Os supermercados de Minas Gerais estudam alternativas para reorganizar as equipes diante da mudança na jornada de trabalho prevista para dezembro. Entre as possibilidades discutidas pelo setor está a contratação de funcionários por hora trabalhada, modelo que permitiria reforçar o atendimento em períodos específicos do dia, sem necessariamente ampliar a jornada dos demais empregados. A proposta, no entanto, ainda não tem definição e depende de discussões sobre sua aplicação.
A preocupação das empresas está relacionada à necessidade de manter as lojas funcionando durante toda a semana, inclusive aos sábados e domingos, enquanto os trabalhadores passam a contar com dois dias de descanso remunerado. Para o setor supermercadista, a mudança exigirá uma reorganização das equipes e novas estratégias para preencher os horários de maior movimento.
O assunto ganhou força após declarações do presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni, durante a abertura da 38ª Superminas Food Show, realizada em Belo Horizonte. Na ocasião, ele reconheceu que as empresas ainda não encontraram uma solução definitiva para adaptar as operações às novas regras.
” Nós vamos ter que nos reinventar em relação à mão de obra”, afirmou o dirigente ao comentar os desafios que o setor terá pela frente.
Contratação por hora entra na discussão
Uma das alternativas defendidas pelo setor é ampliar a possibilidade de contratação de profissionais com remuneração calculada pelas horas efetivamente trabalhadas, no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Conhecido como contrato horista, esse formato permitiria distribuir os funcionários conforme a demanda de cada estabelecimento.
Na prática, um supermercado poderia contar com profissionais em períodos de maior movimento, como horários de pico, finais de semana e datas de grande procura, sem precisar manter toda a equipe durante o mesmo período. A proposta também poderia atrair pessoas que procuram jornadas mais flexíveis ou têm disponibilidade para trabalhar apenas em determinados horários.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também defende a discussão desse modelo. A intenção apresentada pela entidade é permitir a contratação por hora com carteira assinada e preservação dos direitos trabalhistas.
Apesar disso, o setor ainda precisa avançar nas discussões sobre as regras de funcionamento dessa modalidade, inclusive em relação à regulamentação e aos acordos coletivos. Portanto, não existe uma decisão para que as redes adotem imediatamente esse formato como substituição às escalas atuais.
Quando começa a mudança na escala 6×1?
A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro, estabeleceu a redução gradual da jornada semanal de trabalho e a ampliação do descanso remunerado. A partir de 16 de dezembro de 2026, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de repouso remunerado por semana, enquanto o limite da jornada semanal cai de 44 para 42 horas.
A transição continuará nos meses seguintes. Em 16 de dezembro de 2027, o limite semanal chegará a 40 horas, sem redução salarial.
Com isso, empresas de diferentes setores precisarão rever a distribuição das jornadas e o número de funcionários necessários para manter suas atividades. No caso dos supermercados, o desafio envolve conciliar os períodos de descanso dos trabalhadores com o funcionamento das lojas, que tradicionalmente atendem ao público todos os dias.
Supermercados pretendem manter funcionamento aos domingos
Apesar das mudanças, o setor ainda não discute uma alteração nos dias e horários de funcionamento das lojas. A preocupação das empresas está concentrada na disponibilidade de mão de obra para manter o atendimento, principalmente nos períodos de maior movimento.
Segundo Alexandre Poni, cada rede deverá avaliar a própria realidade e encontrar alternativas para organizar as equipes. A contratação por hora aparece nesse cenário como uma possibilidade, mas não representa uma decisão já tomada pelo conjunto dos supermercados mineiros.
A expectativa é que as discussões avancem com a participação das entidades representativas, empresas e sindicatos, especialmente diante da proximidade do início das novas regras.






