Kalil diz ao Divinews que relação da Cemig Sim com grupo de Vorcaro é “muito promíscua”

Em sabatina ao Divinews, candidato confrontou pesquisas, fez acusações sobre a Cemig Sim, criticou Cleitinho e Simões e respondeu sobre suas dívidas trabalhistas

Publicado por: Redação

O candidato ao Governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) afirmou, em entrevista ao quadro Palanque Político Eleitoral Divinews, que considera “muito promíscua” a relação investigada entre a Cemig Sim e empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Questionado sobre o caso pelo jornalista Geraldo Passos, Kalil cobrou explicações do governo estadual e disse que o assunto “vai dar pano para a manga”. Na mesma sabatina, ele contestou a leitura das pesquisas eleitorais, atacou adversários, defendeu a renegociação da dívida de Minas, criticou a privatização da Copasa e respondeu a uma pergunta sobre ações trabalhistas relacionadas a uma empresa da qual participou.

Cemig Sim, Vorcaro e cobrança ao governo

O editor do Divinews perguntou a Kalil sobre o requerimento aprovado na Assembleia Legislativa para cobrar informações a respeito da auditoria na Cemig Sim e de possíveis relações contratuais com empresas ligadas a Daniel Vorcaro. A Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia confirmou, em setembro, a cobrança de informações sobre a auditoria. A apuração parlamentar busca esclarecer os fatos e seus efeitos; a existência do requerimento não comprova, por si, a prática de crime.

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Kalil dirigiu suas críticas à resposta do governo estadual. Segundo ele, a gestão não poderia se limitar a dizer que eventuais envolvidos eram funcionários concursados ou que foram desligados. “Essa relação, ela é muito promíscua”, afirmou. Em seguida, disse que não conhece pessoalmente Vorcaro e voltou a cobrar a apuração das conexões entre empresas e a subsidiária da Cemig.

O candidato também associou sua crítica à condução de outros episódios investigados no Estado, entre eles a Operação Rejeito. Na entrevista, tratou os casos como sinais de falhas de gestão e fiscalização. As acusações específicas feitas por Kalil exigem exame dos contratos, dos resultados das auditorias e da manifestação dos citados antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades.

Kalil contesta pesquisas e mira disputa pelo segundo turno

Já na abertura da sabatina, Kalil foi questionado sobre suas  chances de chegar ao segundo turno após a pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro. O candidato respondeu que os levantamentos não devem determinar o voto e afirmou que sua campanha dispõe de pesquisas internas com resultados diferentes dos publicados.

O questionamento do Divinews se baseou na última pesquisa feita pela Quaest, antes da nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira, pelo Datafolha. Fato é que, ainda tendo base os números da Quaeste, no cenário estimulado de primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) estava com 37%, Patrus Ananias (PT) com 16%, Kalil com 8% e o governador Mateus Simões (PSD) com 7%. Já os 62% de indecisos citados por Kalil correspondem à pesquisa espontânea, na qual o entrevistador não mostra uma lista de candidatos. São perguntas diferentes, e seus percentuais não podem ser lidos como se pertencessem ao mesmo cenário. O levantamento naquela ocasião ouviu 1.506 pessoas entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e registro MG-03276/2026 na Justiça Eleitoral.

“Quem vai votar no Cleitinho, vota no Cleitinho; quem vai votar no Patrus, vota no Patrus; quem vai votar no Kalil, vota no Kalil”, disse o candidato, antes de pedir que os eleitores não se deixem conduzir pela interpretação de pesquisas. O Divinews também acompanha os números de outros institutos, como a Real Time Big Data, que mediu a disputa pelo Governo de Minas em setembro.

Ausência em debate provoca ataque a Gabriel Azevedo e Simões

A entrevista abordou a ausência de Kalil em um debate da Record. Geraldo lembrou a justificativa dada pelo candidato sobre o formato do encontro e perguntou sobre a crítica de Gabriel Azevedo (MDB), que o acusou de fugir do confronto.

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Kalil rejeitou a crítica. Afirmou que a ausência de outros concorrentes reduziu a relevância do debate e desqualificou politicamente Gabriel e Mateus Simões ao dizer que ambos haviam sido eleitos vereadores. Disse ainda que não acompanhou as declarações de Gabriel. Foi uma resposta direta ao adversário, embora não substitua a discussão sobre a importância de debates para que o eleitor compare propostas.

Cleitinho, IPVA e a disputa entre experiência e popularidade

Ao ser perguntado sobre a diferença entre sua trajetória como ex-prefeito de Belo Horizonte e a de Cleitinho, Kalil argumentou que o senador precisaria demonstrar preparo para administrar um Estado em dificuldades financeiras. Para o candidato, a popularidade de Cleitinho não responde, por si só, às exigências de gestão.

Kalil também criticou a ênfase da campanha adversária no IPVA. Defendeu que propostas de redução de impostos sejam acompanhadas de explicações sobre como manter serviços públicos e investimentos. Na sua avaliação, o governador precisa saber administrar o dinheiro arrecadado e transformar recursos em atendimento médico, escolas, segurança e estradas.

O candidato foi além da divergência administrativa e criticou um vídeo de Cleitinho relacionado à memória do irmão falecido do senador. Comparou a situação à própria perda de seu pai e afirmou que não usaria uma lembrança familiar dessa maneira na política. Trata-se de uma avaliação pessoal de Kalil sobre uma peça de campanha do adversário.

