas o senador não se importa com o que ele fala, a incoerência dele, a cara de pau, por que isso já é cara de pau. Ele não se incomoda por que a imprensa não repercute, ninguém fica sabendo – Então, o senador pode tudo fazer neste Brasil, tudo fazer, tudo falar e nada é criticado por que é escondido – Mas vejam a imagem. Na segunda ele critica essa forma de fazer politica de trocar interesses políticos por cargo e na quarta é nomeado aquele que desistiu de ser candidato a prefeito de Belo Horizonte para que o senador visse contemplado o seu candidato que ganhou a eleição por 2,69%.

Provavelmente se o Eros Biondini não tivesse ganhado o cargo de secretário que ele ganhou antes, nós teríamos o segundo turno nas eleições de Belo Horizonte. Tai a negociata expressa feita pelo senador, que tem a coragem de na segunda-feira escrever na folha de São Paulo o contrário do que ele aplicou na quarta-feira – Quero só registrar a cara de pau do senador Aécio Neves”

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REPRODUÇÃO DA COLUNA DO SENADOR AÉCIO NEVES NA FOLHA

Neste outubro respira-se política no Brasil. Correm as eleições municipais e avança o julgamento do mensalão no STF, um divisor de águas no país.

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Se da corte vem o recado inequívoco de que não há mais espaço para se tolerar práticas ilícitas na política, o julgamento teve outro mérito: expor, às claras, as entranhas e as fragilidades do atual sistema partidário brasileiro.

Nenhum governo, na história recente do país, foi capaz de lidar com o vespeiro da reforma política, preferindo o caminho da acomodação dos interesses para acolher um quadro partidário sempre favorável ao governismo.

Assim a política nacional transformou-se em um varejão de partidos, muitos sem representatividade, ideologia, ou razão de existirem, a não ser apoiar grupos de poder ou por motivações ainda inconfessáveis. Registradas no TSE existem hoje 30 legendas, das quais 24 com representantes no Congresso, 9 delas ou 37% com bancadas de 1 a 5 parlamentares.

O resultado é uma pulverização que leva ao empobrecimento do debate e do exercício da política. E também aos balcões em que presidentes, governadores e prefeitos têm que negociar a composição de suas bases legislativas nem sempre sob a força das convicções e dos programas, como se vê caso do mensalão, ou nos exemplos da generosa repartição de fatias da administração em contrapartida ao apoio político, em nome da governabilidade.

Se o não enfrentamento da reforma neste campo é pecado comum a todos os que tivemos a responsabilidade de governar, acredito que é ainda mais grave na órbita dos últimos governos. Com a notória popularidade verificada no início de seus mandatos, poderiam ter usado parte desse capital político acumulado para fazer avançar as bases da política brasileira. Ao invés disto, preferiram um Congresso subserviente para tocar o dia a dia da administração.

Não há como passar pelo primeiro turno das eleições municipais sem chamar a atenção para o grande número de abstenções e de votos brancos e nulos. Acredito que eles carregam um claro recado quanto ao tamanho do desalento do eleitor e a um sempre perigoso distanciamento da sociedade da política.

Ao mesmo tempo devemos saudar o processo inverso, que aponta para uma aproximação entre essa mesma sociedade e o Poder Judiciário.

Ao agir com responsabilidade, o STF honra a confiança e a expectativa de uma população cansada de ver amortecido o seu desejo por justiça. E a identificação da população com suas instituições é patrimônio valioso de uma sociedade.

Quem sabe agora, rompendo a barreira da impunidade, haverá espaço para o encaminhamento, em um novo patamar ético, da tão necessária reforma política?

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras neste espaço.

Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.

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