Pesquisa Quaest sobre Governo de Minas será divulgada nesta terça (8) e pode redesenhar disputa pelo segundo turno

Pesquisa registrada no TSE ouviu 1.506 eleitores entre sexta (4) e segunda (7), testa os 11 candidatos ao Palácio Tiradentes, seis cenários de segundo turno e também mede rejeição, firmeza do voto e influência de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema

Publicado por: Cassia Misael

Uma nova fotografia da corrida pelo Governo de Minas Gerais será conhecida nesta terça-feira (8). Conforme registro disponível no sistema PesqEle, da Justiça Eleitoral, a Quaest tem divulgação prevista para hoje e chega em um momento decisivo da campanha, a menos de um mês do primeiro turno. O levantamento poderá mostrar não apenas quem cresceu ou caiu na preferência do eleitorado, mas principalmente como está a disputa pelas vagas em um eventual segundo turno, o grau de rejeição dos candidatos e até que ponto os apoios de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema estão sendo identificados pelos mineiros.

A pesquisa está registrada sob o número MG-04716/2026 e foi contratada pelo Grupo Globo. Foram entrevistados 1.506 eleitores mineiros, com 16 anos ou mais, entre os dias 4 e 7 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada em três pontos percentuais para mais ou para menos. O valor informado no registro é de R$ 212.346.

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A Itatiaia também antecipou que a nova rodada será conhecida nesta terça e destacou que o levantamento atualizará tanto a disputa pelo Governo de Minas quanto a corrida pelas duas vagas mineiras ao Senado.

Os 11 candidatos entram no cenário de primeiro turno

O questionário registrado revela que a Quaest colocou na tela do eleitor todos os 11 candidatos ao Governo de Minas: Alexandre Kalil (PDT), Ben Mendes (Missão), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (UP), Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT), Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU).

Antes da pergunta estimulada, porém, a Quaest fez uma medição espontânea, perguntando simplesmente se o eleitor já havia escolhido em quem votar para governador e, em caso positivo, em quem. Essa comparação será particularmente interessante porque permite medir quanto cada candidatura já está fixada na memória do eleitor sem que o nome seja apresentado previamente.

Pesquisa vai medir rejeição, potencial de voto e desconhecimento

Um dos pontos mais relevantes da rodada não estará necessariamente no gráfico tradicional de intenção de voto. Para cada candidato, os entrevistados responderam se não conhecem ou nunca ouviram falar; conhecem e poderiam votar; ou conhecem, mas não votariam de jeito nenhum.

Na prática, a pergunta permitirá enxergar três dimensões diferentes da campanha: quem já conseguiu se tornar conhecido, quem possui espaço para crescer e quem enfrenta uma barreira maior de rejeição. Para candidatos que aparecem mais atrás nas pesquisas, o índice de desconhecimento poderá ser tão importante quanto a própria intenção de voto. Uma candidatura pouco conhecida ainda pode ter espaço para avançar; já uma candidatura muito conhecida e com rejeição elevada enfrenta um desafio diferente.

O eleitor já decidiu ou ainda pode mudar?

A Quaest também fará uma fotografia da firmeza do voto. Depois de indicar seu candidato, o entrevistado é perguntado se a escolha é definitiva ou se ainda pode mudar caso algo aconteça até a eleição.

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Esse número será especialmente relevante a poucas semanas do primeiro turno. Uma liderança acompanhada de grande percentual de voto definitivo representa uma situação diferente daquela sustentada por eleitores que ainda admitem mudar de candidato. Da mesma forma, candidatos que estiverem atrás podem observar nesse dado o tamanho do eleitorado ainda potencialmente disponível.

Quaest desenhou seis confrontos de segundo turno

O questionário mostra ainda que a Quaest preparou seis possíveis cenários de segundo turno, envolvendo quatro candidatos: Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo, Mateus Simões e Patrus Ananias.

Os cruzamentos previstos no formulário são: Kalil x Cleitinho; Kalil x Mateus Simões; Kalil x Patrus Ananias; Cleitinho x Mateus Simões; Cleitinho x Patrus Ananias; e Mateus Simões x Patrus Ananias.

Esse desenho não significa uma previsão da Quaest sobre quem chegará ao segundo turno. Os confrontos são cenários testados no questionário, e o resultado efetivo dependerá das respostas coletadas.

“Quem você acha que vai ganhar?”