Lula, Patrus e a disputa pelo apoio de Flávio Bolsonaro

Geraldo Passos perguntou por que a aliança de Kalil com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na eleição estadual de 2022, não se repetiu em 2026. Kalil respondeu que Patrus Ananias é o candidato apoiado por Lula, mas afirmou que eleitores do presidente também podem votar em sua candidatura ao governo. Disse não ser o candidato de Lula nem o de Flávio Bolsonaro e defendeu que um governador mantenha relação institucional com o presidente eleito.

Em outro momento, o apresentador perguntou sobre a movimentação de candidatos mineiros do campo da direita em torno de Flávio Bolsonaro. Kalil afirmou que vê oportunismo nessa aproximação e distinguiu Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo, dos demais concorrentes que buscam associação com o presidenciável. Também criticou promessas feitas por Simões durante a campanha, questionando por que determinadas obras não teriam avançado nos anos anteriores.

Qual é a conta para governar Minas?

Uma das cobranças mais objetivas deo Divinews  tratou da dívida estadual: se eleito, de onde Kalil tiraria dinheiro para honrar compromissos, pagar servidores e investir? O candidato disse que não rasgaria o acordo da dívida. Sua proposta é buscar uma renegociação com a União, envolvendo deputados federais, senadores e a Assembleia Legislativa.

Kalil afirmou que pretende revisar gastos e recursos destinados a empresas privadas pelo Estado. Citou cifras durante a resposta e disse que a concessão de valores sem a devida prestação de contas deve ser investigada. Contudo, não apresentou na entrevista os documentos que sustentariam os montantes mencionados nem uma estimativa de quanto a revisão poderia liberar para saúde, educação e obras.

O ex-prefeito defendeu uma postura mais firme de Minas nas negociações com Brasília. Argumentou que o peso econômico do Estado lhe dá condições de reivindicar outro tratamento na discussão da dívida. Para o eleitor, permanece uma questão central a ser detalhada pela campanha: quais despesas seriam revistas, em quanto tempo e com qual efeito real sobre o orçamento.

Privatização da Copasa e posição sobre as estatais

Outra pergunta foi sobre a Copasa, cuja privatização foi concluída em junho de 2026. A Assembleia Legislativa registra que a Equatorial pagou R$ 8,38 bilhões ao Estado na operação. Kalil respondeu que se opõe à venda de empresas que considera rentáveis e estratégicas. Citou a Copasa, a Cemig e a Codemge e afirmou que Minas precisa preservar seu patrimônio. Usou os Correios como contraponto para explicar que, em sua visão, a decisão sobre manter uma empresa sob controle público deveria considerar seu resultado e o custo para a população.

A resposta, porém, não detalhou o que faria diante da privatização já concluída da Copasa. Reverter uma operação dessa natureza seria uma questão distinta de simplesmente se posicionar contra a venda, e Kalil não apresentou, nessa entrevista, um caminho jurídico ou financeiro para isso.

Ações trabalhistas e a resposta de Kalil

O editor do Divinews também questionou o próprio candidato sobre um levantamento jornalístico relativo a ações trabalhistas ligadas a uma empresa da qual ele participou. Kalil respondeu que vendeu bens e depositou R$ 14 milhões em dinheiro na Justiça do Trabalho. Afirmou que fez isso para quitar as obrigações com trabalhadores e declarou: “Não devo um tostão de ação trabalhista a mais.”

O que o Centro-Oeste de Minas pode esperar?

Na parte final do Palanque, foi solicitado que o candidato desse uma resposta voltada aos moradores de Divinópolis e dos demais municípios do Centro-Oeste mineiro. Kalil afirmou que a região está esquecida e respondeu que a população pode esperar “trabalho”. Defendeu planejamento, economia na administração e investimentos capazes de fortalecer o Estado.

Para sustentar seu argumento, mencionou obras e serviços realizados durante sua gestão em Belo Horizonte. Não indicou, contudo, uma obra específica para o Centro-Oeste, valor de investimento ou prazo de execução. Essa ausência de detalhamento é relevante para uma região que busca compromissos concretos dos candidatos ao governo. O Divinews vem acompanhando as agendas dos concorrentes em Minas e no interior, além dos recursos destinados às campanhas de candidatos ligados a Divinópolis.

No encerramento, como faz habitualmente no Palanque, Geraldo Passos  propôs um pingue-pongue, dando ao candidato uma palavra. E ele discorreu assim:  Kalil classificou uma eventual eleição de Cleitinho como um risco diante da situação do Estado, associou Patrus à volta do PT ao governo mineiro e disse que Simões “não fez nada”. Ao falar de Romeu Zema, citou seu desempenho nas pesquisas presidenciais como crítica ao legado do ex-governador. Sobre Lula e Flávio Bolsonaro, afirmou que quem ocupar a Presidência deverá ser respeitado.

Agenda

O Palanque foi gravado em um studio em  Belo Horizonte, para onde se deslocaram o editor Geraldo Passos, a jornalista Cássia Misael e o cinegrafista e técnico de imagem e som Gabriel Dias. O time do Divinews relata ter recebido uma acolhida calorosa da equipe de Kalil, especialmente da assessora e chefe de campanha Amália Goulart e membros da comunicação, como  Janaina Oliveira e Isabela Abalen – A entrevista ao Divinews antecede outra participação pública do candidato: Kalil anunciou entrevista ao Flow Podcast para esta sexta-feira (25), a partir das 16h.

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Matéria publicada a partir da orientação editorial do Divinews. IA foi utilizada como apoio na organização e estruturação do conteúdo, a partir de prompts definidos pela redação. O texto foi revisado e validado editorialmente antes da publicação.

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