O Brasil escreveu neste domingo (25), mais um capítulo histórico de sua democracia. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos 80 anos, conquistou pela quarta vez a Presidência da República ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A vitória representa um feito inédito: nenhum outro brasileiro havia sido eleito quatro vezes presidente pelo voto direto. Depois de terminar a primeira etapa da disputa em segundo lugar, o ex-metalúrgico conseguiu uma virada eleitoral que contrariou o resultado inicial das urnas e encerrou uma campanha marcada pela polarização. Com 99,87% das seções totalizadas, Lula registrava 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio.
Lula conquista feito inédito na história das eleições presidenciais
A vitória de Lula representa um marco na história política brasileira. Eleito inicialmente em 2002, o petista conquistou a reeleição em 2006, retornou ao Palácio do Planalto após vencer a disputa de 2022 e agora assegura seu quarto mandato presidencial.
A trajetória atravessa diferentes períodos da política nacional, mudanças econômicas, crises institucionais e transformações sociais que marcaram as últimas décadas.
Aos 80 anos, Lula também se consolida como uma das figuras de maior longevidade eleitoral na democracia brasileira, tendo disputado sua primeira eleição presidencial em 1989.
O resultado deste domingo acrescenta um capítulo singular a essa trajetória: a conquista de uma quarta eleição presidencial pelo voto popular.
De uma infância humilde à quarta eleição para presidente
Nascido em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula chegou ainda criança a São Paulo, onde posteriormente trabalhou como metalúrgico e iniciou uma trajetória ligada ao movimento sindical do ABC Paulista.
Sua ascensão política ocorreu a partir da liderança de mobilizações de trabalhadores durante os últimos anos da ditadura militar.
Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e tornou-se uma das principais lideranças nacionais da oposição democrática naquele período.
Depois de derrotas presidenciais em 1989, 1994 e 1998, venceu a eleição de 2002 e chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto.
Mais de duas décadas depois, o trabalhador que conquistou projeção nacional nas assembleias sindicais alcança novamente a Presidência, agora pela quarta vez.
Virada no segundo turno contrariou resultado da primeira votação
Um dos acontecimentos mais relevantes da eleição presidencial de 2026 foi a mudança na ordem dos candidatos entre os dois turnos.
Na votação de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou numericamente à frente de Lula, com vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Durante o segundo turno, as campanhas intensificaram as mobilizações nas ruas, a comunicação digital e a disputa pelo apoio dos eleitores que haviam escolhido outras candidaturas.
Lula conseguiu reverter a desvantagem e alcançar a maioria dos votos válidos na votação decisiva.
A virada é inédita na história dos segundos turnos presidenciais brasileiros: desde a adoção desse modelo eleitoral, o candidato que terminava atrás na primeira etapa ainda não havia conseguido conquistar a Presidência na votação final.
Última pesquisa Datafolha mostrava Flávio numericamente à frente
A vitória também chama atenção quando comparada ao levantamento Datafolha divulgado no sábado (24), véspera da votação.
A pesquisa apresentava Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, embora os dois estivessem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Nas urnas, a vantagem numérica foi invertida, com Lula conquistando a maioria dos votos.
O episódio demonstra a importância de distinguir pesquisas de intenção de voto dos resultados eleitorais efetivamente apurados.
Embora o levantamento registrasse empate técnico, o desfecho evidenciou que a liderança numérica apresentada na véspera não se confirmou no resultado.
Mobilização nas ruas marcou a reta final da campanha
A campanha de Lula intensificou as atividades presenciais e digitais depois do primeiro turno.
Manifestações reuniram apoiadores em diferentes regiões do país, enquanto lideranças políticas e movimentos sociais participaram de atos de mobilização eleitoral.
Na reta final, a avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma grande concentração favorável à reeleição do presidente.
A participação de apoiadores também se espalhou por cidades mineiras, incluindo Divinópolis, onde manifestações políticas marcaram os dias anteriores à votação.
Esse movimento integrou uma campanha que buscou ampliar o comparecimento às urnas e alcançar eleitores que não haviam votado no presidente no primeiro turno.
Vitória de Lula também representa derrota do projeto presidencial de Flávio Bolsonaro
O resultado encerra a primeira disputa presidencial de Flávio Bolsonaro, que concorreu pelo Partido Liberal e recebeu apoio de lideranças ligadas ao movimento político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador chegou ao segundo turno depois de conquistar a primeira colocação na votação inicial, mas não conseguiu manter a vantagem na etapa decisiva.
Apesar da derrota, Flávio recebeu mais de 48% dos votos válidos na apuração avançada, demonstrando a dimensão do eleitorado que apoiou sua candidatura.
O resultado mantém a oposição como uma força política expressiva e indica que o próximo governo terá de conviver com uma sociedade marcada por divergências políticas profundas.
Presidente reeleito terá desafios econômicos e políticos no quarto mandato
A conquista eleitoral não elimina os desafios que aguardam Lula a partir de 2027.
O presidente terá de administrar questões relacionadas ao equilíbrio das contas públicas, ao crescimento econômico, ao custo de vida e à continuidade de programas sociais.
Também enfrentará negociações com um Congresso Nacional no qual diferentes forças partidárias disputarão espaço e influência sobre as decisões do governo.
As relações com governadores eleitos, incluindo Cleitinho Azevedo em Minas Gerais, farão parte da construção de acordos administrativos para investimentos e políticas públicas.
O desafio será transformar a nova vitória nas urnas em resultados concretos para a população, inclusive para os brasileiros que escolheram o candidato adversário.
Quarta eleição consolida uma trajetória singular na democracia brasileira
A história de Lula reúne momentos de ascensão, derrotas eleitorais, períodos de forte contestação política e retornos ao centro do poder nacional.
Sua primeira vitória, em 2002, representou a chegada de um ex-operário à Presidência. A segunda, em 2006, consolidou sua permanência no cargo.
A terceira, em 2022, marcou seu retorno ao governo depois de um longo intervalo fora do Planalto.
Agora, em 2026, Lula conquista um quarto mandato em uma eleição que começou com vantagem do adversário no primeiro turno e terminou com uma virada nas urnas.
Independentemente das diferenças partidárias, trata-se de um acontecimento de relevância histórica na trajetória da democracia brasileira.
O metalúrgico de Pernambuco, que começou a vida profissional distante dos centros de poder, chega à quarta eleição presidencial vitoriosa. Um resultado que será registrado entre os capítulos mais singulares da história política do Brasil.






