Ao optar por Medina, no Vale do Jequitinhonha, para lançar oficialmente sua candidatura ao Governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo envia um recado político que, segundo interlocutores envolvidos na construção de seu plano de governo, vai muito além do simbolismo eleitoral. A escolha de uma das regiões historicamente mais carentes do Estado busca demonstrar que, caso seja eleito, sua gestão pretende olhar para Minas a partir do interior, e não apenas da capital. O lançamento da candidatura está marcado para o próximo domingo (16).
A mensagem é clara: Minas não termina em Belo Horizonte
Conforme apurou o Divinews junto a uma fonte que participa da elaboração do plano de governo, a futura administração manteria naturalmente a sede administrativa em Belo Horizonte, conforme determina a estrutura do Estado. Entretanto, segundo essa mesma fonte, Cleitinho pretende passar boa parte do mandato percorrendo Minas Gerais, mantendo contato direto com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e a população dos municípios. A proposta, de acordo com a fonte, é romper com um modelo considerado excessivamente centralizado na capital e aproximar o Governo do Estado das realidades locais.
Uma gestão municipalista
Ainda conforme a fonte ouvida pelo Divinews, um dos pilares da proposta será fortalecer o protagonismo dos municípios. No entendimento do senador, Minas Gerais possui 853 municípios, cada um com desafios e características próprias, razão pela qual as decisões do Governo Estadual não poderiam ficar concentradas apenas em Belo Horizonte.
Segundo esse interlocutor, a ideia é que os prefeitos tenham voz permanente junto ao Governo e que a administração estadual mantenha diálogo constante com as cidades, independentemente do porte ou da localização. A proposta é descrita pelos aliados como uma gestão “municipalista”, na qual o desenvolvimento regional passaria a ocupar posição estratégica dentro das políticas públicas.
Equipe técnica também deverá refletir o interior
Outro ponto destacado pela fonte é a formação do futuro secretariado. Segundo ela, caso Cleitinho seja eleito, os principais cargos técnicos do Governo não ficariam restritos a profissionais radicados em Belo Horizonte. A avaliação do grupo é que Minas possui quadros altamente qualificados espalhados por todas as regiões do Estado. Assim, nomes do Triângulo Mineiro, Sul de Minas, Zona da Mata, Centro-Oeste, Norte, Vale do Rio Doce, Jequitinhonha e demais regiões poderiam integrar a equipe de governo, privilegiando critérios técnicos e a diversidade regional.
Escolha de Medina reforça estratégia política
A decisão de lançar a candidatura em Medina também é vista por aliados como um gesto político de valorização do Vale do Jequitinhonha, região frequentemente apontada entre as que mais necessitam de investimentos públicos. Interlocutores do senador afirmam que o objetivo é mostrar, já no primeiro ato oficial da campanha, que todas as regiões de Minas terão espaço dentro de uma eventual administração.
Campanha começa no interior
Assim como anunciou sua candidatura em Divinõpolis, cidade polo da Região Centro-Oeste, o lançamento da campanha ocorrerá no domingo (16), em Medina, município localizado a aproximadamente 700 quilômetros de Belo Horizonte. A escolha da cidade foi anunciada por lideranças locais e ocorre em meio ao início oficial da campanha ao Governo de Minas. Embora a proposta de descentralização ainda faça parte do plano de governo em elaboração e não tenha sido oficialmente detalhada pelo candidato, pessoas próximas ao senador afirmam que esse deverá ser um dos principais eixos da campanha e de uma eventual administração estadual.
Por que Medina?
Localizada no Vale do Jequitinhonha, Medina possui cerca de 20 mil habitantes, conforme o Censo de 2022. O município está situado na região do Médio Jequitinhonha, no nordeste mineiro, área historicamente marcada por desafios socioeconômicos, mas também por forte potencial agrícola, comercial e mineral.
Fundada em 22 de maio de 1824 pelo espanhol Leandro de Medina, a cidade recebeu inicialmente o nome de Terra de Santa Rita, em homenagem à padroeira local. Posteriormente passou a chamar-se Santa Rita de Medina e, mais tarde, apenas Medina, em referência ao seu fundador. O município tornou-se oficialmente cidade em 1º de janeiro de 1939 e sua comarca foi instalada em 1951, em cerimônia que contou com a presença do então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, que anos depois seria eleito presidente da República.
Banhada pelos rios Jequitinhonha e São Pedro, Medina é considerada uma das cidades estratégicas do Vale do Jequitinhonha, região frequentemente citada nos debates sobre desenvolvimento regional e redução das desigualdades em Minas Gerais.
Símbolo de uma proposta de governo
Embora o conteúdo definitivo do plano de governo ainda esteja em elaboração, a escolha de Medina para o primeiro grande ato político da campanha já é vista por aliados como uma demonstração da linha que Cleitinho pretende adotar. A leitura feita por integrantes de sua equipe é que Minas Gerais, pela dimensão territorial e diversidade regional, exige uma administração mais presente nas cidades do interior.
Se essa proposta será efetivamente implementada, caso o senador seja eleito, caberá ao eleitor avaliar ao longo da campanha e, eventualmente, acompanhar durante um futuro mandato.






