A escolha da tenente-coronel Lúcia Helena Pinto Alvim da Silva Lino para assumir a 7ª Região da Polícia Militar (7ª RPM), sediada em Divinópolis, tem como marco mais visível o fato de ela se tornar a primeira mulher a comandar a unidade. Mas a trajetória da oficial revela outro aspecto relevante da mudança: o Centro-Oeste de Minas receberá uma comandante com experiência que passa pelo policiamento operacional, formação de oficiais, gestão estratégica de pessoal e por uma das áreas mais sensíveis da estrutura interna da Polícia Militar, a Corregedoria. Aos 44 anos e com 26 anos de corporação, Lúcia Helena deverá substituir o coronel Carlos Henrique Sousa da Silva e, antes disso, tem promoção ao posto de coronel prevista para 2 de outubro. A data da passagem de comando ainda será definida pela corporação.
Experiência na Corregedoria antecede chegada a Divinópolis
Um dos capítulos menos conhecidos do currículo da futura comandante está documentado pelo próprio Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais. Em novembro de 2024, Lúcia Helena aparece oficialmente como chefe da Assessoria Jurídica da Corregedoria da Polícia Militar de Minas Gerais, função que a colocou em contato com uma área estratégica relacionada à disciplina institucional e às questões jurídicas da corporação.
A experiência chama atenção diante da dimensão do posto que ela deverá ocupar agora. A 7ª Região não corresponde a um único batalhão ou município, mas a uma estrutura de comando regional, responsável pela coordenação e planejamento das unidades subordinadas em sua área de atuação no Centro-Oeste mineiro. Dessa forma, sua chegada a Divinópolis representa uma mudança de escala em relação ao atual comando do 66º Batalhão, em Betim.
Foi justamente durante sua passagem pela Corregedoria que Lúcia Helena recebeu outro reconhecimento institucional. Em 2024, ela esteve entre os agraciados pelo Tribunal de Justiça Militar com a Medalha do Mérito Judiciário Militar, concedida durante a solenidade de aniversário de 87 anos da Justiça Militar mineira. A honraria é destinada a pessoas e instituições que tenham prestado relevantes serviços à Justiça Militar ou à sociedade.
Ela também trabalhou na formação de oficiais
A trajetória de Lúcia Helena dentro da PM mineira passou ainda pela Academia de Polícia Militar, onde exerceu a função de chefe de curso de formação de oficiais. Também integrou o 16º Batalhão, localizado na região Leste de Belo Horizonte, e atuou na Primeira Seção do Estado-Maior, estrutura de nível estratégico ligada à gestão de pessoal da corporação.
Essas passagens ajudam a revelar um perfil profissional mais amplo do que o proporcionado pelo atual comando de batalhão. Ao longo da carreira, a futura comandante transitou entre atividade operacional, formação policial, administração, área jurídica e planejamento estratégico, experiências que agora deverão convergir no comando regional sediado em Divinópolis.
Currículo também passa pelo Gabinete Militar do Governador
A experiência administrativa começou a ganhar projeção quando Lúcia Helena ainda era capitã. Documento oficial de 2015 registra a militar como diretora de Recursos Humanos do Gabinete Militar do Governador de Minas Gerais. Portanto, mais de uma década antes de ser escolhida para comandar a 7ª RPM, ela já exercia uma função relacionada à gestão de pessoal dentro de uma estrutura diretamente ligada ao Governo do Estado.
A oficial também possui formação acadêmica ligada às áreas que marcaram sua trajetória. É graduada em Direito pela Universidade Fumec, possui especialização em Segurança Pública pela Fundação João Pinheiro, além de especializações em Criminalidade e Segurança Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Gestão Estratégica de Segurança Pública.
Em Betim, Lúcia Helena já havia quebrado uma barreira
Antes de a designação para Divinópolis colocá-la novamente diante de um marco feminino na corporação, Lúcia Helena já havia feito história em Betim. Em 3 de março de 2026, assumiu o 66º Batalhão da Polícia Militar, substituindo o tenente-coronel Antuer Barbosa Junior. Na ocasião, tornou-se a primeira mulher a comandar um batalhão da PM no município.
A passagem pela unidade, portanto, será relativamente curta. Apenas alguns meses depois de assumir o batalhão, a oficial foi escolhida para um posto de abrangência maior. A própria Câmara Municipal de Betim reconheceu sua trajetória ao aprovar a Moção de Congratulação nº 095/2026, de autoria do vereador Rony Martins.
Ao assumir o batalhão, Lúcia Helena classificou a unidade como uma das mais importantes da instituição e afirmou estar motivada com o retorno à atividade operacional. Naquele momento, sua trajetória recente estava mais concentrada em funções estratégicas e jurídicas.
De São João da Serra para o comando da segurança regional
Natural de São João da Serra, distrito rural de Santos Dumont, na Zona da Mata, Lúcia Helena construiu a carreira longe de sua cidade natal e chega agora a outra região de Minas para ocupar um dos postos mais importantes de sua trajetória profissional. São aproximadamente 26 anos desde o ingresso na Polícia Militar até a designação para o comando da 7ª RPM.
A mudança também representa uma ampliação significativa de responsabilidade. No 66º BPM, Lúcia Helena exerce o comando de uma unidade operacional. Na 7ª RPM, passará a atuar sobre uma estrutura regional, envolvendo planejamento, coordenação das unidades subordinadas e definição de estratégias de segurança para uma área territorial muito mais ampla.
Promoção a coronel antecederá novo desafio
A designação foi publicada, segundo informações da Polícia Militar, no Boletim Geral da corporação desta sexta-feira (14). Lúcia Helena deverá substituir o atual comandante da 7ª RPM, coronel Carlos Henrique Sousa da Silva, mas a transição depende agora dos procedimentos internos da instituição.
Um deles será especialmente importante na carreira da oficial. A promoção de Lúcia Helena ao posto de coronel está prevista para 2 de outubro, antes de assumir definitivamente a nova função. A data da solenidade de transmissão do comando regional ainda não foi divulgada.
O pioneirismo feminino, portanto, será inevitavelmente parte dessa história. Mas o currículo mostra que a primeira mulher escolhida para comandar a 7ª Região não chega a Divinópolis apenas carregando um marco histórico. Ela chega depois de passar pelo comando operacional, pela formação de oficiais, pelo Estado-Maior, pelo Gabinete Militar do Governador e pela Assessoria Jurídica da Corregedoria da própria Polícia Militar.
A troca de comando colocará uma nova personagem à frente da segurança pública regional. E, para o Centro-Oeste de Minas, conhecer essa trajetória é tão importante quanto o fato histórico que acompanhará sua posse.






