“Governo está sucateando e liquidando”: Kalil reage a cobrança sobre feminicídio e critica gestão de Minas

Kalil cita a Casa Sempre Viva como exemplo de política de proteção às mulheres e critica o governo de Minas pela estrutura de enfrentamento à violência e ao feminicídio.

Publicado por: Cassia Misael

O combate à violência contra a mulher entrou no debate entre os candidatos ao Governo de Minas e, nesse contexto, provocou uma das respostas mais contundentes de Alexandre Kalil (PDT). Questionado sobre feminicídio a partir de declarações atribuídas a Mateus Simões (PSD), o candidato resgatou uma política criada durante sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte e, na sequência, direcionou críticas ao governo estadual.

Inicialmente, Kalil afirmou que a discussão sobre feminicídio precisa considerar também a responsabilidade do poder público na estrutura de prevenção e atendimento às mulheres. Ao defender sua atuação na área, citou a Casa Sempre Viva, equipamento de acolhimento ligado ao Consórcio Regional de Promoção da Cidadania Mulheres das Gerais, que atende mulheres em situação de violência e risco iminente de morte. Além disso, a estrutura oferece acolhimento e articula serviços de proteção para mulheres que precisam deixar o ambiente de violência.

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“Quando fui prefeito, criei a Casa Sempre Viva, que era de acolhimento da mulher. Pus a política feminina”, afirmou Kalil durante o debate.

Dessa forma, a referência à Casa Sempre Viva serviu como ponto de partida para o candidato apresentar sua experiência na administração municipal como argumento na disputa estadual. Segundo a linha defendida por Kalil, o enfrentamento à violência contra a mulher precisa contar com políticas permanentes de acolhimento, proteção e acompanhamento, especialmente nos casos em que a vítima corre risco dentro da própria residência.

Kalil transforma pergunta sobre feminicídio em ataque ao governo

Depois de citar sua atuação como prefeito, Kalil mudou o tom da resposta e passou a criticar diretamente a atual condução do Estado. Na avaliação do candidato, o governo estadual deveria assumir protagonismo na discussão sobre feminicídio e, ao mesmo tempo, garantir uma estrutura adequada de atendimento e segurança.

“Quem tem que falar de feminicídio é o governo, que há 13 anos está sucateando e liquidando”, declarou.

Com isso, a expressão utilizada pelo candidato ampliou o confronto político e levou a discussão para além das estatísticas de violência contra a mulher. Kalil associou o problema, portanto, à capacidade do Estado de manter uma rede estruturada para prevenir crimes, acolher vítimas e garantir atendimento especializado.

Na sequência, o pedetista citou as delegacias especializadas no atendimento às mulheres. Segundo ele, o governo fechou 126 unidades. A afirmação fez parte da crítica apresentada durante o debate e foi utilizada pelo candidato para questionar a estrutura disponível para mulheres que precisam procurar as autoridades.

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“E o que se fez com a Polícia Militar de Minas Gerais foi um desrespeito. Estamos falando de um governo que fechou 126 delegacias de mulheres”, afirmou.

Nesse sentido, a declaração coloca a estrutura de atendimento policial entre os pontos centrais da crítica de Kalil. Na prática, a rede de enfrentamento à violência contra a mulher depende da integração de diferentes serviços. Afinal, o atendimento começa com o acolhimento e o registro da ocorrência, mas pode envolver também medidas de proteção, assistência social, atendimento psicológico e, quando necessário, acolhimento em local seguro.

Casa Sempre Viva é usada como exemplo de política de acolhimento

Por outro lado, a Casa Sempre Viva citada por Kalil possui uma função específica dentro da rede de proteção. O equipamento atende mulheres em situação de violência de gênero que enfrentam risco iminente de morte e não possuem outra alternativa de proteção. Além disso, a estrutura pode acolher os filhos menores das vítimas e oferece acompanhamento psicossocial voltado à construção de alternativas para a retomada da vida sem violência.

A estrutura integra o Consórcio Regional de Promoção da Cidadania Mulheres das Gerais, iniciativa que reúne municípios para desenvolver políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Da mesma maneira, a Prefeitura de Belo Horizonte registra a Casa Sempre Viva entre as políticas voltadas às mulheres da capital.

Esse tipo de serviço ganha importância justamente porque muitas mulheres enfrentam dificuldades para deixar uma relação violenta sem colocar a própria vida em risco. Nesses casos, portanto, o simples afastamento do agressor nem sempre resolve a situação. Pelo contrário, a vítima pode precisar de abrigo, acompanhamento psicológico, orientação jurídica, apoio social e condições para reconstruir a própria autonomia.