Há ainda uma pergunta diferente da intenção de voto. Independentemente de seu candidato, o eleitor foi questionado sobre quem acredita que vencerá a eleição para governador. Todos os 11 nomes são apresentados.

Esse indicador mede a chamada percepção de vitória. É possível, por exemplo, um eleitor votar em determinado candidato, mas acreditar que outro será eleito. A diferença entre intenção de voto e expectativa de vitória ajuda a mostrar como cada candidatura está sendo percebida no ambiente político.

Lula, Flávio Bolsonaro e Zema entram na pesquisa

Outro bloco pode ajudar a entender o peso das principais lideranças nacionais e estaduais na eleição mineira. A Quaest perguntou espontaneamente ao eleitor quem acredita ser o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro, quem recebe o apoio do presidente Lula e quem seria o nome apoiado pelo ex-governador Romeu Zema.

Como a resposta é espontânea, sem apresentação de alternativas, o resultado poderá indicar até que ponto as alianças construídas pelas campanhas já chegaram efetivamente ao conhecimento do eleitor.

Câmeras policiais e privatização da Cemig também estão no questionário

O levantamento vai além da corrida eleitoral. Entre os temas específicos de Minas, a Quaest perguntou aos entrevistados se policiais deveriam ou não ser obrigados a utilizar câmeras nos uniformes. Antes da resposta, o questionário apresenta argumentos favoráveis e contrários à medida.

Outro tema potencialmente explosivo na campanha é a privatização da Cemig. O formulário apresenta ao eleitor os argumentos de quem defende a venda da companhia, inclusive pela possibilidade de usar recursos para reduzir a dívida estadual, e os argumentos daqueles que defendem a manutenção do controle público por considerarem o setor estratégico e apontarem risco de aumento de preços. Depois disso, pergunta diretamente se o governo mineiro deveria ou não privatizar a empresa.

Para moradores de Belo Horizonte e da Região Metropolitana, há ainda uma pergunta específica sobre a prioridade que o próximo governo deveria dar à integração entre metrô e ônibus metropolitanos.

Quaest também vai medir tamanho da esquerda, direita e independentes

O formulário termina com uma pergunta capaz de ajudar a explicar parte dos resultados eleitorais. Os entrevistados são convidados a se definir entre cinco grupos: lulistas; pessoas que não se consideram lulistas, mas preferem ideias da esquerda; independentes; pessoas que não se consideram bolsonaristas, mas preferem ideias da direita; e bolsonaristas.

A pesquisa também registra religião, cor ou raça e pergunta em quem o eleitor votou para governador no primeiro turno de 2022 e para presidente no segundo turno daquele ano.

Pesquisa foi presencial e domiciliar

A metodologia registrada informa que as entrevistas foram feitas presencialmente, nos domicílios, por pesquisadores utilizando questionário estruturado. A amostra foi desenhada em três etapas, envolvendo sorteio de municípios, setores censitários e posterior seleção de entrevistados por cotas de sexo, idade, renda e escolaridade.

Do total previsto, 52% dos entrevistados são mulheres e 48% homens. A maior faixa etária é de 35 a 59 anos, representando 44% da amostra. Há ainda controle posterior das entrevistas, incluindo georreferenciamento e checagem de áudio de 30% dos questionários aplicados.

Resultado pode mexer com estratégias já nesta terça

A divulgação deve ganhar peso imediato porque ocorre justamente quando as campanhas entram na reta final do primeiro turno. A rodada anterior da Quaest, divulgada em agosto, mostrava Cleitinho Azevedo na liderança, com 29%, enquanto Patrus Ananias aparecia com 11%, Alexandre Kalil com 10%, Mateus Simões com 7% e Gabriel Azevedo com 5%.

A grande expectativa nesta terça será saber se essa vantagem foi mantida, se a disputa pelo segundo lugar mudou, se Flávio Roscoe avançou após intensificar a campanha e como está o movimento de Kalil, Patrus, Mateus Simões e Gabriel Azevedo.

O registro do TSE estabelece 8 de setembro como data prevista para divulgação, mas não informa horário específico. Portanto, o resultado poderá ser publicado ao longo desta terça-feira conforme programação do instituto e do veículo contratante.

Assim que os números forem divulgados, o Divinews fará a leitura completa do cenário do Governo de Minas, incluindo primeiro turno, segundo turno, rejeição, potencial de crescimento e os principais movimentos em relação à rodada anterior.

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