Foi nesse contexto que Kalil utilizou a Casa Sempre Viva como exemplo durante o debate. Ao lembrar a iniciativa, o candidato procurou associar sua experiência administrativa a uma proposta de atuação mais ampla na área de proteção às mulheres.

Violência contra a mulher entra na disputa pelo Governo de Minas

A discussão sobre feminicídio ganhou espaço na campanha estadual porque envolve, além disso, uma série de políticas que dependem da atuação articulada do governo. A prevenção da violência passa por segurança pública, assistência social, saúde, educação e políticas específicas para mulheres.

Além da resposta imediata às ocorrências, a rede precisa oferecer condições para que a vítima consiga romper o ciclo de violência. Em situações consideradas de alto risco, por exemplo, o acolhimento protegido pode representar uma medida fundamental para preservar a vida da mulher e de seus filhos.

A própria estrutura da Casa Sempre Viva demonstra essa necessidade. O protocolo de atendimento de Belo Horizonte prevê acolhimento temporário para mulheres e filhos menores de 18 anos que estejam em situação de violência de gênero com risco iminente de morte e sem alternativas de proteção. Paralelamente, o trabalho inclui acompanhamento psicossocial e articulação com outros serviços da rede.

O tema também continua sob acompanhamento do Legislativo mineiro. Em 2024, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa aprovou requerimento para obter informações sobre a capacidade de atendimento, lotação e procedimentos da Casa Sempre Viva, justamente diante da importância do equipamento para mulheres em situação de violência.

Esse contexto ajuda, portanto, a dimensionar a discussão apresentada no debate. A questão não envolve apenas a existência de uma casa de acolhimento, uma delegacia ou uma política isolada. Pelo contrário, o desafio passa pela capacidade de fazer com que diferentes serviços funcionem de maneira integrada quando uma mulher procura ajuda.

Kalil recupera experiência municipal para disputar o governo estadual

Ao mencionar a Casa Sempre Viva, Kalil também recuperou uma estratégia recorrente em campanhas para cargos executivos: apresentar experiências de uma gestão anterior como referência para uma futura administração.

Nesse sentido, o candidato utiliza sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte para sustentar que possui experiência na implementação de políticas públicas voltadas às mulheres. A partir desse argumento, procura levar para a disputa estadual uma agenda que inclui acolhimento, proteção e fortalecimento da rede de atendimento.

Entretanto, a resposta não ficou restrita à apresentação de propostas. Kalil aproveitou a pergunta para atacar o governo estadual e questionar a estrutura que, segundo ele, deveria estar à frente das ações de combate ao feminicídio.

Com isso, uma pergunta específica acabou se transformando em uma crítica mais ampla ao governo de Minas. Ao afirmar que o Estado estaria “sucateando e liquidando” estruturas, o candidato elevou o tom do confronto e colocou a segurança das mulheres dentro da disputa sobre a capacidade de gestão do próximo governador.

Debate coloca proteção às mulheres no centro da campanha

A fala de Kalil também evidencia como temas relacionados à segurança pública podem ganhar diferentes dimensões durante a campanha. Afinal, o feminicídio não envolve apenas a investigação de um crime depois que ele acontece. A prevenção depende de mecanismos capazes de identificar situações de risco, proteger vítimas, responsabilizar agressores e oferecer suporte para que mulheres consigam sair de relações violentas.

Nesse cenário, a presença de serviços especializados pode fazer diferença entre uma denúncia isolada e uma rede capaz de acompanhar a vítima durante as diferentes etapas do processo. Por isso, delegacias especializadas, assistência social, saúde, Judiciário e equipamentos de acolhimento precisam atuar de maneira coordenada.

A Casa Sempre Viva, por exemplo, integra justamente essa lógica de proteção. O equipamento oferece um espaço seguro para mulheres em situação de risco extremo e trabalha também aspectos psicossociais e de autonomia. Dessa maneira, busca criar condições para que elas possam reconstruir suas vidas.

Ao levar o tema para o debate eleitoral, Kalil tentou mostrar que pretende tratar a violência contra a mulher como uma questão de política pública e não apenas como um problema de segurança. Ao mesmo tempo, utilizou o assunto para confrontar o governo atual e questionar a estrutura estadual de atendimento.

Por fim, a discussão deve continuar presente na corrida pelo Palácio Tiradentes, principalmente porque os candidatos terão de apresentar não apenas críticas, mas também propostas para ampliar a prevenção, melhorar o atendimento e garantir proteção às mulheres em situação de violência.

No debate, Kalil escolheu, portanto, combinar experiência administrativa, defesa de uma política de acolhimento e críticas à atual gestão. Assim, a fala colocou o feminicídio entre os temas de confronto da eleição e reforçou a tentativa do candidato de apresentar sua experiência na Prefeitura de Belo Horizonte como referência para uma eventual gestão do Estado.

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